
Em um discurso repleto de críticas aos adversários, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o senador Flávio Bolsonaro, candidato ao Planalto, mandou o irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, para os Estados Unidos para “tramar contra o Brasil”. O chefe do Executivo também criticou o ex-governador do DF Ibaneis Rocha e disse que o governo federal não dará dinheiro para o Banco de Brasília (BRB).
As declarações ocorrem em ato de campanha na Praça do Trabalhador, em Ceilândia, na noite dessa quarta-feira. O evento teve a presença de candidatos do DF, como a senadora Leila Barros (PDT), a deputada federal e candidata ao Senado Erika Kokay (PT), o postulante ao Governo do DF Leandro Grass (PT) e a vice dele na chapa, Dora Gomes (PV). De acordo com o Planalto, o ato reuniu cerca de 15 mil pessoas.
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Ao falar do clã Bolsonaro, Lula disparou: “Está lá, o Eduardo Bolsonaro, o traidor da pátria, falando mal do Brasil, pedindo para que Trump venha fazer intervenção nesse país”, discursou. “Este país não comporta política vira-lata. Este país não comporta político que, de dia, mostra a bandeira nacional, e, de noite, vai ficar de quatro para os Estados unidos, para a bandeira americana.”
Ao citar a defesa da soberania, Lula disse que vai aos Estados Unidos, no domingo, “dizer a Trump que não se meta nas eleições no Brasil”. Ele viaja ao país para participar da Assembleia-Geral das Nações Unidas. “Domingo, pego avião e vou para a reunião da ONU bater papo com Trump e dizer para o Trump que não se meta nas eleições no Brasil. O Brasil só tem um dono, e o dono do Brasil se chama povo brasileiro”, frisou.
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No ato, o presidente disse que a culpa pelo rombo deixado no BRB pelo esquema do Banco Master é do ex-governador Ibaneis Rocha. O chefe do Executivo acusou a governadora Celina Leão de tentar imputar à gestão federal os prejuízos financeiros ao banco distrital.
"A governadora, de forma cínica e mentirosa, tenta jogar a responsabilidade no governo federal, mas quem quebrou o BRB foi a ligação entre o Ibaneis (Rocha) e o (Daniel) Vorcaro do Banco Master, quando o BRB comprou títulos que não existiam por R$ 12 bilhões”, destacou.
Ele afirmou que tem recebido recados de que, caso o governo não atue pelo empréstimo ao BRB, programas sociais poderiam ser prejudicados. “Nós não vamos deixar o povo sem dinheiro. Mas não vamos dar dinheiro para o BRB. Na verdade, a governadora deveria estar preocupada com a prisão do Ibaneis. Ele, quando foi denunciado, retirou a candidatura e está escondido onde? Gastando o dinheiro que foi roubado”, acusou. “Deem uma chance a Brasília. Brasília é uma cidade bonita, uma cidade nova, precisa ser bem administrada. Vamos dar uma chance para esse jovem (Leandro Grass). Eu vou me dedicar para eleger o governador de Brasília”, completou.
Em post feito nas redes sociais, Celina rebateu Lula: “Lamento a declaração de um presidente da República que quer quebrar o BRB. Eu pensei que ele fosse presidente do Brasil. Pensei também que os brasilienses fossem brasileiros. Pensei que o DF fizesse parte da República Federativa do Brasil, mas para ele, não. Age como presidente de um partido. Lamento que haja assim. Ele ajuda, pela segunda vez, os Correios, mas se recusa a dar um aval para um empréstimo ao GDF”, publicou.
Moraes
Mais cedo, Lula afirmou que a crise envolvendo o Judiciário é negativa para o Brasil e disse que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, teria estabelecido relações com diferentes setores do poder. Ele defendeu que eventuais irregularidades sejam investigadas, e citou o ministro Alexandre de Moraes, suspeito de envolvimento com o empresário.
“Todo mundo que cometeu erro em qualquer área tem que ser julgado. O que defendo é um julgamento justo, com o direito de defesa. Mas a pessoa que cometer delito tem que pagar o preço. Isso vale pra mim, para o Alexandre de Moraes, para o Fachin (presidente do STF)”, ressaltou, em entrevista ao podcast Desce a Letra Show.
Lula também lembrou que não indicou Moraes ao STF, apesar de o rival Flávio Bolsonaro insistir em fazer associação entre os dois. “Eu não era presidente quando Alexandre de Moraes foi indicado para ministro da Suprema Corte. Ele (Flávio) era senador, ele deve ter votado no Alexandre de Moraes. Eu não era presidente quando indicaram Kassio, ele deve ter votado. Eu não era presidente quando ele indicaram o André Mendonça, portanto ele é o culpado, e não eu”, disse.
Moraes foi indicado ao STF em 2017 pelo então presidente Michel Temer. À época, Flávio Bolsonaro era deputado estadual no Rio de Janeiro. Ele assumiu o mandato de senador em 2019. Já Kassio Nunes Marques foi indicado em 2020, durante o governo Jair Bolsonaro, e André Mendonça chegou ao Supremo em 2021, também por indicação do então presidente.
O chefe do Executivo, no entanto, fez uma defesa da atuação de Moraes no comando dos processos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro e à tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022. Lula afirmou que o magistrado fez um “trabalho extraordinário para garantir a democracia, prendendo Bolsonaro e os golpistas”.
Na avaliação de Lula, essa é a verdadeira motivação dos ataques de Flávio e do grupo político do senador contra o ministro do STF. “A obsessão deles é pegar o Alexandre de Moraes. Mas eles não querem brigar com o Alexandre pelo Banco Master. Não é por isso que eles têm raiva. Ele (Flávio) tem rabo preso ao Banco Master mais do que qualquer outra pessoa. A raiva dele do Alexandre é porque o Moraes mandou prender o cara que mandou matar a Marielle, ele tem raiva porque o Moraes mandou prender o pai dele e os golpistas do 8 de Janeiro”, enfatizou.
Flávio é suspeito de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no caso de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente, financiado pelo dono do Master. O senador é investigado pela Polícia Federal desde julho. A informação veio a público com a queda do sigilo de parte das investigações relacionadas às fraudes do banco.
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Renato Souza
RepórterRepórter de política, setorista do Supremo Tribunal Federal (STF). Vencedor do Prêmio CNT de Jornalismo, possuí passagens pelo SBT, Record/R7 e está entre os jornalistas mais influentes do Twitter no Brasil.
Iago Mac Cord
Jornalista Política e BrasilFormado pela Universidade Ceub, estagiou por um ano no Correio e agora é um dos responsáveis por acompanhar o Judiciário e a segurança pública nacional. Com interesse em Jornalismo Humanitário, tem a ambição de cobrir crises sociais e ambientais.
Danandra Rocha
Repórter de políticaCom experiência em assessoria de comunicação, televisão e rádio. Atua na cobertura do Congresso Nacional, acompanhando os bastidores do poder, as negociações políticas e os principais temas da agenda legislativa brasileira.
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