
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), criticaram a ausência do Brasil no Escudo das Américas durante uma transmissão ao vivo nesta quarta-feira (23/9). Os três abordaram a iniciativa internacional de combate ao crime organizado e ao narcotráfico e fizeram críticas à política de segurança pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Tarcísio questionou a decisão brasileira de não participar da aliança e afirmou que a cooperação entre os países poderia contribuir para o enfrentamento das organizações criminosas. “Todo mundo empenhado em combater o crime organizado, combater o narcotráfico e aí, surpreendentemente, né, o Brasil está fora. Como é que a gente está fora? Como é que a gente não se habilita nessa grande cooperação internacional para combater o crime organizado? Não dá para entender”, comentou.
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Flávio, por sua vez, contestou o argumento de defesa da soberania nacional utilizado pelo governo federal. Segundo o senador, a iniciativa prevê colaboração entre os países, com compartilhamento de informações e inteligência, investimentos em recursos humanos e monitoramento financeiro, e não uma intervenção militar estrangeira.
Ele também criticou cortes orçamentários nas Forças Armadas, afirmando que a redução de R$ 4,2 bilhões prejudica a proteção das fronteiras. “Como é que alguém quer proteger a soberania nacional, se está tirando dinheiro das Forças Armadas que fazem o patrulhamento das fronteiras?”, questionou.
Ricardo Nunes associou o debate internacional às propostas de segurança pública defendidas por Flávio e Tarcísio. O prefeito afirmou que o senador defende classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações narcoterroristas, ampliar penas e reduzir a maioridade penal. Também mencionou o uso de tecnologia e inteligência artificial no combate à criminalidade, medidas que, segundo ele, vêm sendo adotadas em São Paulo. Ao comparar essas propostas com declarações de Lula sobre furtos de celulares, Nunes afirmou que o presidente dá um “mau exemplo”.
Tarcísio também defendeu que a soberania seja entendida a partir da capacidade do Estado de garantir segurança à população. “Não tem soberania se em determinados territórios a pessoa não pode andar com tranquilidade. Se o crime toma conta, se o crime diz quem vai comprar a internet, de onde vai comprar o gás, de onde vai comprar o serviço, isso não é soberania”, disse. O governador afirmou que pretende “resgatar” essa condição para os brasileiros.
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Durante a transmissão, Nunes ainda fez referência ao desempenho eleitoral de Tarcísio nos presídios paulistas. Segundo o prefeito, o governador teria registrado votação de 100% em uma unidade prisional e de 80% em outras, sem detalhar os locais ou apresentar dados que permitissem verificar os números. Na sequência, Flávio afirmou que, “neste ano, não haverá comemorações em presídios” como as que, segundo ele, ocorreram em 2022, após o anúncio da vitória de Lula. O senador também prometeu construir meio milhão de novas vagas no sistema penitenciário e criar cinco novos presídios federais, “É pra chorar mesmo!”, disse Flávio.
Escudo de Trump
As críticas ocorreram um dia depois de países integrantes do Escudo das Américas anunciarem uma ação conjunta contra 24 organizações classificadas pelo grupo como “narcoterroristas transnacionais”. Entre os alvos estão o PCC e o Comando Vermelho. O documento prevê, conforme as legislações nacionais e as obrigações internacionais de cada participante, medidas como congelamento de bens, restrições migratórias e de vistos, além da responsabilização criminal de pessoas que conscientemente prestarem apoio material ou logístico aos grupos. O Brasil não integra a aliança.
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