CASO MASTER

Wagner diz que pagamentos do Master à empresa da família superam valores citados pela PF

Ex-líder do governo no Senado afirma que recursos tiveram origem legal. Ele nega ter recebido parte do dinheiro, mas reconhece que versão sobre compra de apartamento é "nebulosa"

Jaques Wagner foi alvo de uma operação da PF que apura suspeitas de atuação em favor de interesses de Vorcaro no Congresso em troca de supostos benefícios.  -  (crédito:  Ed Alves/CB/DA.Press)
Jaques Wagner foi alvo de uma operação da PF que apura suspeitas de atuação em favor de interesses de Vorcaro no Congresso em troca de supostos benefícios. - (crédito: Ed Alves/CB/DA.Press)

O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que os valores pagos pelo Banco Master à empresa de sua família são superiores aos R$ 3,5 milhões apontados pela investigação da Polícia Federal. O parlamentar sustentou que todos os pagamentos tiveram origem legal, foram feitos com base em contratos e negou ter recebido qualquer parcela dos recursos.

Segundo Wagner, o montante mencionado pela PF corresponde apenas à indenização pelo rompimento de um contrato firmado entre o banco e a empresa da qual sua nora é sócia. Antes disso, segundo ele, a companhia recebia pagamentos mensais da instituição financeira. "Tomei um susto porque não é pouca coisa, é muita coisa. Mas é muita coisa legalmente, tem contrato", declarou em entrevista publicada nesta sexta-feira (26/6) pela Folha de S.Paulo. O senador acrescentou que, na avaliação dos responsáveis pela empresa, o banco sequer teria quitado integralmente os valores devidos.

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O parlamentar também voltou a comentar a aquisição de um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,4 milhões, comprado pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Wagner reconheceu que sua explicação sobre a negociação pode parecer "nebulosa", mas insistiu que a operação ocorreu de forma transparente e sem qualquer benefício indevido.

O senador afirmou que pretendia presentear a filha com um imóvel em um empreendimento ainda em construção, mas que não dispunha dos recursos necessários para concluir a compra naquele momento. Segundo ele, pediu que Augusto Lima adquirisse a unidade para garantir a reserva do imóvel, enquanto a família providenciaria a venda de outro apartamento e buscaria financiamento para concluir a operação. "O caminho dos corruptos não é esse", afirmou, ressaltando que o imóvel nunca esteve em seu nome nem lhe foi doado.

Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado nesta semana, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com o senador, a saída ocorreu em comum acordo para que ele possa concentrar esforços em sua defesa e também na campanha eleitoral. A substituição ocorreu em meio ao avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Na última semana, Wagner foi alvo de uma operação da PF que apura suspeitas de atuação em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional em troca de supostos benefícios. O caso provocou preocupação no Palácio do Planalto quanto ao desgaste político da permanência do senador na liderança do governo. O parlamentar nega irregularidades e sustenta que tanto os contratos quanto as negociações investigadas ocorreram dentro da legalidade. 

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postado em 26/06/2026 15:09 / atualizado em 26/06/2026 15:15
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