O candidato à Presidência Renan Santos (Missão-SP) criticou o processo eleitoral após votar neste domingo (4/10) na Escola Estadual Professor José Geraldo de Lima, em São Paulo capital. Em conversa com jornalistas, ele classificou a disputa como a “pior eleição desde a democracia” e reclamou da ausência de discussões sobre propostas entre os principais candidatos. Para Renan, a campanha foi marcada por mudanças constantes no cenário e por uma disputa esvaziada de debate programático.
“Não houve debate, não houve discussão, ninguém sabe as propostas dos candidatos que lideram as pesquisas. Ou seja, esta é a pior eleição desde a democracia”, afirmou. Ele disse que a crítica não se limita aos debates promovidos pelas emissoras de televisão, mas à falta de confronto entre projetos. Na avaliação de Renan, as forças políticas tradicionais teriam interesse em evitar uma discussão mais profunda para impedir o crescimento de candidatos considerados outsiders.
O presidenciável também foi questionado sobre o impacto do voto útil, estratégia adotada principalmente por Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da campanha para concentrar votos do campo da direita e tentar evitar a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno.
O candidato da Missão afirmou que sua campanha trabalhou para combater o que classificou como uma narrativa criada para pressionar o eleitor. “Eles criaram uma mentira de que, se você não vota no Flávio, Lula ganha no primeiro turno”, disse. Para Renan, porém, o eleitor é mais informado do que os defensores dessa estratégia imaginam e o movimento não deveria ter impacto decisivo sobre sua candidatura.
Na sequência, Renan fez críticas duras a Flávio e questionou as razões apresentadas por seus eleitores para apoiá-lo. Disse considerar um sinal de deterioração política o fato de o candidato do PL ter como principal credencial, segundo sua avaliação, ser filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Ninguém, nenhum eleitor do Flávio sabe explicar porque vota no Flávio”, apontou. O candidato ainda ironizou o argumento de que o principal objetivo seria apenas retirar Lula do poder e encerrou sua fala defendendo que a eleição deveria ter sido marcada por uma discussão mais ampla sobre propostas e projetos para o país.
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