O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra a família do ex-presidente Jair Bolsonaro, utilizando repetidamente o termo "traidores da pátria" para classificar a atuação dos parlamentares junto ao governo dos Estados Unidos. A mais recente declaração ocorreu nesta quinta-feira (2/6), após o senador e pré-candidato à Presidênica Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedir à gestão de Donald Trump o adiamento das novas tarifas comerciais contra o Brasil para depois das eleições de outubro.
Para Lula, a tentativa de negociar prazos para o "tarifaço" norte-americano com o intuito de evitar um suposto fortalecimento político do governo atual é uma atitude de "entreguismo". "Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois", afirmou o petista em suas redes sociais.
Histórico
Esta não é uma declaração isolada. Em junho de 2026, Lula já havia chamado Flávio e Eduardo Bolsonaro de "traidores" e "vendilhões da pátria". Na ocasião, o presidente associou a proposta de sobretaxa de 25% a produtos brasileiros a reuniões da família Bolsonaro com integrantes da Casa Branca. Segundo Lula, os filhos do ex-presidente são "piores que ele" por pedirem a intervenção de uma potência estrangeira em decisões soberanas do Brasil.
O conflito também atingiu o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em agosto de 2025, durante reunião ministerial, Lula defendeu a expulsão do parlamentar da Câmara dos Deputados. O presidente classificou o comportamento de Eduardo como "uma das maiores traições que uma pátria sofre de filhos seus", acusando-o de adotar os Estados Unidos como pátria e insuflar o ódio contra o povo brasileiro. Eduardo foi indiciado pela Polícia Federal por atuar nos EUA para obstruir investigações sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil.
Além das tarifas comerciais, a disputa de narrativa envolve a defesa de ferramentas nacionais como o PIX e o bloco econômico Mercosul. O governo brasileiro manifestou indignação com relatórios do Escritório de Comércio dos EUA (USTR) que criticam o sistema de pagamentos brasileiro, alegando que o documento foi motivado por "provocação da família Bolsonaro" para fins eleitorais.
"Nossa pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável", declarou Lula na postagem desta quinta-feira (2/6), ao reafirmar que não permitirá que interesses estrangeiros, estimulados pela oposição, prejudiquem a economia e os empresários brasileiros. O Palácio do Planalto segue em negociações com Washington para tentar reverter as sanções até o prazo final de 15 de julho.
