
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, retirou nesta quarta-feira (30/7) o sigilo da decisão que autorizou medidas de investigação contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes financeiros, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção envolvendo o antigo Banco Master, de Daniel Vorcaro.
O documento mostra os elementos apresentados pela Polícia Federal (PF) que levaram o magistrado a autorizar o monitoramento de dados telefônicos e de localização do parlamentar. A decisão foi assinada por Mendonça em 17 de junho.
Segundo a decisão, a PF identificou indícios de que Wagner teria recebido vantagens econômicas indevidas de gestores ligados ao Banco Master, em possível relação com sua atuação política e parlamentar. Entre os elementos citados estão o uso de aeronaves, o recebimento de ingressos para shows caros e a aquisição de um apartamento no empreendimento Poème Horto, em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões.
Além disso, a decisão também cita planilhas encontradas no aparelho de Daniel Lopes Monteiro (um dos operadores jurídico-financeiros ligados ao Banco Master) que registrariam pagamentos superiores a R$ 2,34 milhões a uma pessoa identificada como “Dudu”, apelido que, segundo a PF, corresponderia a Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner.
Outro ponto citado na investigação são pagamentos à BN Financeira, empresa ligada ao núcleo familiar do senador. Segundo a decisão, uma transferência de R$ 3,5 milhões foi feita em outubro de 2025 pela PKL One Participações S.A., empresa vinculada ao núcleo de Augusto Ferreira Lima, apontado pela PF como uma das pessoas que mantinham contato próximo com Wagner.
Além das suspeitas de recebimento de vantagens econômicas, a PF também investiga a atuação de Wagner em assuntos que interessavam ao Banco Master. Um dos pontos citados é uma emenda apresentada pelo senador durante a tramitação da MP 1.106/2022, que aumentou o limite para empréstimos consignados. Na prática, a mudança permitiu que trabalhadores, aposentados e outros beneficiários comprometessem uma parcela maior da renda com esse tipo de empréstimo.
A investigação também cita conversas de Wagner com pessoas ligadas ao Banco Master sobre a PEC 65/2023, que tratava do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e sobre a possível compra do banco pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo a PF, esses episódios são analisados em conjunto com as suspeitas de vantagens econômicas recebidas pelo senador.
Mendonça afirmou também que, em uma análise preliminar, os elementos apresentados pela PF indicam uma possível relação entre as vantagens econômicas investigadas e a atuação de Wagner como parlamentar. O ministro ressaltou, porém, que a decisão não significa que o senador seja culpado ou que sua participação nos crimes tenha sido comprovada. Segundo ele, as medidas servem justamente para confirmar ou afastar os possíveis vínculos apontados pela investigação.
Por fim, o ministro autorizou a PF a acessar registros de chamadas, mensagens de SMS, conexões de internet e dados que permitam identificar a localização aproximada dos telefones de Wagner e de outros cinco investigados. Também permitiu o acompanhamento da localização dos aparelhos em tempo real por dez dias. A medida, porém, não dá acesso ao conteúdo das ligações ou mensagens. Os investigadores poderão obter apenas informações técnicas sobre contatos, localização e deslocamentos.

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