A Agência Nacional do Cinema (Ancine), instaurou um procedimento administrativo para apurar possíveis irregularidades envolvendo a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo nota enviada ao Correio, a investigação foi aberta após denúncias formalmente apresentadas ao órgão e está atualmente na fase de instrução probatória, etapa em que denunciantes e envolvidos podem apresentar documentos e alegações antes de uma decisão administrativa.
De acordo com a agência, a produtora Go Up Entertainment está registrada na Ancine como agente econômico desde 9 de julho de 2025. Apesar disso, até o momento não há pedido de registro para lançamento comercial do longa no Brasil, exigência prevista pela legislação para a exploração comercial de obras audiovisuais em território nacional.
Entre os principais pontos analisados pela Ancine estão a classificação do filme — se a obra deve ser considerada brasileira ou estrangeira — e qual teria sido o papel efetivo da Go Up Entertainment no projeto. A definição é considerada determinante para estabelecer quais obrigações legais deveriam ter sido cumpridas durante as gravações do longa, realizadas em 2025 em São Paulo.
A agência também apura se a produtora brasileira teria atuado diretamente na produção ou apenas prestado serviços para uma empresa estrangeira responsável pelo projeto. Segundo a Ancine, filmagens internacionais realizadas no Brasil precisam ser previamente comunicadas ao órgão regulador, o que não ocorreu no caso de Dark Horse.
O filme ganhou repercussão após reportagens apontarem incertezas sobre sua distribuição e financiamento. O ator Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro no longa, afirmou nas redes sociais que a estreia nos Estados Unidos está prevista para setembro de 2026. No entanto, veículos especializados informaram que a produção ainda busca uma distribuidora internacional.
Em nota, a Ancine afirmou que os resultados da apuração serão divulgados publicamente após a conclusão do processo administrativo, embora os procedimentos sancionadores tenham acesso restrito. O órgão destacou ainda que, caso sejam confirmadas irregularidades, poderão ser adotadas as medidas previstas em lei, incluindo sanções administrativas contra os responsáveis pela produção.
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