O presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu em 64 países, e o candidato Flávio Bolsonaro em 36, mas o placar de países engana: entre os brasileiros que vivem fora, a vantagem do petista no primeiro turno foi de apenas 13.487 votos. O presidente teve 157.387 votos válidos, ou 47,57%, contra 143.900 do senador do PL, ou 43,49%. Os dados foram consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no domingo (4/10).
A explicação está no tamanho dos colégios eleitorais. Flávio perdeu em muitos países pequenos, mas ganhou onde há mais brasileiros. Nos Estados Unidos, fez 45.004 votos, quase o dobro de Lula e sua maior votação em um único país. No Japão, terceiro com mais eleitores aptos a votar no exterior, teve quase cinco vezes mais votos que o rival.
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Lula, por sua vez, teve em Portugal o melhor resultado fora do Brasil. No segundo país com mais brasileiros aptos a votar, recebeu 26.401 votos, contra 19.412 de Flávio. Venceu em Lisboa e no Porto, mas perdeu em Faro, no Algarve.
Por continente, o mapa se divide ao meio. O senador foi o mais votado nas Américas, com 63.737 votos contra 44.793, e na Ásia, com 28.063 contra 11.643. Lula levou a Europa, com 95.442 votos contra 48.874, e a Oceania. Na África, onde a votação foi a menor, fez 713 votos contra 583.
Na Europa, o petista ganhou em 25 dos 29 países com urnas, puxado por Reino Unido, Alemanha, França e Espanha. Perdeu apenas na Grécia e na Ucrânia, ambos com poucos eleitores: em Kiev, Flávio teve 19 votos, e Lula, 4. Na Oceania, venceu nos dois países com urnas, por 4.562 a 2.579 na Austrália e 234 a 64 na Nova Zelândia.
Nas Américas, além dos EUA, Flávio levou outros 18 países, como Bolívia, Colômbia, El Salvador e Equador. Seu melhor índice em todo o exterior foi em Salto del Guairá, no Paraguai, com 94,48% dos votos válidos. Lula liderou em oito países da região, entre eles Argentina, Canadá, Chile, Uruguai e Venezuela. Na Ásia, o senador venceu em 13 países, incluindo Catar, Emirados Árabes Unidos, Israel e Vietnã. Lula ganhou em 15, como Arábia Saudita, China, Líbano e Palestina, mas com votações pequenas.
A participação, aliás, foi baixa. Dos 916.534 eleitores aptos a votar fora do país, 62,69% não compareceram, segundo o TSE, e 10.884 dos que foram votaram em branco ou nulo. Havia urnas em 186 cidades de 133 países e territórios, incluindo a Guiana Francesa. Em 32 deles, ninguém apareceu: 16 na África, dez na Ásia e quatro nas Américas (Antígua e Barbuda, Barbados, Belize e Santa Lúcia). Entre os africanos estão Camarões, Etiópia e Zimbábue; entre os asiáticos, Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Iraque e Paquistão.
Com tão poucos eleitores, alguns resultados beiram o curioso. No Haiti, Lula foi o único a receber votos, mas só cinco pessoas compareceram. Na Líbia, teve 100%, de apenas dois eleitores. Em Mumbai, na Índia, Flávio ficou em terceiro, com 1 voto, atrás de Renan Santos (3) e de Lula (5). E em Guiné-Bissau houve o único empate do exterior: 17 votos para cada um.
Entre os demais candidatos, Augusto Cury teve 2,94% dos votos válidos, Renan Santos, 2,59%, Ronaldo Caiado, 1,42%, e Romeu Zema, 1,01%. Os outros ficaram abaixo de 1%.
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