CLÃ BOLSONARO

Malafaia defende saída de Flávio Bolsonaro do Brasil; Rodovalho cita Jesus

Enquanto pastor chama a viagem do senador de "corretíssima", bispo da Sara Nossa Terra compara a fuga do país à proteção diante de perseguições; Cláudio Duarte evita entrar na disputa

A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais provocou reações distintas entre líderes evangélicos que apoiaram a candidatura do senador. Silas Malafaia defendeu a decisão de deixar o país, enquanto o bispo Robson Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra, recorreu a um exemplo bíblico para justificar a atitude. Já o pastor Cláudio Duarte procurou se manter distante da disputa política.

Flávio foi para os Estados Unidos mesmo após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão de seu passaporte brasileiro e proibi-lo de deixar o território nacional. O senador viajou com o documento italiano. A medida havia sido solicitada pela Polícia Federal (PF) minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a vitória de Lula, no domingo (25).

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A PF apontou risco de fuga do país, citando vínculos financeiros sob investigação e uma declaração de Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do senador, favorável à saída dele do Brasil caso perdesse a eleição.

Malafaia muda posição sobre saída dos Bolsonaro

Um dos principais aliados da família Bolsonaro, Malafaia classificou como “corretíssima” a decisão de Flávio de deixar o Brasil. Em vídeo divulgado nesta quarta-feira (28), o pastor contestou as críticas à viagem e voltou a acusar Moraes de agir politicamente, em vez de atuar como um magistrado imparcial. “Estou vendo a esquerda espernear. Queria que Flávio ficasse aqui pra ser preso sem o devido processo legal?”, questionou.

A manifestação veio após a circulação de uma entrevista antiga em que Malafaia criticava a decisão de Jair Bolsonaro de ir para os Estados Unidos depois de perder a eleição presidencial de 2022 para Lula. O pastor reagiu aos que recuperaram a gravação para apontar uma contradição entre sua posição anterior e a defesa atual da viagem de Flávio.

Ele chamou de “esquerdopatas canalhas” os responsáveis pela repercussão do vídeo e argumentou que a declaração antiga se referia à situação de Jair Bolsonaro, não à do filho. “Na época eu pensava assim. Depois vi que, se Bolsonaro ficasse aqui, ia ser preso lá atrás”, afirmou.

Malafaia também voltou a atacar Alexandre de Moraes, a quem costuma chamar de “ditador da toga”, e reforçou a narrativa de que a família Bolsonaro é alvo de perseguição por parte do STF. Na terça-feira (27/10), o pastor havia divulgado outro vídeo, no qual agradeceu ao presidente do Supremo, Edson Fachin, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, pela devolução de seu passaporte.

Rodovalho recorre a exemplo bíblico

O bispo Robson Rodovalho, líder da Sara Nossa Terra, também saiu em defesa da decisão de Flávio, mas adotou uma justificativa religiosa. Ao comentar a saída do senador, comparou a situação à postura de Jesus Cristo diante de perseguições.

“Até Jesus Cristo ensinou a se proteger debaixo de perseguições”, afirmou.

A referência bíblica foi usada para sustentar a ideia de que deixar o país pode ser uma forma de proteção diante de ameaças. A declaração se soma às manifestações de aliados de Bolsonaro que apresentam as medidas judiciais contra integrantes da família como parte de uma ofensiva política.

A ida de Flávio aos Estados Unidos também remete à trajetória recente de outros integrantes da família. Jair Bolsonaro viajou para o país após a derrota eleitoral de 2022, enquanto Eduardo Bolsonaro está em território norte-americano desde o ano passado.

Eduardo também atuou junto ao governo de Donald Trump para pressionar autoridades brasileiras e tentar impedir o julgamento de seu pai pelo STF, que condenou o ex-presidente.

Em contraste com Malafaia e Rodovalho, o pastor Cláudio Duarte, conhecido pelo alcance de seu conteúdo nas redes sociais, procurou se afastar da controvérsia.

As reações evidenciam diferentes estratégias entre lideranças religiosas alinhadas à candidatura de Flávio Bolsonaro: enquanto parte delas reforça o discurso de perseguição política, outras evitam se posicionar publicamente sobre o episódio. 

 

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