Eleições na Colômbia

Vitória da direita na Colômbia amplia avanço conservador na América do Sul

Antes do pleito no país vizinho, De la Espriella chegou a fazer uma chamada de vídeo com os senadores Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, dos quais declarou ser "seguidor" e "bolsonarista"

Eleição de Abelardo de la Espriella fortalece bloco conservador no continente, aproxima aliados de Donald Trump e aumenta receios de isolamento diplomático do governo Lula
 -  (crédito:  AFP)
Eleição de Abelardo de la Espriella fortalece bloco conservador no continente, aproxima aliados de Donald Trump e aumenta receios de isolamento diplomático do governo Lula - (crédito: AFP)

A eleição do advogado e empresário Abelardo de la Espriella para a presidência da Colômbia consolidou uma nova guinada política na América do Sul e reforçou o avanço de governos conservadores na região. Com a derrota do candidato progressista Iván Cepeda, apoiado pelo presidente Gustavo Petro, a direita passou a ocupar seis dos 12 governos sul-americanos e pode ampliar a vantagem caso se confirme a vitória de Keiko Fujimori no Peru. Antes do pleito colombiano, De la Espriella chegou a fazer uma chamada de vídeo com os senadores Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, dos quais declarou ser “seguidor” e “bolsonarista”.

O resultado colombiano é visto como mais um capítulo da mudança de ciclo político no continente. Atualmente, Brasil, Guiana, Suriname, Uruguai, Venezuela e, em parte, a Bolívia permanecem sob governos de esquerda ou centro-esquerda, enquanto Argentina, Chile, Paraguai, Equador e agora Colômbia são comandados por líderes conservadores. No Peru, a candidata de direita Keiko Fujimori lidera a apuração e pode garantir uma maioria de sete países alinhados ao campo conservador.

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A mudança de comando em Bogotá representa também a perda de um aliado importante para o governo brasileiro. Gustavo Petro foi um dos principais parceiros de Lula em iniciativas diplomáticas recentes, como a articulação de uma nota conjunta que condenou a operação unilateral dos Estados Unidos na Venezuela, em janeiro deste ano, que culminou na prisão de Nicolás Maduro. Na ocasião, apenas Chile, Uruguai e Colômbia aderiram ao documento. Petro também apoiou a pressão brasileira para que o Conselho Nacional Eleitoral venezuelano divulgasse os resultados das eleições presidenciais de 2024.

Enquanto o Planalto vê diminuir o número de aliados na região, presidentes de perfil conservador intensificam a aproximação com Donald Trump. Argentina e Paraguai, por exemplo, aderiram ao chamado “Conselho da Paz”, iniciativa lançada pelo presidente norte-americano para tratar da Faixa de Gaza. Abelardo de la Espriella, que contou com o apoio de Trump durante a campanha, defende uma política de “mão dura” contra o narcotráfico, combate à corrupção e ampliação dos acordos militares com Washington para enfrentar o crime organizado.

Repercussão no Brasil

A vitória do novo presidente colombiano foi comemorada por lideranças da direita brasileira. Flávio Bolsonaro destacou o resultado nas redes sociais, enquanto aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro ressaltaram a proximidade ideológica com De la Espriella.

A expectativa entre conservadores é que a mudança em Bogotá fortaleça um eixo político alinhado a Trump e aumente a influência da direita no continente às vésperas das eleições presidenciais de 2026 no Brasil, cenário que poderá redefinir o equilíbrio de forças na América do Sul.

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postado em 22/06/2026 12:33 / atualizado em 22/06/2026 12:33
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