CORREIO INSIDE

Diagnóstico sob olhar humanizado reforça cuidado com o câncer

Médicos destacam a importância do olhar para a saúde mental de pacientes com câncer de mama e do suporte de uma equipe multidisciplinar com oncologista, mastologista, ginecologista e psicólogo

 29/10/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Correio Inside Câncer de Mama -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
29/10/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Correio Inside Câncer de Mama - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

Os especialistas que participaram do evento Correio Inside "Câncer de Mama: uma rede de cuidados", promovido pelo Correio Braziliense, ontem, destacaram a importância do acolhimento multidisciplinar por parte dos médicos que cuidam de pacientes com câncer de mama e a relevância de um olhar para a saúde mental dessas pessoas.

A mastologista Karimi Amaral enfatizou que o suporte deve ser multiprofissional. "Hoje, a gente não trata câncer sozinho, é sempre em equipe. Quem faz o diagnóstico e dá a notícia da doença é o mastologista. É preciso um treinamento de escuta gentil e de como vamos falar, porque impacta. A paciente nunca vai esquecer a forma como o médico falou que ela estava doente. A notícia precisa ser muito bem pensada e cuidada. Eu me preocupo muito com isso", disse. 

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Segundo Karimi, a paciente precisa do suporte do oncologista, do mastologista e do ginecologista no decorrer do tratamento, além de apoio psicológico. "E tem a saúde mental. Às vezes, o diagnóstico é dado para alguém que já tem depressão ou ansiedade. Isso tem que ser identificado antes. Outras vezes, ela adquire depois do diagnóstico. A psicóloga é fundamental. A paciente precisa ser acolhida pela equipe, pelos familiares e pelos amigos. Temos desfechos melhores em casos nos quais a paciente tem rede de apoio. Nós conversamos entre os médicos. A equipe precisa ser muito bem treinada para este atendimento", ressaltou. 

Karimi observou que o diagnóstico, às vezes, causa culpa nas mulheres e é importante olhar com cuidado para esse sentimento. "Pensando do ponto de vista fisiológico, a gente sabe que o câncer é uma doença imunológica, tanto que temos tratado câncer com imunoterapia. A depressão pode ter impacto na questão imunológica. A gente não vê isso só com câncer. Quando você tem o sistema imunológico mais desregulado, há uma janela aberta de oportunidades. É preciso ter uma atenção especial neste momento em que a mulher está mais vulnerável", detalhou. 

A médica afirmou que cada pessoa tem uma biologia, portanto, não é saudável comparar tratamentos. "É importante que as pessoas entendam que há várias e diferentes formas de tratar o câncer. Às vezes, a mulher escuta a vizinha dizer que teve câncer de mama e tratou com radioterapia, mas ela não precisou. São vários tipos de doença e vários tipos de biologia tumoral", explicou. "São muitas sobreviventes. Tem mulher que tem câncer aos 45 anos, mas vive até os 80 ou mais. Tem tratamento que serve para umas pacientes, e não serve para outras. Precisamos oferecer o que vai atender às expectativas de cada uma, mas com segurança oncológica", acrescentou. 

 29/10/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Correio Inside Câncer de Mama. Dra Karimi Amaral. Mastologista hospital DF Star.
29/10/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Correio Inside Câncer de Mama. Dra Karimi Amaral. Mastologista hospital DF Star. (foto: Fotos: Minervino Júnior/CB)

Autonomia

O oncologista Igor Morbeck, diretor técnico nacional de Oncologia e Hematologia da Kora Saúde, afirmou que o diagnóstico de câncer não deve retirar da paciente o direito de participar das decisões sobre o próprio tratamento. Durante o evento, o especialista afirmou que deve haver comunicação clara sobre a doença, as possibilidades terapêuticas e os riscos envolvidos.

Para ele, é necessário superar o estigma historicamente associado à palavra câncer, que ainda pode dificultar conversas entre pacientes, familiares e profissionais de saúde. A ideia de que uma pessoa idosa, por exemplo, não deve conhecer o próprio diagnóstico reflete uma concepção que precisa ser revista.

Morbeck defendeu uma abordagem baseada na transparência e no respeito à autonomia da paciente. Isso inclui explicar o diagnóstico, apresentar as alternativas de tratamento e discutir os benefícios, os riscos e as limitações de cada possibilidade.

"A decisão terapêutica nem sempre segue um caminho único. Há situações em que diferentes estratégias podem ser consideradas, a depender das características do tumor, das condições clínicas e das preferências da paciente. Nesses casos, a decisão compartilhada entre médico e paciente ganha importância", pontuou.

Morbeck também chamou a atenção para os desafios de incorporar novas tecnologias à oncologia. Embora a área avance rapidamente, nem todas as inovações disponíveis em outros países podem ser utilizadas imediatamente no Brasil.

O acesso depende de fatores como aprovação regulatória, disponibilidade nos serviços de saúde, financiamento e capacidade de incorporação das tecnologias.

 29/10/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Correio Inside Câncer de Mama. Dr Igor Morbeck Diretor técnico Nacional de Oncologia.
29/10/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Correio Inside Câncer de Mama. Dr Igor Morbeck Diretor técnico Nacional de Oncologia. (foto: Minervino Júnior/CB)

Estética

Os avanços nas cirurgias para o tratamento do câncer de mama e a possibilidade de preservar a estética e a sensibilidade das pacientes foram abordados pela mastologista Fabiana Lisboa. Ela destacou que o diagnóstico da doença não significa a retirada completa da mama, como temem muitas mulheres. As possibilidades dependem das características e do estágio do tumor, além das condições clínicas de cada paciente.

"A gente acha que vai ficar mutilada, que vai perder a mama. Lógico que algumas doenças muito avançadas exigem uma cirurgia maior, mas hoje é possível manter as estruturas da mama e preservar a sensibilidade", explicou.

Incidência em homens

Outro ponto para o qual Fabiana chamou a atenção foi para o câncer de mama masculino. Apesar de raro, o tumor também pode atingir homens e, muitas vezes, é diagnosticado tardiamente pela falta de informação e de uma estratégia específica de rastreamento para esse público. "O câncer de mama masculino existe, os homens precisam saber disso, apesar de raro", alertou.

A especialista também comentou sobre a importância do histórico familiar na identificação de possíveis predisposições genéticas. Segundo ela, a ocorrência de câncer de mama em um homem da família já é motivo para considerar uma investigação genética. A observação de alterações nas mamas, como nódulos e mudanças na pele ou no mamilo, também deve motivar a procura por avaliação médica.

 29/10/2026. Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Correio Inside Câncer de Mama. Dra Fabiana Lisboa - Mastologista.
A observação do próprio corpo é uma das medidas que podem ajudar na identificação de alterações suspeitas, explica a mastologista Fabiana Lisboa (foto: Minervino Júnior/CB)

Confira o Correio Inside "Câncer de Mama: uma rede de cuidados" na íntegra:

*Estagiária sob a supervisão de Malcia Afonso

 

  • Google Discover Icon
postado em 30/10/2026 06:00
x