
O ex-marqueteiro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Marcello de Oliveira Lopes, transferiu R$ 1 milhão para a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A operação consta de um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentações consideradas atípicas nas contas da empresa e foi incorporada à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma ação da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (10/9).
A transferência foi identificada entre as movimentações realizadas pela produtora entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Nesse intervalo, a Go Up movimentou R$ 19,03 milhões, sendo R$ 8,95 milhões em créditos e R$ 10,07 milhões em débitos. O documento relaciona os principais remetentes de recursos para a empresa e aponta que Marcello Lopes foi responsável pelo envio de R$ 1 milhão.
O publicitário aparece no relatório ao lado de outros responsáveis por transferências para a produtora. A Moneycorp Banco de Câmbio S.A. aparece como principal remetente, com R$ 3,92 milhões, seguida pela GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Eireli, com R$ 2,61 milhões. Também são citadas a NTT Brasil Ltda., que enviou R$ 750 mil, e transferências realizadas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), que totalizaram R$ 645,4 mil.
Apesar de a movimentação constar entre as operações analisadas, o relatório da PF não informa a origem específica do R$ 1 milhão enviado por Marcello nem detalha, naquele trecho, a finalidade do pagamento. O documento também não atribui ao publicitário qualquer irregularidade relacionada à transferência. Marcello é citado uma única vez no relatório, justamente na relação dos principais remetentes de recursos para a Go Up.
A transferência ocorreu meses antes da saída de Marcello da campanha de Flávio Bolsonaro. O publicitário deixou a equipe em 20 de maio, em meio à repercussão de áudios nos quais o senador aparece pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar Dark Horse. O nome de Flávio, contudo, não é mencionado no trecho do relatório da PF que relaciona os principais remetentes de recursos à produtora.
Em nota, Marcello afirmou que o R$ 1 milhão foi destinado exclusivamente ao projeto cinematográfico e que ele participou da produção na condição de investidor. Segundo o publicitário, os recursos eram próprios e a operação foi realizada diretamente de sua conta bancária, de maneira regular e formalizada. “Trata-se de uma operação de natureza estritamente empresarial e vinculada ao projeto cinematográfico”, afirmou.
A PF cumpre nesta quinta-feira 49 mandados de busca e apreensão no âmbito da investigação sobre o financiamento de Dark Horse. Entre os alvos estão a produtora Karina Ferreira da Gama e o deputado federal e ex-secretário especial da Cultura Mário Frias. Marcello Lopes não está entre os investigados pela operação.

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Mariana Morais
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