
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (19/8) que uma eventual eleição de senadores que defendem o impeachment de integrantes da Corte não asseguraria o avanço dos processos no Senado. Para o decano, há uma diferença significativa entre utilizar a pauta como plataforma eleitoral e conseguir reunir as condições políticas e institucionais necessárias para levar uma medida desse tipo adiante.
A declaração foi dada a jornalistas após um evento em Brasília. Gilmar avaliou que o impeachment de ministros do STF ganhou espaço no discurso de candidatos da oposição, mas minimizou os efeitos práticos que a pauta poderia produzir no Senado. Segundo ele, mesmo que parlamentares sejam eleitos com essa proposta, haverá obstáculos institucionais para transformar a promessa de campanha em uma iniciativa efetiva contra magistrados da Corte.
A estratégia é defendida por setores da direita que buscam ampliar sua presença no Senado nas eleições de 2026. Entre os candidatos que já associaram a pauta ao processo eleitoral estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), ambos candidatos ao Planalto. A expectativa desse grupo é conquistar uma bancada capaz de influenciar a escolha da presidência do Senado e dar andamento a pedidos de impeachment atualmente parados na Casa.
O tema atinge especialmente o ministro Alexandre de Moraes, relator de processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão em ação relacionada à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Nas eleições deste ano, 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa — duas por estado. O número coincide com o total de votos necessários para aprovar o impeachment de um ministro do Supremo.
Questionado sobre a possibilidade de mudança no cenário caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente da República, Gilmar evitou fazer projeções. “Não avalio. Não imagino e também não vou trabalhar sobre cenários neste momento”, afirmou. No mesmo dia, a campanha de Zema divulgou novo episódio da série “Os Intocáveis”, produção que satiriza ministros do STF e voltou a abordar a possibilidade de impeachment de integrantes da Corte.
Durante a coletiva, o ministro também defendeu a atuação de Moraes em uma investigação envolvendo a fonte de um jornalista do Maranhão. Gilmar afirmou que medidas de busca contra profissionais da imprensa podem ser determinadas quando houver indícios considerados fortes de prática criminosa. Sobre as eleições, disse não esperar uma ofensiva dos Estados Unidos contra o processo eleitoral brasileiro e afirmou que o país possui uma democracia sólida, além de defender a atuação da Justiça Eleitoral para preservar a confiança nas urnas eletrônicas.

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