ELEIÇÕES

Gleisi aciona MPE contra Deltan e aliados por violência política

Candidata ao Senado aponta referências sexualizadas e ataques à aparência em ações movidas contra adversários no Paraná; entenda o caso

A candidata ao Senado pelo Paraná, Gleisi Hoffmann (PT), acionou o Ministério Público Eleitoral (MPE) contra Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Jeffrey Chiquini (Novo). A ação, apresentada na quinta-feira (17/9), aponta violência política contra a mulher.

A petição reúne quatro episódios que ocorreram entre março e setembro deste ano. As acusações incluem referências sexualizadas, ataques à aparência e o uso de imagens geradas por inteligência artificial contra a candidata.

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Nas eleições de outubro, Deltan e Barros disputam as duas vagas do Paraná para o Senado na chapa majoritária do PL. Chiquini tenta um mandato na Câmara dos Deputados.

Os episódios citados na ação

O primeiro caso, de 23 de março, envolve Filipe Barros. Após Gleisi citá-lo em um discurso na Câmara sobre os atos de 8 de janeiro, o deputado publicou um vídeo no TikTok. Na gravação, Barros disse que a petista deveria “lavar a boca” e mencionou os apelidos de “amante” e “coxa” que ela teria recebido em registros da Odebrecht.

Em 22 de abril, Deltan Dallagnol publicou um vídeo no Instagram associando um suposto codinome atribuído a Gleisi em uma planilha da Odebrecht à música “Amante Não Tem Lar”, de Marília Mendonça. Ele afirmou que o apelido “narizinho” deveria ser “narigão”, em alusão ao personagem Pinóquio, e disse: “É, a amante não tem lar por aqui”.

O terceiro fato ocorreu em 22 de agosto. Barros publicou um vídeo criticando a identidade visual de campanha de Gleisi, que usa uma onça. "Quer dizer que a Gleisi tá dizendo que é uma onça? Ela tá mais para raposa no galinheiro", afirma. O candidato também a compara a uma cobra, bicho-preguiça e escorpião, com imagens geradas por inteligência artificial, além de fazer referência a Lula como "sapo barbudo".

O último episódio aconteceu em 9 de setembro. Um story no perfil de Jeffrey Chiquini mostra Deltan comemorando a decisão do TRE-PR sobre seu registro de candidatura. A imagem trazia a frase "Deltan elegível. CHUPA, PT!". Durante a gravação, uma pessoa grita "Chupa, Gleisi!", e Deltan olha para a câmera e repete: "Chupa!".

O que argumenta a defesa

Para os advogados de Gleisi, as manifestações configuram violência política de gênero, pois recorrem a referências sexualizadas e ataques à aparência para humilhar e desqualificar a candidata. A defesa sustenta que os conteúdos ultrapassam a crítica política, usando a condição de mulher de Gleisi para constrangê-la.

A defesa pede a abertura de investigação pela Polícia Federal e a preservação das publicações e dados das redes sociais. Solicita também perícias nos vídeos e, ao fim das diligências, o oferecimento de denúncia criminal pelo Ministério Público, caso os crimes apontados sejam configurados.

Os candidatos não se pronunciaram até a última atualização desta reportagem.

Com informações da Agência Estado

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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