
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (17/6), durante uma conversa antes do início da última sessão da cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França, que nunca se considerou um político de esquerda. A declaração foi feita em um diálogo com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, registrado por câmeras que acompanhavam o evento. O líder petista encerrou, hoje, sua participação no G7.
A conversa ocorreu após Kristalina lembrar que, quando o chefe do Executivo assumiu a Presidência pela primeira vez, em 2003, havia expectativa internacional de que ele adotasse uma postura mais alinhada à esquerda. A dirigente do FMI observou que muitos acreditavam que ele seguiria esse caminho, mas que acabou governando de forma mais moderada.
“Eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical, com belíssima relação com o sindicalismo alemão, muito forte. Tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano, com a UGT da Espanha”, respondeu Lula. Em outro momento da conversa, o presidente avaliou que “o mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade”.
O presidente brasileiro também relembrou episódios do início de sua trajetória política e citou um convite que recebeu para participar de um congresso na então União Soviética, em 1980. Segundo Lula, após percorrer países europeus em busca de solidariedade internacional, passou a ser tratado como anticomunista.
Durante o encontro com Kristalina e Merz, o chefe do Executivo ainda destacou a rapidez da apuração eleitoral no Brasil e defendeu o modelo de votação eletrônica utilizado no país. “A eleição no Brasil é muito rápida. A votação termina às 17h e, às 19h, já temos o resultado. São cerca de 60 milhões de votos. Eu não sei por que a ONU não adota o sistema eletrônico como orientação aos países.”
Já ao explicar o funcionamento das urnas eletrônicas, Lula ressaltou os mecanismos utilizados durante a votação. “Não pode entrar com celular. Na urna eletrônica aparece o campo para votação, você digita o número do candidato. O meu número é 13. Então o eleitor digita 13 e aparece a minha foto. Se ele quiser votar em mim, aperta ‘confirma’. Se digitou 13 e eu não sou o candidato dele, aperta o outro botão, o vermelho, apaga e pode votar de novo”, explicou.

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