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Eleições 2026: mulheres e negros ficam fora das chapas competitivas

Enquanto pardos e pretos representam mais da metade da população brasileira, os principais candidatos à Presidência e seus vices são majoritariamente homens brancos


TSE - Tribunal Superior Eleitoral
Urna eletrônica -  (crédito: Antonio Augusto/Ascom/TSE)
TSE - Tribunal Superior Eleitoral Urna eletrônica - (crédito: Antonio Augusto/Ascom/TSE)

A corrida presidencial de 2026 reproduz um cenário que há décadas desafia a política brasileira. Embora o país tenha se tornado majoritariamente pardo e registre crescimento da população que se declara preta, os candidatos mais competitivos na disputa pelo Palácio do Planalto continuam concentrando um perfil semelhante: homens brancos. A baixa diversidade também se estende às chapas majoritárias, nas quais mulheres e pessoas negras praticamente desaparecem entre os nomes com maiores intenções de voto.

As convenções partidárias, realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, definiram os principais concorrentes à Presidência da República. Nas pré-candidaturas que lideram as pesquisas de intenção de voto, não há nenhuma mulher disputando a cabeça de chapa e apenas um candidato a vice se autodeclara pardo nos registros da Justiça Eleitoral. O restante é formado por políticos que se identificam como brancos ou que, por estrearem em eleições presidenciais, ainda não possuem declaração oficial de cor ou raça registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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O contraste se torna ainda mais evidente quando comparado ao perfil da população. Dados do Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que os pardos passaram a representar 45,3% dos brasileiros, tornando-se o maior grupo racial do país pela primeira vez. Os brancos correspondem a 43,5% da população, enquanto os pretos somam 10,2%. Na prática, pardos e pretos representam mais da metade dos habitantes do país.

Apesar disso, a representação nas chapas consideradas mais competitivas segue distante dessa realidade.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca um quarto mandato, manteve Geraldo Alckmin (PSB) como vice, repetindo a composição vitoriosa de 2022. Nos registros do TSE, os dois se declaram brancos.

Principal adversário de Lula nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) oficializou a candidatura ao lado do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). Ambos também se identificam como brancos em seus registros públicos.

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) disputará novamente a Presidência tendo como vice o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Caiado se autodeclara branco nas informações prestadas à Justiça Eleitoral. Kassab ainda não possui registro eleitoral referente à disputa presidencial deste ano que indique uma autodeclaração racial.

Já o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que também se identifica oficialmente como branco, compôs chapa com Eduardo Girão, autodeclarado pardo perante o TSE. Entre as candidaturas mais bem posicionadas, é a única chapa que apresenta um integrante autodeclarado pardo.

O ativista Renan Santos, do Missão, estreia em uma disputa presidencial e ainda não possui registro eleitoral que contenha autodeclaração de raça ou cor. O mesmo ocorre com seu candidato a vice, o militar da reserva Aroldo Medina. Ambos, contudo, são identificados publicamente como brancos.

O cenário muda quando se observam os candidatos que aparecem com menos de 1% das intenções de voto nas pesquisas. Nessa faixa da disputa estão as chapas que apresentam maior diversidade racial e de gênero.

O PSTU lançou Hertz Dias, professor da rede pública, rapper e ativista do movimento negro. Ele terá como vice Vanessa Portugal, professora e militante dos movimentos de mulheres e dos trabalhadores.

A Unidade Popular (UP), por sua vez, é o único partido a apresentar uma chapa totalmente feminina. A candidata à Presidência é Samara Martins, dentista do Sistema Único de Saúde (SUS), acompanhada da guarda portuária Raquel Brício postulante a vice. Ambas são negras.

Outras candidaturas, como as de Leonardo Avalanche (PRTB), Edmilson Dias (PCB), Augusto Cury (Avante) e Wilson Grassi (Democrata), mantêm perfis semelhantes aos observados nas chapas mais competitivas ou ainda não possuem registros públicos suficientes para confirmar a autodeclaração racial.

Embora ampliem a presença de mulheres e pessoas negras na disputa, esses partidos ocupam hoje um espaço reduzido no cenário eleitoral e registram desempenho inferior nas pesquisas de intenção de voto.

Estados

A baixa diversidade também se repete nas principais corridas pelos governos estaduais. Entre os candidatos que lideram ou ocupam as primeiras posições nas pesquisas de intenção de voto em cinco dos maiores colégios eleitorais do país, predominam homens autodeclarados brancos, enquanto mulheres, pessoas pretas, pardas e indígenas seguem sub-representadas.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, a pesquisa mais recente aponta o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na liderança, seguido pelo ex-ministro Fernando Haddad (PT). No TSE, ambos se declaram brancos. A única candidata autodeclarada preta entre os principais nomes é Vera Lúcia (PSTU), que aparece em posição distante dos líderes.

O mesmo cenário é observado em Minas Gerais. De acordo com levantamento do Real Time Big Data, divulgado em 30 de julho, os três primeiros colocados — Cleitinho Azevedo (Republicanos), Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT) — são identificados como brancos.

No Rio de Janeiro, levantamento do Paraná Pesquisas de 31 de julho mostra Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL) e Anthony Garotinho (Republicanos) nas primeiras colocações. Os três são identificados como brancos.

A Bahia apresenta um cenário mais diverso. Segundo a Paraná Pesquisas, de segunda-feira, o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), que atualmente se autodeclara branco no TSE — embora tenha se declarado pardo nas eleições de 2022 — aparece entre os líderes. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) se autodeclara indígena, enquanto Ronaldo Mansur é registrado como pardo na Justiça Eleitoral. É o único dos estados analisados em que os três principais candidatos pertencem a diferentes grupos raciais.

No Paraná, pesquisa Quaest de 27 de julho mostra Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT) e Rafael Greca (MDB) nas primeiras posições. Os três se autodeclaram brancos perante o TSE. 

 

 

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postado em 07/08/2026 03:55
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