Após a revelação de um áudio enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, uma nova reportagem publicada pelo site Intercept Brasil revelou que a produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro (Dark Horse), Karina Ferreira da Gama, recebeu mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de São Paulo por meio de uma ONG contratada para instalar Wi-Fi gratuito em comunidades da capital.
Segundo a reportagem, o contrato foi firmado em 2024 entre a gestão do prefeito Ricardo Nunes e o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina, que também aparece como produtora executiva do longa. A contratação foi feita por meio de uma licitação que só recebeu uma proposta, feita pela ONG no nome de Karina. Dos 5 mil pontos de internet previstos, cerca de 3,2 mil teriam sido instalados. A maior parte das instalações ocorreu durante o período eleitoral de 2024, quando Nunes disputava a reeleição.
O edital chegou a ser alvo de questionamentos do Tribunal de Contas do Município, que apontou possíveis irregularidades e recomendou a suspensão do processo.
Além do contrato de internet, Karina também comanda a Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção milionária do filme sobre Bolsonaro, dirigido por Cyrus Nowrasteh e estrelado por Jim Caviezel.
Ainda segundo o Intercept, a Academia Nacional de Cultura, outra ONG ligada a Karina, recebeu em 2024 cerca de R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares enviadas por deputados do PL, entre eles Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon. Os recursos seriam destinados à produção de uma série documental que ainda não foi lançada.
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A deputada federal Tabata Amaral (PSB - SP) também chegou a questionar emendas parlamentares que teriam sido destinadas por Mário Frias (PL-SP) para a produção de “Dark Horse”.
Em abril, após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), definir um prazo para a Câmara dos Deputados se justificar, a casa legislativa se posicionou a favor das emendas alegando que não foram encontradas irregularidades nas emendas destinadas pelo deputado.
Até o momento de publicação desta reportagem a Prefeitura de São Paulo e o prefeito Ricardo Nunes não responderam às tentativas de contato do Correio.
