
Restando apenas três dias para o encerramento das convenções partidárias, o tabuleiro da sucessão presidencial ainda reserva uma das principais incógnitas da campanha: quem será o vice de Flávio Bolsonaro (PL)?
Entre os cinco candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto, o senador e o ex-governador de Minas gerais, Romeu Zema, são os únicos que ainda não oficializaram o companheiro de chapa, intensificando as negociações com partidos do Centrão em uma corrida contra o tempo. O prazo para definição termina na próxima quarta-feira (5/8), enquanto o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá ser feito até 15 de agosto.
Nas últimas semanas, a principal aposta do PL foi a senadora Tereza Cristina (PP-MS). A ex-ministra da Agricultura reunia características consideradas ideais pela campanha: forte identificação com o agronegócio, bom trânsito no Congresso, baixa rejeição e capacidade de aproximar setores moderados e o eleitorado feminino. O próprio Flávio chegou a afirmar publicamente que a senadora havia aceitado o convite.
Entretanto, a negociação encontrou resistência dentro do Progressistas. A direção nacional do partido, comandada pelo senador Ciro Nogueira (PI), sinalizou preferência por manter a legenda em posição de neutralidade na disputa presidencial, o que acabou inviabilizando, ao menos por enquanto, a indicação de qualquer filiado para a chapa.
A deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), outro nome lembrado nos bastidores para a vaga de vice, confirmou ao Correio que a decisão extrapola a vontade dos possíveis indicados e depende exclusivamente da direção nacional do partido. “Agora a gente está mais na mão do Ciro Nogueira. O PP não se adianta a nada. O Flávio pode chamar, mas, se o Ciro não quiser, não adianta”, afirmou.
A parlamentar revelou ainda que permanece à disposição caso seja convidada. “Tem muitas pessoas, inclusive do movimento da Igreja Católica, que defendem uma representante do segmento na chapa. Eu estaria à disposição, mas não depende da gente. Depende muito mais da decisão do presidente nacional.”
Apesar das especulações, Simone confirmou que não disputará a reeleição para a Câmara dos Deputados em 2026. “Já tomei essa decisão no ano passado. Meu perfil é mais de Executivo. Agora vou concluir o mandato e depois decidir os próximos passos.”
Bastidores apontam impasse com Ciro Nogueira
Reservadamente, uma fonte com trânsito entre dirigentes partidários afirmou ao Correio que a resistência enfrentada por Tereza Cristina não parte da senadora.“Pelo que entendi, ela já aceitou. O problema é o partido. Quem manda no PP é o Ciro Nogueira.”
Segundo o interlocutor, o presidente nacional da legenda teria ficado insatisfeito com a postura adotada por Flávio Bolsonaro durante a crise envolvendo o Banco Master. “O que ouvi nos bastidores é que o Ciro se sentiu meio abandonado pelo Flávio quando começou toda aquela situação do Banco Master.”
Embora a versão não seja confirmada oficialmente por dirigentes do Progressistas, ela circula entre lideranças que acompanham as negociações para a composição da chapa presidencial.
A mesma fonte avalia que a tendência não se restringe ao PP. “PP, União Brasil e Republicanos caminham para uma posição mais neutra. São partidos muito ligados ao Centrão e ainda estão avaliando o cenário.”
Podemos entra no radar
Com o avanço do calendário eleitoral e as dificuldades para fechar um acordo com o Progressistas, outros partidos passaram a ser considerados pela campanha de Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores, uma das alternativas mencionadas é o Podemos. Segundo a fonte ouvida pelo Correio, a presidente nacional da legenda, Renata Abreu, surgiu como um dos nomes cogitados para abrir uma nova frente de negociação.

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