STF

Fux determina acesso de seu gabinete ao inquérito das fake news

Magistrado afirmou que a área técnica deve liberar acesso ao material do processo para que ele possa avaliar um pedido apresentado pelo PP

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a área técnica do Tribunal conceda acesso de seu gabinete ao inquérito das fake news. O despacho ocorreu em uma ação movida pelo PP, partido que declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Fux decidiu que o acesso deve ser concedido no prazo de até 48 horas. A comunicação representa mais um episódio da crise que se arrasta na Corte.

No despacho, o magistrado alega que os advogados têm acesso, então ele também deve ter. “Se a defesa tem acesso aos elementos documentados, a fortiori o tem o ministro desta Corte a quem incumbe decidir sobre a constitucionalidade do procedimento. O Tribunal não pode saber menos do que as partes sobre o que o Tribunal faz”, escreveu.

A condução do inquérito estava sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes desde 2019, quando a diligência foi aberta pelo então presidente da Corte, Dias Toffoli. No entanto, Fachin avocou a relatoria para si após Moraes despachar no inquérito questionando a conduta do ministro André Mendonça, alegando que ele estaria investigando sem autorização um colega de colegiado.

A diligência foi aberta para apurar “fake news e ataques contra a Corte”. Com a decisão de Fachin, o inquérito ficou sob responsabilidade da presidência do Tribunal. A decisão ocorreu no contexto dos embates entre Moraes e André Mendonça nas investigações sobre o esquema do Banco Master.

O inquérito das fake news é considerado um dos mais polêmicos da Corte e um dos que mais empoderaram Moraes em relação aos demais ministros. Na época da abertura do procedimento, a Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Raquel Dodge, defendeu mais de uma vez que a investigação fosse arquivada. O sucessor, Augusto Aras, defendeu a constitucionalidade. Em uma votação no plenário, o Supremo decidiu manter o inquérito por 10 votos a 1, em uma ação da Rede Sustentabilidade que pedia o arquivamento.

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