eleições 2026

Padroeira do Brasil vira tema da disputa eleitoral de 2026

Flávio nega iniciativa para retirar título de N.S. Aparecida. Alckmin posta vídeo com crítica e Mendonça manda tirar postagens nas redes

Depois de participar da cerimônia de formação de praças da PM-RJ, Flávio negou que pretenda ressuscitar PL que retira título de Nossa Senhora -  (crédito: Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro)
Depois de participar da cerimônia de formação de praças da PM-RJ, Flávio negou que pretenda ressuscitar PL que retira título de Nossa Senhora - (crédito: Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro)

A suposta retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) inseriu a religião e a liberdade de culto na corrida eleitoral. O candidato negou tal possibilidade e afirmou que tratava-se de mentira que circulava nas redes sociais. Já o vice-presidente Geraldo Alckmin, que disputa a reeleição como companheiro de chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, publicou vídeo afirmando que enquanto ele e o petista estiverem "governando este país, as tradições religiosas, tão sagradas para as famílias brasileiras, estarão protegidas e preservadas". O Tribunal Superior Eleitoral também entrou na polêmica. O ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, determinou a retirada do ar postagens que atribuíam ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a iniciativa. Uma delas era do apresentador, humorista e roteirista Antonio Tabet.

A informação foi divulgada pela jornalista Maria Cristina Fernandes, em um programa da Globo News, na noite de quinta-feira. Ela afirmou que estava em marcha um movimento na Igreja Católica em suposta reação a uma parcela da comunidade evangélica mobilizada para desengavetar o projeto de lei (PL) que retirava de N.S. Aparecida o título honorífico e devocional de Padroeira do Brasil. Horas depois, a própria emissora emitiu nota desmentindo e se desculpando pelo episódio.

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Evangélico, Flávio afirmou que sempre respeitou todas as religiões e usou a oportunidade para criticar o presidente Lula. "Respeito todas as religiões. Jamais vou falar para a Igreja Católica a forma que os padres têm ou não de conduzir a Igreja Católica. Não é papel do Estado se meter na Igreja, como Lula faz", disse, depois de participar da cerimônia do curso de formação de praças da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Ele também culpou a emissora de tevê pela fake news.

O PL que supostamente seria ressuscitado foi arquivado pela Mesa da Câmara dos Deputados em 2007. É de autoria de Victorio Galli, ex-deputado federal e ex-assessor de Bolsonaro.

Em reação, o vice Geraldo Alckmin publicou vídeo no X (antigo Twitter) afirmando que "as tradições religiosas estarão protegidas". Disse ter recebido mensagens de "católicos preocupados", em referência aos boatos que circulavam na internet desde quinta-feira atribuindo a iniciativa a Flávio.

"Enquanto o presidente Lula e eu estivermos governando este país, as tradições religiosas, tão sagradas para as famílias brasileiras, estarão protegidas e preservadas. Defendemos que o Brasil é um país que tem respeito por todas as religiões e capaz de conservar pacificamente as tradições católicas", salientou.

Liberdade de expressão

Em paralelo, o ministro Mendonça determinou que as plataformas Meta, X, TikTok e YouTube removessem imediatamente as publicações relacionadas à polêmica. Aproximadamente 1,6 mil postagens foram tiradas do ar.

Na decisão, Mendonça reconhece "como notoriamente inverídico o núcleo factual segundo o qual Flávio Nantes Bolsonaro ou sua família propôs, articulou, apoiou, está comprometido com ou pretende promover a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição ou do título de Padroeira do Brasil". Um dos afetados, o humorista Antonio Tabet, disse que a decisão de Mendonça fere a liberdade de expressão e frisou que em momento algum citou Flávio na postagem.

Na eleição de 2022, N.S. Aparecida também virou tema de debate eleitoral, com a disputa entre grupos políticos pela participação dos candidatos nas festividades de 12 de outubro. Na época, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criticou a "exploração da fé".

Debate intenso nas redes

A suposta retirada de N.S. Aparecida como Padroeira dominou, ontem, o debate digital. Segundo levantamento da Palver — empresa de inteligência e análise do ambiente digital —, atingiu o pico de 735 menções a cada 100 mil mensagens nas redes sociais na parte da tarde.

A Palver monitorou o tema, desde quinta-feira, nas redes sociais (Instagram, X, Facebook, TikTok e YouTube) e nas plataformas de mensageria (WhatsApp e Telegram). Na mensageria, o pico foi de 15 menções a cada 100 mil mensagens. "O tema possui relevância política por acionar diretamente a disputa pelo eleitorado católico, segmento estratégico na campanha presidencial de 2026, e por reativar a polarização entre campos religiosos num momento de alta sensibilidade eleitoral", avalia o instituto.

O levantamento identificou que 73% das mensagens eram críticas a Flávio, enquanto 23% eram menções de apoio ao presidenciável do PL. Na mensageria, a crítica alcançou 60% das menções ao candidato do PL, enquanto o apoio foi de 40%. O movimento, avalia a Palver, reflete a presença de grupos bolsonaristas ativos na disseminação do desmentido na mensageria.

De acordo com a Palver, a principal narrativa foi a de indignação entre católicos e pedidos de voto contra Flávio. Essa narrativa mobilizou cerca de 37% das mensagens classificadas. "A principal implicação política é o risco de erosão do apoio católico à candidatura de Flávio Bolsonaro às vésperas da eleição, mesmo após o desmentido do candidato e a retratação da Globo News (que veiculou a notícia)", aponta a Palver. "O ator político mais prejudicado é Flávio Bolsonaro, que, mesmo após desmentido e retratação da Globo News, enfrenta uma onda de desconfiança no campo católico. O PT e o campo governista foram os principais beneficiados pela narrativa, que reforçou o enquadramento de Flávio como ameaça aos católicos", acrescenta.

Segundo a Palver, "o boato já ultrapassou as bolhas partidárias e atingiu grupos religiosos de base, terreno onde a correção factual é mais lenta e o impacto emocional é mais duradouro. A velocidade de viralização (pico em menos de 24 horas) sugere que o tema foi amplificado de forma organizada, possivelmente com uso de redes de distribuição coordenada". (Com Agência Estado)

*Beatriz Vasconcelos é estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

 

 

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postado em 26/09/2026 05:00
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