
Na esteira da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, voltou a vincular o ministro Alexandre de Moraes ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em agenda de campanha na cidade cearense de Juazeiro do Norte, Flávio disse que "quem está votando em Lula está votando em Alexandre de Moraes". O senador voltou a prometer que, caso seja eleito, indicará cinco ministros para o STF e enfatizou a possibilidade de renovação na Corte.
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"Ninguém aguenta mais o Lula, ninguém aguenta mais quatro anos do atual governo, ninguém aguenta mais os ministros do Lula no Supremo, melando o Brasil, atrapalhando a nossa democracia", discursou.
Flávio também voltou a comentar a sessão de terça-feira no STF, que deveria decidir a abertura ou não de investigação contra Moraes por suposto envolvimento com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O julgamento, marcado por bate-boca e acusações, acabou adiado sem uma decisão a respeito do caso. "O que nós vimos, no meu ponto de vista, é a esperança do povo brasileiro que ainda está viva, porque, sem os ministros do Lula no Supremo, a democracia vive, o Brasil vive, o Judiciário vive", disse.
Em outro momento da agenda, ele afirmou: "O próximo presidente da República, que vai ser o Flávio Bolsonaro, indicando mais cinco ministros do Supremo, nós não veremos mais esse triste espetáculo de tentativa de proteger Alexandre de Moraes". A promessa de fazer cinco indicações já havia sido apresentada pelo candidato em ato realizado na Avenida Paulista, em 7 de Setembro.
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O coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), reforçou a associação entre Lula e Moraes. "O fato de Alexandre Moraes hoje ter uma relação estreita com Lula é claro para toda a sociedade brasileira", frisou. "São duas faces da mesma moeda. Vocês assistiram, nos últimos três anos e meio, em diversas oportunidades diferentes, à forma como Alexandre foi recebido no Palácio do Planalto, ovacionado pela militância, incensado por Lula, com varias declarações de Lula colocando-o como defensor da democracia, como alguém que salvou o Brasil." Marinho também afirmou que a crise envolvendo o ministro teria reflexos sobre a campanha do presidente.
A sessão do STF também provocou manifestações de outros candidatos à Presidência. Augusto Cury, do Avante, classificou o episódio como um "teatro" e criticou o pedido de vista feito por Flávio Dino, que suspendeu o julgamento. O candidato relacionou o adiamento à disputa eleitoral entre Lula e Flávio e afirmou que o eleitor deveria ter acesso às informações antes do primeiro turno.
"Pode ser que vão deixar debaixo do tapete o problema para depois das eleições", criticou. "E os dois grupos dos meus adversários que estão na frente simplesmente não querem uma solução com um julgamento justo, isento, sério até o dia 4 de outubro", ressaltou.
Renan Santos, do Missão, também criticou a interrupção da sessão e classificou o episódio como uma "pizza horrorosa". Em transmissão com o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), afirmou que a Corte estaria "destruindo" o país. Em Londrina, Renan defendeu que ministros do STF envolvidos no caso Master deveriam ser "afastados e presos".
Ronaldo Caiado (PSD), por sua vez, chamou a sessão de "espetáculo de horror" e disse que o episódio equivaleria a "um dos golpes mais severos" à democracia.
Já Romeu Zema (Novo) retomou as críticas ao Supremo nas redes sociais e disparou: "Intocável protege intocável".
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Danandra Rocha
Repórter de políticaCom experiência em assessoria de comunicação, televisão e rádio. Atua na cobertura do Congresso Nacional, acompanhando os bastidores do poder, as negociações políticas e os principais temas da agenda legislativa brasileira.
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