
Mulheres negras representam 28,1% da população brasileira, mas ocupam apenas 4,4% das prefeituras do país. Nas eleições municipais de 2024, cerca de 87% dos municípios não tiveram nenhuma mulher negra na disputa pelo cargo. Os números mostram como a desigualdade racial e de gênero limita o acesso dessas mulheres aos espaços de poder.
Os dados são da segunda edição do estudo Desigualdades de Raça e Gênero na Política Brasileira, da organização da sociedade civil, Oxfam Brasil, que analisou as eleições municipais de 2016, 2020 e 2024 com base em registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A pesquisa aponta que a sub-representação não se restringe às mulheres negras, mas atinge esse grupo de forma mais acentuada.
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No conjunto das prefeituras, as mulheres conquistaram apenas 13,2% dos cargos em 2024, embora correspondam a 51,1% da população. Em 2016, eram 11,5%. O avanço de 1,7 ponto percentual em oito anos indica o ritmo lento da mudança: mantida essa trajetória, o Brasil levaria cerca de 173 anos para alcançar a paridade de gênero entre prefeitos eleitos.
Para Viviana Santiago, diretora da Oxfam Brasil, a possibilidade de concorrer não significa que todas as candidatas tenham as mesmas condições de vencer uma eleição. “Para as mulheres negras, os obstáculos são ainda maiores”, afirma.
Recursos e condições de disputa
Segundo o estudo a desigualdade também aparece no financiamento das campanhas. Embora existam regras para ampliar o acesso de mulheres e pessoas negras aos recursos eleitorais, a Oxfam avalia que os percentuais mínimos de repasse não garantem, por si só, condições equilibradas de competição. A distribuição das verbas pelos partidos, as diferenças patrimoniais entre candidatos e a violência política de gênero e raça também fazem parte dos fatores examinados pelo estudo.
Nas câmaras municipais, as mulheres conquistaram 18,3% das vagas em 2024, ante 13,5% em 2016. Entre os eleitos, 4.347 eram mulheres negras, cerca de 7,5% do total de vereadores.
O levantamento também identificou a presença reduzida de outros grupos. Em 2024, primeira eleição municipal com registro de autodeclaração quilombola, duas mulheres quilombolas foram eleitas prefeitas e 71 conquistaram vagas nas câmaras municipais. O estudo contabilizou ainda 225 pessoas LGBTQIA+ eleitas, sendo 222 vereadoras ou vereadores e três prefeitas ou prefeitos.
Para a Oxfam, ampliar a participação política exige mais do que aumentar o número de candidaturas. A organização defende transparência na distribuição dos recursos eleitorais, condições efetivas de competição e medidas de proteção contra a violência política.
O estudo não abrange as eleições gerais de 2026 ao se concentrar nos pleitos municipais.
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