ELEIÇÕES 2026

Como identificar deepfakes e conteúdos falsos nas redes virtuais

Entenda como verificar vídeos sintéticos após o TSE mandar remover publicação com IA sem aviso apropriado divulgada por Jorge Messias

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu, em 1º de setembro de 2026, os critérios para o uso de deepfakes nas eleições deste ano. Por 5 votos a 2, os ministros mantiveram a proibição desse recurso em campanhas eleitorais, mas estabeleceram que é necessário haver um grau de realismo para caracterizar uma irregularidade. Deepfake é uma tecnologia de inteligência artificial (IA) capaz de criar ou modificar vídeos, áudios e imagens de maneira realista.
 -  (crédito: Freepik rawpixel.com)
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu, em 1º de setembro de 2026, os critérios para o uso de deepfakes nas eleições deste ano. Por 5 votos a 2, os ministros mantiveram a proibição desse recurso em campanhas eleitorais, mas estabeleceram que é necessário haver um grau de realismo para caracterizar uma irregularidade. Deepfake é uma tecnologia de inteligência artificial (IA) capaz de criar ou modificar vídeos, áudios e imagens de maneira realista. - (crédito: Freepik rawpixel.com)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a remoção de um vídeo divulgado nas redes sociais pelo ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias. A publicação descumpriu as regras da Justiça Eleitoral ao omitir o aviso prévio, explícito e ostensivo sobre o uso de recursos de inteligência artificial aos espectadores.

A peça em questão exibia personagens sintéticos — uma criança e um idoso criados por computação — preparando-se para uma carreata de apoio político, sem indicar que as imagens e figuras retratadas eram geradas por IA. A decisão reafirma a postura rigorosa da Justiça Eleitoral em coibir montagens digitais não sinalizadas que possam induzir o eleitorado ao erro durante a disputa eleitoral. 

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Diferenciar um registro autêntico de uma produção sintetizada por computador exige um olhar atento a padrões visuais e sonoros que os sistemas tecnológicos ainda não replicam com perfeição. O leitor pode aplicar métodos diretos de observação antes de validar ou repassar publicações duvidosas.

Sinais visuais de manipulação digital

As imperfeições gráficas mais evidentes surgem na renderização facial dos interlocutores. Sistemas automatizados tentam emendar expressões criadas digitalmente sobre gravações reais ou desenhar pessoas do zero, gerando inconsistências visíveis:

  • piscadas mecânicas: figuras criadas por programas tendem a piscar com frequência irregular ou permanecem com os olhos imóveis por intervalos excessivamente longos.

  • descompasso labial: a articulação da boca muitas vezes falha em sincronizar com os fonemas emitidos, criando borrões nas bordas dos lábios e dentes.

  • iluminação assimétrica: sombras projetadas nas bochechas ou no pescoço que não coincidem com as luzes do ambiente revelam colagem de imagens diferentes.

  • bordas difusas: movimentos rápidos de cabeça costumam produzir distorções transitórias nas orelhas, fios de cabelo e contornos do queixo.

  • textura plástica: peles excessivamente polidas, sem poros, rugas naturais de expressão ou linhas de suor denunciam intervenção algorítmica.

Procedimentos técnicos para checagem

O áudio também entrega pistas valiosas sobre alterações fraudulentas. Ferramentas de clonagem de voz criam falas contínuas sem as pausas naturais de respiração humana e costumam nivelar a entonação, retirando emoções e oscilações sonoras compatíveis com a mensagem expressa.

Estratégias simples de conferência ajudam qualquer usuário a desmascarar montagens antes do compartilhamento nas redes:

  • busca reversa por quadros: extrair uma imagem estática do vídeo e inseri-la no Google Imagens permite localizar o arquivo original e comprovar o contexto verdadeiro da gravação.

  • conferência em páginas institucionais: pronunciamentos reais de autoridades governamentais são publicados simultaneamente nos portais oficiais dos órgãos públicos aos quais pertencem.

  • verificação de ruídos de fundo: gravações sintéticas frequentemente inserem barulhos ambientes repetitivos ou cortes abruptos no áudio quando a fala se inicia.

  • análise do histórico do publicador: perfis criados recentemente em redes virtuais que publicam conteúdos bombásticos sem citar fontes jornalísticas costumam atuar exclusivamente na distribuição de material forjado.

  • inspeção de acessórios: óculos, brincos e golas de camisa costumam tremer ou desaparecer momentaneamente quando softwares sobrepõem rostos falsificados ao corpo do interlocutor.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

 

 

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postado em 14/10/2026 16:41 / atualizado em 14/10/2026 16:49
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