
Documentos que tiveram o sigilo levantado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (10/9), incluem uma nota encontrada no celular de Daniel Vorcaro, na qual o empresário relata pressões sobre o Banco Central e pede a um interlocutor que interceda junto às cúpulas da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF).
A anotação foi registrada no aplicativo “Notas” do celular de Vorcaro em 30 de outubro de 2025. Segundo análise da Polícia Federal, o empresário escreveu o texto enquanto se preparava para viajar a Abu Dhabi, onde pretendia se encontrar com o interlocutor mencionado no registro.
Na nota, Vorcaro afirma ter recebido informações confidenciais de integrantes do Banco Central de que “G” — provavelmente uma referência ao presidente da instituição, Gabriel Galípolo, segundo avaliação da PF — e os demais diretores estariam novamente sob pressão para adotar alguma medida contra ele.
O empresário atribui a pressão à PF e ao MPF. A grafia e a pontuação da anotação original foram preservadas.
“O problema agora é que tive informações informais e em confidencia de turma do banco central, que G e os diretores estao na pressao maxima de novo pra uma medida, pois o bacen esta sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farao algo contra mim”, escreveu.
Na sequência, Vorcaro pede ao interlocutor que converse com “Andrei” e “Paulo” para evitar ações de integrantes das duas instituições. Na análise, a Polícia Federal identifica “Andrei” como provável referência a Andrei Rodrigues, então diretor-geral da PF, enquanto “Paulo” seria, provavelmente, Paulo Gonet, procurador-geral da República.
“É importante reforçar com Andrei e Paulo pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco”, diz o registro.

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