Congresso

Otto prevê aprovação da PEC que acaba com escala 6x1 no Senado

Presidente da CCJ aposta na aprovação da proposta, enquanto interlocutor avalia que o apoio de Flávio Bolsonaro reduziu a resistência da oposição e facilitou a articulação de Davi Alcolumbre

Otto Alencar foi enfático:
Otto Alencar foi enfático: "Vamos aprovar" - (crédito: Saulo Cruz/Agência Senado)

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), demonstrou confiança no avanço da proposta que prevê o fim da escala 6x1. Em conversa com o Correio, o senador avaliou o andamento da matéria com convicção: “Vamos aprovar”.

A PEC 221/2019, que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, está na pauta do plenário nesta quarta-feira (14/10). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articula a votação dos dois turnos no mesmo dia, por meio de um calendário especial. Para isso, o requerimento precisa ser aprovado pelos senadores.

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Nos bastidores, a mudança de posição do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que declarou apoio ao fim da escala 6x1, também alterou o cenário das negociações. Para Jean Castro, presidente da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), o posicionamento do parlamentar facilitou o trabalho de Alcolumbre para levar a proposta à votação. “Davi prometeu a Lula e vai entregar. A manifestação de mudança de posição de Flávio Bolsonaro facilitou e muito essa missão para o presidente do Senado”, avaliou.

Segundo Castro, a adesão do senador do PL dificultou a articulação contrária à matéria. “Deixou os oposicionistas numa situação de absoluto desconforto para votar contra a PEC, afinal, a figura dele, neste momento, liderava o movimento de maiores ponderações contra a aprovação sumária da proposta”, afirmou.

A oposição ainda pode recorrer a instrumentos regimentais para tentar atrasar a votação, mas o presidente da ABRIG considera pouco provável que a estratégia impeça a aprovação. “Dificilmente terá êxito após a mudança de posicionamento de Flávio Bolsonaro, mas cabem manobras regimentais que, a meu ver, apenas adiarão por horas a aprovação da matéria”, disse. Apesar do apoio declarado à proposta, Flávio já sinalizou que pretende discutir mudanças no texto e defende maior flexibilidade na organização das jornadas de trabalho.

Integrantes da campanha de Lula ouvidos pelo Correio avaliam que a mudança de posição de Flávio acabou favorecendo a articulação pela aprovação da PEC e pode representar um ganho político para o presidente entre os eleitores. A redução da jornada de trabalho é uma das principais bandeiras do governo na disputa eleitoral, e a tentativa de acelerar a votação antes do segundo turno amplia o peso político da discussão. Para ser aprovada, a proposta precisa de pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos no Senado. Caso o calendário especial seja aprovado, a Casa poderá concluir a votação ainda nesta quarta-feira.

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postado em 14/10/2026 16:07
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