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Presidenciáveis enfrentam denúncias e investigações na corrida eleitoral

Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Renan Santos chegam à corrida presidencial sob pressão de apurações que envolvem familiares, financiamento de campanha, relações com o Banco Master ou declarações contra povos indígenas

Lula tem de lidar com as suspeitas envolvendo o filho; Flávio é investigado no caso do filme sobre o pai; o escândalo do Master também respingou no governo de Zema; Renan é acusado de discriminação contra indígenas   -  (crédito: Ricardo Stuckert)
Lula tem de lidar com as suspeitas envolvendo o filho; Flávio é investigado no caso do filme sobre o pai; o escândalo do Master também respingou no governo de Zema; Renan é acusado de discriminação contra indígenas - (crédito: Ricardo Stuckert)

A corrida pela Presidência da República começa a ganhar contornos mais acirrados enquanto diferentes candidatos enfrentam questionamentos judiciais e investigações que podem repercutir no ambiente eleitoral. Entre os principais nomes colocados na disputa, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) são alvo, diretamente ou por meio de pessoas próximas, de episódios que envolvem suspeitas de tráfico de influência, relações com instituições financeiras, financiamento irregular de produção cinematográfica e ações movidas pelo Ministério Público Federal (MPF). Os casos ainda estão em diferentes estágios e, até o momento, não representam condenação dos envolvidos.

No campo governista, uma das principais frentes de desgaste envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou investigações sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo o empresário, que vive na Espanha. Os procedimentos tramitam sob sigilo e buscam esclarecer se ele teria atuado para intermediar interesses de terceiros junto a órgãos públicos, entre eles o Ministério da Saúde e a Dataprev, empresa estatal vinculada ao governo federal. As apurações também alcançam o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana, o Marcola. A defesa de Lulinha nega irregularidades e afirma que ele é vítima de interesses eleitorais.

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O presidente Lula declarou acreditar na inocência do filho, mas afirmou que as investigações devem seguir seu curso. Em entrevista nesta semana, o petista disse que não pretende interferir no processo e enfatizou que, caso seja comprovada alguma responsabilidade, Lulinha deverá responder pelos atos. A manifestação procura separar a atuação política do presidente das suspeitas que atingem o empresário.

Entre os nomes da oposição, Flávio Bolsonaro enfrenta questionamentos relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O longa, ainda inédito e estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, recebeu recursos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e atualmente preso no âmbito de investigações sobre irregularidades financeiras. O STF autorizou a apuração sobre a origem dos recursos destinados ao filme. Mensagens divulgadas pela imprensa mostram Flávio cobrando dinheiro de Vorcaro no fim de 2025. O candidato inicialmente negou ter relação com o empresário, mas posteriormente admitiu ter pedido recursos para a produção e afirmou que não havia proximidade pessoal entre os dois.

Flávio afirmou, ontem, durante agenda em São Paulo, que considera o episódio uma "página virada" e disse que a prestação de contas sobre o financiamento do filme já foi realizada. O candidato também voltou a atacar o governo e citou as investigações envolvendo Lulinha. A declaração ocorreu durante uma agenda no Mercado Municipal de São Miguel Paulista, na zona leste da capital, onde o candidato esteve acompanhado de aliados políticos e apoiadores.

Master em Minas

As repercussões envolvendo o Banco Master, porém, não se restringem a Flávio Bolsonaro. O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência Romeu Zema também passou a ser citado em uma notícia-crime apresentada à Polícia Federal pela deputada estadual Bella Gonçalves (PT). A parlamentar questiona medidas adotadas durante o governo mineiro que ampliaram a margem de crédito consignado para servidores públicos e pensionistas. Segundo a denúncia, a mudança teria favorecido a atuação do Banco Master no estado. A suspeita é reforçada, na avaliação da deputada, por uma doação de R$ 1 milhão feita por Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ao Partido Novo às vésperas da campanha de reeleição de Zema.

O governo de Minas Gerais nega que tenha havido favorecimento à instituição financeira. Em manifestação divulgada anteriormente, afirmou que a regulamentação ampliou a margem de consignação por meio do cartão de benefício consignado e tinha caráter genérico para o mercado de crédito. Segundo o governo, a medida não estava vinculada exclusivamente ao Banco Master e havia outras instituições habilitadas a oferecer a modalidade. A notícia-crime deverá ser analisada pelas autoridades competentes, que poderão decidir pela abertura de investigação formal. Até o momento, as acusações apresentadas pela parlamentar não equivalem a uma conclusão sobre eventual prática criminosa.

Indígenas

Outro candidato que chega ao período eleitoral sob pressão jurídica é Renan Santos, do Missão. O MPF apresentou uma ação contra o presidenciável e o Movimento Brasil Livre (MBL) por declarações feitas durante protestos envolvendo povos indígenas no Baixo Tapajós, no Pará. O órgão afirma que conteúdos publicados nas redes sociais continham manifestações discriminatórias contra comunidades indígenas da região. Segundo o MPF, os ataques teriam alcançado aproximadamente 22 mil indígenas de 14 etnias dos municípios de Santarém, Belterra e Aveiro.

Na ação, o Ministério Público pede indenização de R$ 500 mil, retirada das publicações, medidas para impedir novos conteúdos considerados ofensivos e uma retratação pública. Também solicita que Renan e o MBL divulguem, durante seis meses, conteúdos educativos sobre a história, a cultura e os direitos dos povos indígenas do Baixo Tapajós. O órgão sustenta que as declarações ultrapassaram a crítica a manifestações políticas e atingiram coletivamente a identidade dos povos da região. O processo ainda será analisado pela Justiça Federal.

Renan, por sua vez, rejeitou a possibilidade de retratação e classificou a ação como uma tentativa de "sabotagem política". O candidato afirmou que as declarações ocorreram no contexto de críticas a protestos realizados no terminal da Cargill, em Santarém, e voltou a questionar a atuação de organizações não governamentais ligadas às comunidades indígenas. Durante uma sabatina em Brasília, disse que pretende, caso eleito, apoiar investigações sobre ONGs e seus financiadores.

 

 

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postado em 21/08/2026 05:00
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