
Preso desde 17 de setembro durante a Operação Vectura Corrupta, Danilo Morgado (PL) recebeu 9.145 votos para deputado estadual em São Paulo nas eleições de domingo (4/10) e ficou como suplente na Assembleia Legislativa do estado (Alesp). O resultado corresponde a 0,04% dos votos válidos.
Morgado foi preso temporariamente por 30 dias em uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público e possíveis relações da facção com agentes políticos. Segundo a investigação, há suspeitas de vínculo entre Morgado e integrantes da organização criminosa e indícios de possível financiamento de sua campanha à Prefeitura de Praia Grande, em 2024.
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A prisão ocorreu em meio à campanha eleitoral deste ano. Morgado concorreu com o número 22077 e teve o registro de candidatura deferido. Antes de disputar uma vaga na Alesp, ele concorreu à Prefeitura de Praia Grande em 2020 e 2024 e a deputado federal em 2022.
O que diz a defesa?
A defesa tenta derrubar a prisão na Justiça. Morgado apresentou uma reclamação ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a medida, sob o argumento de que ela não atenderia aos requisitos estabelecidos pela própria Corte para prisões temporárias. O processo, de número 100208, foi distribuído ao ministro André Mendonça em 20 de setembro.
Em nota enviada ao Correio, os advogados João Paulo Silva Rocha e Marcelo Viela Fernandez afirmaram que a reclamação foi julgada improcedente em decisão monocrática e que vão recorrer para levar o caso ao colegiado. A defesa sustenta que a prisão temporária é irregular.
Os advogados também negam que os elementos reunidos até agora demonstrem ligação direta de Morgado com o crime organizado. Segundo a defesa, as referências ao PCC e ao tráfico de drogas presentes na investigação dizem respeito a outros investigados e não comprovam participação do candidato.
A defesa afirma ainda que, até o momento, não foi identificado elemento objetivo que comprove o recebimento de recursos ilícitos, vantagem financeira ou benefício relacionado à campanha de Morgado à Prefeitura de Praia Grande em 2024.
“Os elementos apresentados até o momento procuram atribuir a Danilo condutas supostamente praticadas por terceiros”, afirmaram os advogados. A defesa informou ainda que continuará recorrendo da prisão e pediu que a situação de Morgado seja analisada com respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.
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