
Aos 42 anos, Renan Antônio Ferreira dos Santos deixou a militância digital para disputar a Presidência da República pelo Missão, partido que ele próprio fundou. Conhecido nacionalmente como um dos criadores do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan é hoje uma das apostas da chamada "terceira via" de direita nas eleições de 2026, um projeto que busca se diferenciar do bolsonarismo tradicional.
Nascido em São Paulo, no bairro da Mooca, em 14 de fevereiro de 1984, Renan ingressou na Faculdade de Direito da USP em 2003, onde se envolveu com política estudantil no Centro Acadêmico XI de Agosto. Renan não concluiu a graduação, deixou o curso para trabalhar com o pai em um grupo empresarial. Em seu próprio site, Renan Santos se descreve como escritor, presidente do Missão e guitarrista.
A entrada na cena política nacional aconteceu durante as manifestações de junho de 2013, durante o governo Dilma Rousseff (PT). No fim de 2014, Renan fundou o MBL, movimento que ganhou força nacional ao atuar em campanhas contra o governo petista. Renan chegou a ser vice-presidente do chamado "Comitê do Impeachment", responsável por mobilizar as manifestações nas ruas que culminaram no impeachment de Dilma em 2016.
Ao longo de mais de uma década, o candidato consolidou o MBL como uma das forças políticas digitais mais influentes do país, ajudando a projetar nomes como o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP). Em 2018, Renan chegou a apoiar a candidatura do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas rompeu formalmente com o governo pouco depois, por divergências em pautas econômicas e no combate à corrupção.
O partido Missão
Renan decidiu criar um partido próprio para abrigar o MBL. Reuniu assinaturas de apoiadores e, em novembro de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) oficializou o registro do Missão. Renan foi escolhido pelo partido para disputar a Presidência da República em convenção partidária online, ainda em 2025, e se tornou o primeiro pré-candidato oficialmente confirmado na corrida presidencial daquele ano. O candidato a vice é o jornalista e tenente-coronel da reserva Aroldo Medina, especializado em segurança pública e defesa civil. Até o momento, o Missão concorre em chapa pura, sem coligação com outros partidos.
O "Livro Amarelo"
O plano de governo de Renan Santos é o chamado Livro amarelo, um documento de mais de 400 páginas apresentado por Renan como algo além de um programa eleitoral, mas uma doutrina para orientar tanto a campanha quanto um eventual governo. O texto é dividido em três blocos: "Estado Novo", "Reformas de Base" e "País do Futuro".
O Livro amarelo inclui propostas como o ajuste fiscal imediato, anunciado como primeiro ato de governo do Missão. A ideia do partido é realizar o envio ao Congresso de uma "PEC do Equilíbrio Fiscal", com desindexação de gastos e busca de superávit. A proposta para segurança pública, mencionada no livro e principal bandeira de campanha de Renan, prevê o uso de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e Estado de Defesa para romper o controle territorial de facções criminosas, sustentado juridicamente na doutrina do "Direito Penal do Inimigo".
Programas sociais e de assistencialismo, como Bolsa Família e Auxílio Gás, são repetidamente criticados pelo candidato. De acordo com o plano de governo, os programas de assistencialismo devem ser substituidos por "frentes de trabalho remuneradas", com o objetivo de que nenhum estado termine um mandato com mais beneficiários do programa social do que trabalhadores com carteira assinada.
Outra proposta polêmica de Renan é o chamado “plano de desfavelização integral". A expectativa do candidato é que em dez anos um projeto de urbanização seja realizado para “acabar com as favelas do Brasil”. Além da ideia de “desfavelização”, Renan propõe o fim do sistema de cotas nas universidades.
Desempenho nas pesquisas
Renan estreou nas pesquisas com números entre 3% e 6% no início de 2026, mas também com uma das maiores taxas de rejeição entre os nomes testados: um levantamento AtlasIntel de janeiro mostrou que 46,5% dos eleitores disseram que não votariam nele "de jeito nenhum". A última pesquisa DataFolha, divulgada na última sexta-feira (21/8), apresenta Lula com 39% dos votos no primeiro turno das eleições, enquanto Flávio aparece com 33%, seguidos por Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, Renan Santos (Missão) com 4%, Romeu Zema (Novo), com 3%. Em seguida, Pablo Marçal (PRTB) e Augusto Cury (Avante) aparecem com 2% cada.
A candidatura de Renan Santos representa uma tentativa de transformar um movimento de ativismo digital em um projeto de poder nacional, o que acabou atraindo, especialmente, o eleitorado mais jovem. Seu discurso mistura liberalismo econômico e a pauta de costumes conservadora, posicionamento que é lido nas redes sociais como um espelho do modelo de Javier Milei, presidente argentino.
Qual o número de Renan Santos nas urnas?
Renan Santos é candidato à Presidencia da República pelo Missão. O número dele nas urnas é 14.
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