DARK HORSE

Advogado de Eduardo cria documento, mas produtora nega vínculo

Após negar relação de Paulo Calixto com o filme, produtora dá versões sobre arquivo enviado à piauí

Calixto não aparece formalmente como produtor, executivo ou integrante da Go Up. -  (crédito: RS/Fotos Públicas)
Calixto não aparece formalmente como produtor, executivo ou integrante da Go Up. - (crédito: RS/Fotos Públicas)

A Go Up, produtora do filme Dark Horse, não conseguiu explicar de forma objetiva por que um documento enviado pela empresa à revista piauí foi criado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro e responsável pela administração do fundo Havengate. A inconsistência ganhou novos contornos após a produtora negar que Calixto tenha qualquer participação na produção.

A informação sobre a presença do advogado nos metadados do arquivo já havia sido revelada pela piauí. Em novo desdobramento da apuração, a revista questionou a Go Up sobre a autoria do documento e recebeu respostas divergentes dos responsáveis pela empresa.

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Calixto não aparece formalmente como produtor, executivo ou integrante da Go Up. Também não é apresentado publicamente como integrante da equipe de Dark Horse. Ainda assim, os metadados do PDF encaminhado à piauí indicam que o arquivo foi criado por ele cerca de duas horas antes de ser enviado à revista.

O sócio da Go Up, Michael Davis, negou participação de Calixto na empresa ou no filme e afirmou à publicação que o escritório brasileiro da produtora deveria esclarecer a razão de o advogado aparecer como autor do documento.

Karina da Gama, também sócia da Go Up, apresentou outra versão para a revista. Inicialmente, disse que o conteúdo poderia ter sido colocado em um arquivo que já existia. Questionada novamente pela piauí, afirmou que o documento havia saído da Go Up com informações fornecidas por Calixto. Na sequência, porém, declarou não saber explicar por que o advogado constava nos metadados.

O ponto ganha importância porque Calixto é responsável pelo Havengate, fundo que recebeu milhões de dólares enviados pelo banqueiro Daniel Vorcaro e posteriormente destinados ao filme.

Rota do dinheiro é alvo de investigação

A Polícia Federal investiga justamente o caminho percorrido pelos recursos que financiaram Dark Horse. Diferentemente de uma transferência direta entre o investidor e a produtora, o dinheiro de Vorcaro passou por uma estrutura intermediária.

Segundo informações divulgadas pela piauí, os valores eram enviados por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa do doleiro Antonio Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. De lá, os recursos chegavam ao Havengate, antes de serem direcionados à produção.

A apuração tenta determinar se todo o dinheiro recebido pelo fundo foi efetivamente empregado no filme ou se parte dos recursos permaneceu no Havengate ou teve outra destinação.

O montante enviado por Vorcaro pode alcançar US$ 14 milhões, aproximadamente R$ 72 milhões. A primeira transferência identificada pela revista ocorreu em 13 de fevereiro de 2025, no valor de US$ 2 milhões.

A Go Up apresentou às autoridades um laudo de perícia investigativa defensiva para sustentar que os recursos utilizados na produção estão regularizados. De acordo com o documento, até 4 de junho de 2026, Dark Horse havia consumido US$ 13.393.081,29 — exatamente o mesmo valor que a produção teria recebido do Havengate.

O problema é que o documento não detalha a aplicação desse dinheiro. Não há, segundo a piauí, uma relação individualizada dos pagamentos feitos a atores, diretores, produtores ou empresas contratadas, nem a indicação dos serviços prestados e das respectivas datas.

Foi nesse contexto que Flávio Bolsonaro afirmou que a Go Up já havia apresentado a prestação de contas e que o assunto estaria encerrado. Em maio, após a divulgação de informações sobre sua relação com Vorcaro, ele havia prometido apresentar em até 30 dias documentos sobre os investimentos feitos em Dark Horse. A documentação, porém, não foi apresentada publicamente dentro do prazo anunciado.

Eduardo aparece em diferentes funções

Outro ponto investigado é a participação de Eduardo Bolsonaro no projeto. Documentos americanos relacionados ao filme o identificam, em momentos distintos, como “produtor executivo” e “financiador”.

Eduardo passou a morar nos Estados Unidos em fevereiro de 2025, justamente no mês em que começaram os repasses de Vorcaro para o Havengate. Não há, até o momento, evidência de que os recursos enviados pelo banqueiro tenham sido usados para bancar a permanência do deputado no país.

Após a divulgação de um áudio de Flávio Bolsonaro pelo Intercept, em maio, Eduardo afirmou à CBN que sua participação financeira no filme havia sido limitada. Segundo ele, chegou a colocar US$ 50 mil do próprio bolso para viabilizar a contratação do diretor, mas recebeu o valor de volta posteriormente.

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postado em 02/09/2026 13:25
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