Combate à misoginia

Jandira Feghali vê urgência no PL da Misoginia após fala de Paulo Figueiredo

Em entrevista ao Correio, deputada denuncia a escalada da violência contra mulheres na política

"O preconceito e o ódio às mulheres estão no DNA da extrema direita", declarou Feghali - (crédito: Mário Agra/Câmara dos Deputados )

Recentes declarações do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo voltaram a colocar em evidência a discussão adiada sobre a criminalização da misoginia no Brasil. Durante uma transmissão ao vivo na terça-feira (21/7), ele classificou como “genial” a declaração feita por Jair Bolsonaro à deputada Maria do Rosário (PT-RS), em 2014, quando o ex-presidente afirmou que não a estupraria “porque ela não merece”.

Na mesma live, Figueiredo também fez comentários depreciativos sobre a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), ao relembrar um episódio em que a parlamentar denunciava ameaças de estupro. 

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Em entrevista ao Correio nesta quinta-feira (23), Feghali disse que os episódios recentes representam um incentivo à violência contra mulheres e evidenciam a necessidade de aprovação do PL da misoginia (PL 896/2023). “É urgente para que a incitação à violência seja criminalizada”, destacou ela. 

As falas ocorrem em um momento em que a Câmara dos Deputados se prepara para retomar a discussão do projeto de lei que combate à misoginia, proposta que pretende incluir a misoginia entre os crimes previstos na Lei do Racismo, com punições para condutas de discriminação, hostilidade e incitação à violência contra mulheres motivadas pelo gênero.

Jandira também relacionou os recentes ataques dirigidos à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, após o conflito público com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao ambiente de hostilidade enfrentado por mulheres na política. “O preconceito e o ódio às mulheres estão no DNA da extrema direita”, declarou.

Michelle Bolsonaro passou a ser alvo de críticas e ataques de integrantes do próprio campo político depois de tornar pública a crise com Flávio Bolsonaro, ao relatar ter sido “humilhada” pelo enteado. O episódio foi acompanhado por uma onda de manifestações ofensivas nas redes sociais, levando sua equipe a reforçar medidas de segurança e reduzindo sua participação na pré-campanha presidencial. 

As declarações de Paulo Figueiredo ampliaram essa discussão. Além de defender a frase de Bolsonaro dirigida a Maria do Rosário, o influenciador afirmou que o ex-presidente “falava o que todo mundo estava pensando” e utilizou um apelido pejorativo para se referir à deputada petista. Ao comentar sobre Jandira Feghali, Paulo fez novas declarações em tom de deboche sobre ameaças de estupro relatadas pela parlamentar.

"Liberdade de expressão"

Não é a primeira vez que Figueiredo provoca reação por declarações envolvendo mulheres. Em junho, ele afirmou que mulheres, especialmente as solteiras, “votam estatisticamente muito mal”, comentário que foi criticado por parlamentares de diferentes partidos e repudiado publicamente por Flávio Bolsonaro, que enfrenta dificuldade de se aproximar do eleitorado feminino. O presidenciável classificou a fala como “completamente equivocada”. 

Um dos principais argumentos apresentados por parlamentares contrários ao PL da Misoginia é o de que a proposta poderia restringir a liberdade de expressão. Para Jandira Feghali, essa interpretação não encontra respaldo no texto.

“Isto não é verdade. Não há restrição à liberdade de expressão. O que precisa é considerar crime o que, de fato, é crime. Ler a Bíblia nos cultos não está no rol dos crimes. Mas usar falas em cultos, missas, terreiros ou qualquer outro lugar para estimular a violência contra a mulher, sim”, afirmou.

A proposta foi aprovada pelo Senado e teve o texto consolidado por um grupo de trabalho na Câmara, sob relatoria da deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Apesar do parecer favorável, a votação em plenário acabou sendo adiada por falta de consenso entre os líderes partidários e deve voltar à pauta no segundo semestre.

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postado em 23/07/2026 11:20 / atualizado em 23/07/2026 15:57
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