
A reaproximação entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, oficializada após um pedido público de desculpas do pré-candidato à Presidência e a resposta positiva da madrasta, ocorre em um momento de tentativa de reorganização da campanha bolsonarista. O gesto foi feito às vésperas da convenção nacional do PL, depois de semanas marcadas por atritos internos e por uma sucessão de desgastes envolvendo o nome de Flávio, como as revelações sobre sua relação com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o financiamento do filme Dark Horse e outros episódios que repercutiram durante a pré-campanha.
Para o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), pastor evangélico e crítico da condução do bolsonarismo junto ao eleitorado religioso, a reconciliação tem menos relação com um entendimento familiar e mais com a necessidade de conter o desgaste político. “Na verdade, não há nada de espontâneo nesse movimento do Flávio em relação a Michelle. É uma questão de sobrevivência. (…) Está nítido e claro que esse movimento dele é para estancar essa sangria de queda nas pesquisas e a percepção de que, a cada semana, nós vamos ter um escândalo envolvendo a sua candidatura”, afirmou ao Correio, nesta sexta-feira (24/7).
Na avaliação do parlamentar, o gesto pode produzir um efeito inicial, mas não seria suficiente para alterar o cenário da disputa presidencial. “Essa reaproximação pode, a princípio, ter algum resultado positivo, mas que logo vai ser descontinuado pelo que há de vir ainda sobre o Flávio Bolsonaro. É importante entender que o tema não é familiar. Os reais problemas de Flávio Bolsonaro são problemas morais. Portanto, essa reaproximação eu não vejo como solução para as crises que a campanha está enfrentando neste momento”, reforçou.
Em vídeo publicado nas redes sociais após Michelle aceitar o pedido de desculpas, Otoni afirmou que a reconciliação era o único caminho disponível para o pré-candidato diante do momento vivido pela campanha. Segundo ele, a aproximação ajuda a reduzir o impacto da crise pública com a ex-primeira-dama, mas não elimina os questionamentos relacionados aos episódios que marcaram a pré-campanha. O deputado voltou a citar o caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master e o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro como exemplos de temas que, na sua avaliação, permanecem sem explicações suficientes.
Apesar das críticas, Otoni disse considerar positiva a retomada do diálogo entre os integrantes da família Bolsonaro. “É bom quando a família se entende. Não importa qual seja a motivação, se foi sincera ou não. O importante é que eles estão se entendendo”, afirmou. Em seguida, porém, voltou a atribuir a reconciliação à conveniência política. “Tem hora que o que tem que prevalecer, se não é a sinceridade, é a conveniência”, concluiu.

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