
Após a movimentação do Partido Liberal sobre a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg para a corrida presidencial de 2026, o instituto rebateu as acusações feitas pela legenda contra a metodologia do levantamento que apontou queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas intenções de voto.
Ontem (19/5), o PL acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a suspensão da divulgação da pesquisa sob a alegação de que entrevistados teriam sido expostos ao áudio envolvendo Flávio e o empresário Daniel Vorcaro antes de responder às perguntas eleitorais. Para a legenda, isso teria criado uma associação negativa entre o senador, o Banco Master e o ex-banqueiro preso.
Na ação apresentada à Corte, o partido sustenta que parte das perguntas utilizava referências a “fraudes financeiras”, “escândalo do Banco Master” e “envolvimento direto” de Flávio Bolsonaro, extrapolando, segundo a sigla, o caráter informativo de uma pesquisa eleitoral.
O levantamento se tornou alvo da ofensiva jurídica do PL após registrar avanço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cenários de primeiro e segundo turno contra o bolsonarista. A divulgação ocorreu em meio à repercussão das conversas entre o senador e Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em entrevista ao programa WW, da CNN Brasil, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, negou qualquer possibilidade de influência do áudio sobre as respostas eleitorais.
“Posso garantir que 100% das respostas foram obtidas a partir de respondentes que foram redirecionados depois da submissão do questionário principal para o áudio”, afirmou.
Segundo Roman, os participantes só tiveram acesso ao conteúdo envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro após concluírem todas as perguntas ligadas à intenção de voto. Ele afirmou ainda que o sistema da pesquisa não permitia retorno ao questionário principal para alteração das respostas.
O executivo acrescentou que toda a documentação metodológica foi registrada previamente no TSE, conforme prevê a legislação eleitoral. “Não houve absolutamente nenhuma indução, nenhum tipo de influência a partir disso”, enfatizou.
Pressão interna
Nos bastidores do PL, a principal preocupação é o impacto político da repercussão do caso sobre a pré-campanha presidencial do senador. A divulgação do áudio em que Flávio cobra definições sobre recursos destinados ao filme Dark Horse ampliou o desgaste junto ao mercado financeiro e aumentou a pressão interna dentro do partido.
Aliados do senador avaliam que a associação com Daniel Vorcaro passou a produzir ruídos entre empresários e investidores da Faria Lima, especialmente após a abertura de investigações envolvendo o Banco Master. A reação levou a bancada do partido a organizar uma reunião emergencial ontem, em Brasília, para alinhar discurso e tentar reduzir danos políticos.
Durante coletiva concedida após o encontro, Flávio Bolsonaro admitiu ter se encontrado pessoalmente com Vorcaro depois que o empresário passou a ser alvo de medidas judiciais. Segundo o senador, a relação entre ambos ocorreu exclusivamente em razão da busca de financiamento para o longa-metragem sobre Jair Bolsonaro.
O parlamentar também afirmou que pediu uma prestação de contas detalhada dos recursos investidos no projeto e disse que eventuais valores obtidos futuramente com a obra ficarão à disposição das autoridades brasileiras.
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Apesar da ofensiva judicial do PL contra a pesquisa, Andrei Roman afirmou que os testes qualitativos realizados pelo instituto mostraram que a repercussão do áudio não teve efeito tão severo entre eleitores identificados com o bolsonarismo.
“A fala do Flávio Bolsonaro não repercutiu de forma tão negativa dentro deste eleitorado”, avaliou.
A controvérsia em torno da pesquisa ocorre em um momento delicado para o entorno de Flávio Bolsonaro. Integrantes do PL admitem reservadamente que o episódio provocou desgaste político relevante e obrigou o partido a intensificar movimentos de aproximação com setores empresariais e lideranças conservadoras de olho na disputa presidencial de 2026.

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