ELEIÇÕES 2026

Ana Elisa: "O único lugar que a esquerda perdeu foi nas redes"

Deputada federal eleita diz estar sofrendo ameaças e credita à percepção da extrema-direita de que Lula pode "virar o jogo" a partir das plataformas digitais

Ana Elisa:
Ana Elisa: "Essa excessividade nas redes sociais pode nos salvar" - (crédito: Gabriel Paiva/PT)

A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) relatou ser alvo de ataques desde que começou a atuar na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela atribuiu as ameaças ao receio da extrema direita de que, com sua ajuda, o petista alcance vantagem sobre o adversário Flávio Bolsonaro (PL) e vença as eleições.

Ana Elisa passou a auxiliar a campanha de Lula por causa de sua força nas redes sociais. Com 21 anos, ela concorreu pela primeira vez em uma eleição e conseguiu ser a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados. No meio digital, passou de 1,9 milhão de seguidores para mais de 2,4 milhões durante a campanha.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Sobre os ataques, Ana Elisa relatou casos de machismo, racismo, ameaças de estupro e de outras violência, além da divulgação do seu endereço, do número de telefone e dos documentos pessoais.

"Estamos sofrendo um ataque coordenado desde que viemos ajudar a campanha do presidente Lula, e eu acredito que a extrema-direita não estaria fazendo isso se não percebessem que, de fato, a gente pode virar esse jogo", afirmou.

Segundo ela, o PT providenciou escolta para as suas próximas agendas públicas. "Eu acredito que o partido está comprometido em me proteger, em proteger a segurança e a democracia do país, sabendo o que nós podemos agregar para o presidente Lula neste segundo turno", enfatizou.

Essa não é a primeira vez que Ana Elisa sofre ataques. No mês passado, durante a campanha à Câmara, ela recebeu e-mail de um autor que se apresenta como "integrante de um grupo supremacista branco". A mensagem continha ameaças racistas de morte e estupro, citando dados pessoais da então candidata para evidenciar que poderia localizá-la. Também ameaçava a família dela.

Há menções ao Ku Klux Klan no e-mail. Ana Elisa fez Boletim de Ocorrência na 142ª Companhia da Polícia Militar, e o caso foi registrado como ameaça e injúria racial. Na época, a então candidata emitiu uma nota comentando o assunto e dizendo que não aceitaria que essas ameaças fossem tratadas "como parte normal da vida pública".

"A internet não é território de impunidade. (...) Ameaçar uma mulher negra para intimidá-la e tentar afastá-la de uma eleição não é opinião, é crime contra ela e contra o direito de quem quer votar nela. Não toleraremos", disse a nota da equipe jurídica.

Embora representem cerca de um terço das candidaturas destas eleições, as mulheres são vítimas de quase seis em cada 10 casos de violência registrados no primeiro turno. Os dados são da 4ª edição da pesquisa Violência Política e Eleitoral no Brasil, realizada pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global. Segundo o estudo, 58,8% dos casos de violência política contra candidaturas foram dirigidos para mulheres na primeira etapa do pleito.

Plataformas

A recém-eleita deputada defende que a campanha de Lula use as plataformas digitais para tentar vencer no segundo turno. "Eu acredito, sim, que essa excessividade nas redes sociais pode nos salvar", frisou. "O único lugar que a esquerda perdeu foi nas redes."

Na quarta-feira, o presidente iniciou a divulgação de vídeos em selfie, buscando se inserir mais no meio digital. Ana Elisa defendeu o estilo e disse que a campanha precisa explorar a facilidade do chefe do Executivo com a câmera. "Lula fala com a câmera desde 1989. Ele está saindo da câmera da televisão para a câmera do telefone. (...) Os vídeos são excelentes", avaliou.

Ela também afirmou que o mais importante é conquistar os votos da terceira via. "Todos estamos entendendo que, neste momento, o mais importante é virarmos os votos da terceira via. Explicarmos para as pessoas que votaram na terceira via o que significa ter Flávio Bolsonaro presidente da República", explicou.

Segundo a parlamentar eleita, o foco da estratégia são os eleitores de Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), que ficaram em terceiro e quarto lugares na disputa pela Presidência, respectivamente. Nessa quinta-feira, Cury anunciou apoio a Flávio, enquanto Renan se mantém neutro. A ideia é atrair, nas redes sociais, esse eleitor que ainda não decidiu entre Lula e Flávio, mostrando "quem é" o candidato do PL e que os votos de segundo turno são a última chance de o cidadão tirar o bolsonarismo do poder. "Fazer com que esses eleitores de terceira via, até mesmo os eleitores do (Ronaldo) Caiado, que estão buscando a direita antiga, compreendam o que significa ter Bolsonaro como presidente", justificou.

A estratégia é mostrar Flávio como alguém ligado à milícia e ao escândalo do Banco Master, além de afirmar que ele "está defendendo um policial que matou uma criança de cinco anos da favela".

Na avaliação de Ana Elisa, não é suficiente a campanha petista apostar em mostrar as propostas construídas para o país, tendo em vista o momento político atual de polarização. Ela acredita que o debate precisa ser de comparação pessoal. "Não tem como discutir proposta com uma pessoa dessa", disse, referindo-se a Flávio.

"Como só as propostas do presidente Lula não bastam, precisamos mostrar quem é o adversário. Eu adoraria que agora fosse realmente um debate político, de proposta. Mas, neste momento político que nós estamos, o debate, infelizmente, vai ter que ser pessoal."

Lula ficou em segundo lugar no primeiro turno com cerca de 45% dos votos, enquanto Flávio Bolsonaro ganhou, com 47%. A abstenção foi de 21,08%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e é apontada como um dos principais desafios do petista para reverter o cenário de vitória do bolsonarista.

Sobre isso, a deputada eleita lembrou que as abstenções sempre foram altas no país, mas que a campanha estuda esse cenário para traçar estratégias. "Nós precisamos entender de onde estão vindo essas abstenções. São pessoas que protegem a democracia? São pessoas que estão, de fato, dispostas a dar um golpe?", questionou.

Ana Elisa segue agora para agendas em Minas Gerais. Segundo relatou, Lula pediu para ela atuar no estado pela campanha. "O partido está bem empenhado em fazer com que nós viajemos o quão for necessário para poder virar esses votos para o presidente Lula nas regiões que sempre foram nossas e que, desta vez, por algum motivo, não tenha sido", completou.

 

 


  • Google Discover Icon
postado em 09/10/2026 03:55
x