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Presidenciáveis colocam segurança e economia entre os principais temas

Candidatos apresentam suas ideias para o comando do país e enfatizam as pautas prioritárias, como redução dos gastos públicos, diminuição do endividamento das famílias, defesa da soberania e combate às organizações criminosas

Flávio Bolsonaro defende redução de impostos e privatizações, enquanto plano de Lula ressalta aumento das tensões geopolíticas -  (crédito: Edesio Ferreira/EM/D.A Press e Miguel Schincariol/AFP)
Flávio Bolsonaro defende redução de impostos e privatizações, enquanto plano de Lula ressalta aumento das tensões geopolíticas - (crédito: Edesio Ferreira/EM/D.A Press e Miguel Schincariol/AFP)

Alinhados à principal preocupação do eleitorado, os pré-candidatos à Presidência da República têm concentrado seus discursos e planos de governo na segurança pública. Levantamento da pesquisa Nexus/BTG, de 26 de julho, reforça a relevância do tema: segurança e violência lideram as apreensões dos brasileiros, com 30% das menções, superando áreas como saúde (25%) e corrupção (22%).

As propostas dos presidenciáveis vão de criação de um Ministério da Segurança Pública à construção de superpresídios, passando pela designação de organizações criminosas como terroristas.

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Outro ponto de destaque na corrida eleitoral é a economia. Há propostas de "tesouraço" nas despesas públicas e redução de impostos, privatizações, revisão de subsídios e benefícios tributários. O endividamento das famílias também está na mira. Conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), o indicador atingiu o patamar recorde de 82% em julho de 2026.

A soberania nacional ganha espaço nos programas, após as ofensivas do governo do Estados Unidos contra produtos do Brasil — com sequências de tarifaços — e a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras, o que, no limite, pode implicar intervenção armada no país.

Líder das intenções de voto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfatiza a soberania em seu discurso. Ele relaciona política externa com defesa. O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, e segundo colocado nas pesquisas, sustenta ser o único capaz de negociar tanto com os Estados Unidos como com outras potências. A seguir, propostas dos principais postulantes ao cargo.

Soberania e combate a facções

O programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um eventual quarto mandato coloca a soberania nacional e a segurança pública entre os eixos estratégicos da atuação do Estado. O documento defende maior autonomia do Brasil diante de outras potências, reforço da estrutura de defesa e ampliação da capacidade do governo federal de coordenar políticas de combate à criminalidade.

Na soberania, o texto parte de um diagnóstico de aumento das tensões geopolíticas e de enfraquecimento das regras de convivência internacional. Nesse cenário, defende que o Brasil deve "reafirmar sua soberania e preservar sua capacidade de fazer escolhas políticas e econômicas de forma independente", sem subordinação estratégica a outros países.

O plano estabelece uma relação direta entre política externa e defesa. Segundo o texto, "não há projeção internacional soberana sem capacidade de defesa". A proposta é combinar capacidade diplomática e poder de dissuasão, com investimentos na Base Industrial e Tecnológica de Defesa.

A indústria de defesa aparece no programa não apenas como instrumento militar, mas também como vetor de desenvolvimento econômico. O texto destaca o domínio de tecnologias sensíveis, a geração de empregos qualificados e a possibilidade de ampliar exportações de maior valor agregado.

Outra frente apontada é a defesa cibernética. O governo pretende proteger infraestruturas críticas e bases de dados públicos, além de desenvolver tecnologias próprias para reduzir a dependência externa em áreas consideradas estratégicas.

No capítulo dedicado à segurança pública, o plano adota uma abordagem que combina repressão ao crime organizado, prevenção da violência e ampliação da presença do Estado nos territórios.

A segurança pública é classificada como prioridade nacional e, segundo o programa, deve ser baseada em coordenação federativa, integração de dados, inteligência, prevenção e repressão qualificada. A intenção é ampliar a cooperação entre União, estados e municípios e dar ao governo federal maior capacidade de coordenação.

O programa prevê ações contra facções, milícias e redes de financiamento do crime, além do enfrentamento ao tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos. A estratégia inclui a asfixia financeira das organizações criminosas, com integração entre órgãos de investigação e fiscalização.

Também prevê o fortalecimento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) e do sistema de inteligência de segurança pública e Justiça criminal.

"Tesouraço nos gastos públicos"

O plano de governo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresenta uma agenda que combina redução do tamanho do Estado, corte de impostos, endurecimento das políticas de segurança pública e mudanças em áreas como educação, saúde e funcionamento dos Poderes.

O documento tem na reorganização das contas públicas uma de suas principais promessas. Flávio fala em reduzir ministérios, rever despesas, diminuir a burocracia e criar uma nova regra fiscal. A proposta econômica é apresentada como o caminho para tirar o país do endividamento.

O candidato promete um "tesouraço" nas despesas públicas e redução de impostos. Também defende privatizações e concessões e pretende aproximar o setor privado de áreas como infraestrutura, pesquisa e tecnologia. Outra promessa é o programa "Minha Primeira Empresa", voltado para quem deseja empreender.

A segurança pública ocupa um espaço central no projeto. Flávio defende que PCC, Comando Vermelho e milícias sejam classificados como organizações terroristas, além da criação de cinco presídios federais de segurança máxima e da ampliação das vagas no sistema penitenciário. O plano também prevê redução da maioridade penal para 16 anos e punição mais severa para determinados crimes. Para as violências sexuais, defendeu penas mais duras e mencionou a castração química de estupradores.

Para as mulheres, uma das propostas é uma assistente virtual de inteligência artificial chamada MarIA, uma plataforma integrada ao Gov.br para concentrar serviços destinados ao público feminino, ampliação de espaços de acolhimento e aluguel social para vítimas de violência.

O pacote também prevê vouchers que poderiam ser utilizados para creches, qualificação profissional e outras necessidades relacionadas à autonomia financeira. Flávio ainda propôs ampliar o acesso à internet, facilitar crédito e empreendedorismo e criar o programa "Saúde para Elas", com maior acesso a exames preventivos e integração dos prontuários.

O plano destaca mudanças na relação entre os Poderes. Flávio defende limitar decisões individuais de ministros do Supremo Tribunal Federal, restringir determinadas formas de acesso à Corte, acabar com o foro privilegiado e extinguir a possibilidade de reeleição para presidente da República.

Na política externa, Flávio tenta apresentar uma imagem de candidato capaz de reconstruir relações comerciais. Ele afirma ser o único nome na disputa com capacidade para negociar com Estados Unidos, China, Israel, Índia, Argentina e países do Oriente Médio.

Presídios e anistia

 18/08/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF - Encontro com presidenciáveis promovido pelo UNECS - ( União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços).  Participa da sabatina o Candidato a presidene Ronaldo Caiado
Caiado pretende construir 40 presídios de segurança máxima (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O plano de governo de Ronaldo Caiado (PSD) para a Presidência tem na segurança pública o principal cartão de visitas. O candidato propõe criar o Ministério da Segurança Pública e uma legislação específica para enquadrar facções e milícias como organizações de "terrorismo doméstico".

A ofensiva contra as facções prevê ainda uma mudança no sistema penitenciário. Caiado quer construir 40 unidades de segurança máxima e criar uma rede nacional para concentrar lideranças criminosas, separando presos de acordo com o papel desempenhado dentro das organizações. A estimativa apresentada pelo candidato é de cerca de R$ 3 bilhões para a construção das unidades.

Na economia, a proposta é de ajuste sem aumento sucessivo da carga tributária. Caiado defende um "Orçamento da Verdade", revisão de subsídios e benefícios tributários, contenção do crescimento das despesas obrigatórias e combate aos supersalários.

Além das propostas, há uma agenda política que acompanha a construção da candidatura: Caiado anunciou que seu primeiro ato na função será conceder uma anistia "ampla, geral e irrestrita" aos golpistas do 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Máquina mais enxuta

Zema no primeiro dia de campanha
Zema: privatizações e redução no número de ministérios (foto: Assessoria do Zema )

O plano de governo de Romeu Zema (Novo) prevê o enquadramento de facções como organizações terroristas. O ex-governador de Minas também propõe a construção de superpresídios de segurança máxima em regiões remotas para isolar lideranças criminosas.

As propostas para a segurança pública incluem, ainda, o endurecimento do Código Penal — com aumento de penas e o fim da progressão de regime —, a redução da maioridade penal e a atuação integrada das Forças Armadas com as polícias estaduais e a Polícia Federal para retomar áreas dominadas por grupos organizados.

Além da reforma no Judiciário e na Previdência, o plano de Zema prevê mudanças na administração pública, enxugando a estrutura do governo federal, reduzindo o número de ministérios, cortando cargos comissionados e revisando autarquias e fundações. Ele ainda defende a privatização de todas as estatais.

O ex-governador propõe um regime alternativo à CLT. A proposta permite que empregador e empregado negociem diretamente o modelo de contratação, ajustando salários, jornadas e férias.

As apostas on-line também passarão pelo crivo do candidato. Ontem, ele declarou que seu primeiro ato, caso seja eleito, será "acabar com as bets".

Mudanças nas leis do trabalho

Renan Santos defendeu redução da maioridade penal
Renan Santos se posicionou contra o fim da escala 6x1 (foto: Material cedido ao Correio)

O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) defende mudanças profundas na legislação trabalhista. Ele propõe que a remuneração seja por hora trabalhada.

A proposta prevê flexibilidade para empregadores e trabalhadores e uma redução das contribuições previdenciárias. O Missão estabelece como prioridade inicial a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para a desindexação dos benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo — reajustando-os apenas pela inflação —, a desvinculação dos pisos da saúde e educação, a revisão do abono salarial e o corte de incentivos fiscais. Com a proposta, a legenda projeta uma economia de R$ 1,1 trilhão até 2031.

Renan ainda se posicionou contra o fim da escala 6x1. Na avaliação dele, a redução da jornada elevaria os custos para empresas de comércio e serviços em um cenário de juros elevados.

Ele também atacou a expansão das apostas esportivas, dos cassinos on-line e do que chamou de "cultura do tigrinho". Segundo o candidato, os jogos estariam associados à perda de produtividade e a problemas de saúde mental. Ele classificou as bets de "uma droga pior do que o crack" e criticou a divulgação desse tipo de atividade por influenciadores e personalidades públicas.

 

 


  • Plano de Lula ressalta o aumento das tensões geopolíticas
    Plano de Lula ressalta o aumento das tensões geopolíticas Foto: Miguel Schincariol/AFP
  • Caiado pretende construir 40 presídios de segurança máxima
    Caiado pretende construir 40 presídios de segurança máxima Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
  • Zema: privatizações e redução 
no número de ministérios
    Zema: privatizações e redução no número de ministérios Foto: Assessoria do Zema
  • Renan Santos se posicionou contra o fim da escala 6x1
    Renan Santos se posicionou contra o fim da escala 6x1 Foto: Material cedido ao Correio
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AH
postado em 19/08/2026 03:55
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