Banco Master

Jaques Wagner, líder do governo no Senado, é um dos alvos da operação da PF

Jaques Wagner atualmente, é líder do Governo Lula no Senado; operação investiga envolvimento do senador no caso master

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado Federal, é um dos alvos da 9ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18/6) pela PF (Polícia Federal). Os agentes cumprem mandado de busca e apreensão contra o parlamentar.

A Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça ligado ao Banco Master. Ao todo, policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

Segundo informações obtidas pela TV Globo, a operação tem como foco principal a relação entre o senador e o banqueiro Augusto Lima, apontado como aliado de Daniel Vorcaro. A PF apura se o parlamentar teria atuado em favor de projetos de interesse do Master no Congresso, entre eles a chamada "Emenda Master" e uma proposta que ampliava o limite do crédito consignado. 

Em contrapartida, os investigadores suspeitam que Wagner tenha recebido vantagens indevidas, como um apartamento, repasses que somariam R$3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a familiares, além do uso de aeronaves e ingressos para shows. 

O nome de Wagner já havia surgido no caso Master antes mesmo dessa fase. A nora do senador recebeu pelo menos R$11 milhões do banco por meio da BK Financeira, empresa de sua propriedade. Na época, ele negou envolvimento e afirmou não ter conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação e negociação em favor da empresa citada. 

Jaques Wagner nasceu no Rio de Janeiro, mas fez carreira política na Bahia, onde ocupou cargos de deputado federal e governador. Atualmente, é líder do Governo Lula no senado. De 1987 a 1989 foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica (Sindiquímica). Sua ligação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem dessa época. Ambos se conheceram em um congresso de petroleiros. Também foi um dos responsáveis pela organização da CUT (Central Única dos Trabalhadores) na Bahia. 

Seu primeiro cargo eletivo foi conseguido em 1990, quando obteve um mandato como deputado federal, sendo reeleito duas vezes (em 1994 e em 1998). Wagner também ocupou o Ministério do Trabalho no governo Lula e foi ministro da Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Sociais. Com a crise do “mensalão”, em 2005, foi designado Ministro das Relações Institucionais. 

Em 2006, Wagner foi eleito governador da Bahia. Ele cumpriu dois mandatos no cargo, entre os anos de 2007 e 2014. Quando foi eleito governador pela primeira vez, em 2006, Jaques Wagner quebrou um ciclo de quatro mandatos consecutivos do Partido da Frente Liberal (PFL) à frente da Bahia.

Wagner já havia sido investigado anteriormente, em 2018, na Operação Cartão Vermelho, sob suspeita de receber cerca de R$82 milhões em propina e caixa dois. O montante estaria ligado ao desvio de verbas e superfaturamento nas obras de construção e reforma da Arena Fonte Nova, em Salvador, para a Copa do Mundo. A acusação baseou-se em delações da empreiteira Odebrecht.

O inquérito policial referente a essas acusações foi arquivado pela Justiça Federal em fevereiro de 2025, após o Ministério Público Federal (MPF) apontar e o juiz concordar que não havia evidências concretas ou irregularidades que sustentam as acusações

 

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