
O pré-candidato do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) à Presidência da República, Hertz da Conceição Dias, afirmou nesta terça-feira (28/7), durante sabatina promovida pelo Correio Braziliense, que pretende governar apoiado em conselhos populares caso seja eleito em 2026. Professor, rapper e político, ele reconheceu as dificuldades enfrentadas pela legenda por não possuir representação no Congresso Nacional, mas disse que a relação com sindicatos, associações e movimentos sociais seria a base de sustentação de um eventual governo.
Ao comentar a estrutura da campanha eleitoral, Hertz criticou as regras que, segundo ele, limitam a participação de partidos menores. O candidato afirmou que o PSTU, legalizado desde 1994, não terá espaço em diversos debates, nem tempo de propaganda em rádio e televisão ou inserções eleitorais. Para ele, essas restrições demonstram que o atual sistema político "expressa algo extremamente antidemocrático" e dificulta a apresentação de propostas alternativas ao eleitorado.
Questionado sobre como pretende governar sem uma bancada no Parlamento, o presidenciável respondeu que sua gestão seria baseada nas organizações da classe trabalhadora. Segundo ele, os conselhos populares funcionariam como instrumentos de participação direta da população nas decisões políticas. "Nós iremos governar apoiados nas organizações da classe trabalhadora", afirmou, ao defender que essas estruturas representariam a maioria da sociedade brasileira.
Durante a entrevista, Hertz também fez duras críticas ao Congresso Nacional. Na avaliação do candidato, o Parlamento atual é composto por políticos que, segundo suas palavras, são "misóginos, racistas, corruptos e antitrabalhadores". Ele argumentou que, para implementar o programa defendido pelo PSTU, seria necessário mobilizar a população organizada para pressionar o Legislativo e submeter suas decisões à vontade da maioria da classe trabalhadora.
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Participação popular
O pré-candidato também apresentou propostas para reformular o funcionamento das instituições políticas. Entre elas, defendeu que deputados e senadores recebam remuneração equivalente ao salário médio de um professor ou de um trabalhador qualificado e que todos os mandatos eletivos possam ser revogados pela população antes do término, caso os eleitos deixem de cumprir os compromissos assumidos durante a campanha. Segundo Hertz, a medida ampliaria o controle popular sobre os representantes.
Ao abordar o Supremo Tribunal Federal (STF), Hertz afirmou que a Corte representa o "caráter de classe" das instituições brasileiras e criticou o modelo atual de escolha dos ministros. O presidenciável defendeu que os integrantes do STF passem a ser eleitos pela população, recebam salários compatíveis com a média dos trabalhadores e também estejam sujeitos à revogação de seus mandatos. Para o candidato, essas mudanças fariam parte de um processo de "radicalização da democracia" e ampliariam a participação popular nas decisões do Estado.
O evento presencial ocorre no auditório da sede do jornal, com transmissão ao vivo pelas redes do Correio. Esta é a primeira rodada de entrevistas com os candidatos ao Palácio do Planalto. A sabatina com os presidenciáveis deste ano tem o apoio da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), da Federação Nacional de Auditores Fiscais Tributário (Fenat), da Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite) e da Unafisco Nacional.
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