
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou na noite desta quinta-feira (1º/10) que considera os debates eleitorais com vários candidatos “infrutíferos” e que o formato não permite uma discussão aprofundada sobre o país. A declaração foi dada durante entrevista ao Flow Podcast, ao explicar por que decidiu não participar do debate presidencial que seria promovido pela TV Globo nesta mesma noite.
“Eu, sinceramente, acho que esses debates são infrutíferos, não produzem nada, não dão sequência”, disse Lula. Para o petista, o número de participantes e o pouco tempo disponível para cada resposta transformam os encontros em uma sucessão de falas curtas, sem espaço para desenvolver os assuntos.
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“Quando você tem cinco ou seis candidatos, você fala um minuto e espera dez minutos, fala dois minutos e espera dez minutos. Não tem sequência. É como se o jogador desse um pique e voltasse para descansar”, comparou. Lula também criticou o que classificou como uma busca por “piada”, “pegadinha” e “lacração” durante os confrontos.
O presidente defendeu um modelo que levasse em consideração o desempenho dos candidatos na disputa. Segundo ele, seria desproporcional colocar no mesmo confronto um presidenciável com 49% das intenções de voto e outro com 1%. Lula afirmou que prefere debates entre adversários em condições semelhantes, como ocorre no segundo turno.
Ao relembrar outras campanhas presidenciais, Lula citou Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e afirmou que a Globo não realizou debates em 1994 e 1998 porque, segundo ele, a emissora apoiava a eleição do tucano. De fato, a Globo não promoveu os confrontos presidenciais nos dois pleitos. A emissora, porém, atribui as decisões às regras eleitorais da época, ao número de candidatos e, em 1998, também à recusa de FHC em participar.
Lula também voltou a 2006, quando disputava a reeleição e faltou ao último debate da Globo antes do primeiro turno. Na ocasião, a emissora manteve vazio o espaço reservado ao petista. “O que a Globo fez comigo? Colocou uma cadeira vazia”, recordou. Naquele ano, participaram Geraldo Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque. Lula compareceu ao debate da emissora no segundo turno, contra Alckmin, hoje seu vice-presidente.
A lembrança ganhou novo peso nesta quinta. Horas antes do encontro previsto para 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Globo não poderia exibir o púlpito vazio de Lula nem permitir que os demais candidatos simulassem perguntas ao presidente ausente. A decisão atendeu a um pedido da coligação do petista.
Durante a entrevista ao Flow, Lula também foi questionado sobre a possibilidade de um confronto direto com Flávio Bolsonaro (PL). O presidente disse considerar debates “saudáveis” quando feitos entre pessoas que, na avaliação dele, têm trajetória política e condições de discutir a Presidência.
“Uma coisa é disputar com Fernando Henrique Cardoso, disputar com o Zé Serra, disputar com o Maluf, que eu já disputei. Não tem nenhum problema, são gente da política”, afirmou. Em seguida, atacou Flávio: “Outra coisa é você imaginar disputar a Presidência da República com uma pessoa desqualificada, como o Flávio Bolsonaro”.
Lula ainda afirmou que o senador “não tem passado, não tem presente e não tem futuro” e questionou o que levaria um eleitor a votar no candidato do PL. As declarações ocorreram depois de o próprio Flávio anunciar que também não participaria do debate da Globo.
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