
A metade do eleitorado brasileiro acredita que o aumento das tarifas imposto pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil tem como objetivo favorecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. É o que mostra pesquisa Datafolha, segundo o levantamento, 52% dos entrevistados afirmam que o tarifaço busca ajudar a campanha do senador. Outros 37% rejeitam essa interpretação, enquanto 11% disseram não saber responder.
A percepção varia conforme a preferência eleitoral. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 29% consideram que as medidas adotadas pelos Estados Unidos têm o objetivo de beneficiá-lo. Já entre os entrevistados que declaram voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esse percentual sobe para 73%.
A pesquisa também indica que o tema já alcançou ampla visibilidade. Ao todo, 63% dos entrevistados disseram estar informados sobre o tarifaço, sendo que 25% afirmaram acompanhar o assunto de perto e 34% disseram estar razoavelmente informados.
No cenário eleitoral testado pelo instituto, Lula aparece com 40% das intenções de voto em um eventual primeiro turno contra Flávio Bolsonaro, que registra 32%. Em uma simulação de segundo turno, o presidente venceria por 48% a 43%.
O Datafolha também investigou a disputa de narrativas em torno da crise comercial. Para 34% dos entrevistados, Lula está correto ao afirmar que a responsabilidade pelo tarifaço é de Flávio Bolsonaro. Já 26% concordam com a avaliação do senador de que o governo federal falhou na condução das negociações. Outros 24% consideram que nenhum dos dois tem razão, enquanto 11% avaliam que ambos estão corretos.
Quando questionados sobre quem é o principal responsável pela punição comercial, 35% apontaram Lula. Outros 28% atribuíram a responsabilidade ao presidente Donald Trump. Flávio Bolsonaro foi citado por 13% dos entrevistados e Eduardo Bolsonaro por 10%. Não souberam responder 10%.
Apesar da polarização política em torno do tema, há consenso sobre a resposta do Brasil à medida norte-americana. A pesquisa mostra que 74% defendem que o país negocie uma solução diplomática com os Estados Unidos. Apenas 17% apoiam uma retaliação comercial na mesma proporção, enquanto 2% avaliam que o Brasil deveria aceitar o tarifaço.
O levantamento ainda mostra que 51% consideram que o governo Lula fez menos do que poderia para enfrentar a crise comercial. Para 29%, a atuação foi adequada, e 12% avaliam que o governo foi além do necessário.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01166/2026. Foram ouvidas, durante os dias 22 e 23 deste mês, 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

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