
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, negou nesta segunda-feira (13/7) ter cometido irregularidades na indicação de emendas parlamentares e afirmou que sua atuação se limitava à articulação política entre prefeitos, deputados e a liderança da bancada da legenda na Câmara dos Deputados.
As declarações foram dadas após a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do dirigente partidário no âmbito de uma investigação sobre a destinação de recursos de emendas parlamentares.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que pessoas sem mandato parlamentar tenham participado da definição do destino de verbas públicas. Valdemar, no entanto, sustenta que o trabalho faz parte das atribuições de um presidente de partido.
“Recebo prefeitos e deputados de todo o Brasil que cuidam de suas regiões. Muitos me procuram para apresentar demandas e eu faço sugestões à liderança, que é quem tem a atribuição de encaminhar e assinar as indicações”, afirmou em entrevista ao Correio.
O dirigente também rejeitou a hipótese de ter exercido qualquer controle próprio sobre recursos orçamentários. Para ele, a investigação pode ter partido da interpretação de que presidentes partidários possuem uma cota individual de emendas.
“O bloqueio de R$ 119 milhões é o total das emendas, e eu não teria esse dinheiro na conta nem se ganhasse duas vezes na Mega-Sena sozinho. Isso será esclarecido na defesa e não tenho nenhuma preocupação”, declarou.
Questionado sobre os mecanismos de controle adotados pelo partido, Valdemar afirmou que as indicações passam por análise da liderança parlamentar e observam critérios relacionados à regularidade das prefeituras e à existência de projetos aptos a receber os recursos.
Desgaste
O presidente do PL reconheceu que a investigação provoca desgaste político inicial, mas disse acreditar que a situação será revertida ao longo do processo. “No primeiro momento causa impacto, especialmente com chamadas no Jornal Nacional sobre o bloqueio de R$ 119 milhões, o que faz as pessoas pensarem que tenho esse dinheiro ou que houve algo errado. Fizeram a matéria sem me ouvir ou me entrevistar. Não houve nada errado e vamos provar isso ao ministro”, afirmou.
A investigação segue sob relatoria de Flávio Dino e busca esclarecer a participação de agentes políticos sem mandato na definição do destino de emendas parlamentares.

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