REDES SOCIAIS

Flávio Bolsonaro nos EUA mobiliza as redes e estudo revela bastidores

Pesquisa mapeia quase 500 mil menções sobre o senador e explica por que a repercussão digital nem sempre reflete a opinião dos eleitores

A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil em jatinho pautou intensas discussões nas redes sociais após a eleição -  (crédito: Ricardo Arduengo/AFP)
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil em jatinho pautou intensas discussões nas redes sociais após a eleição - (crédito: Ricardo Arduengo/AFP)

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, ocorrida cerca de dois dias após a Eleição Presidencial, gerou 471 mil menções nas redes sociais entre 26 e 28 de outubro. A pesquisadora e professora da FGV/EAESP Lilian Carvalho, especialista em social listening e sócia-fundadora da DigiSales Group, elaborou o levantamento a partir de dados monitorados pela plataforma Brandwatch. O estudo identificou 165 mil autores, com 95% das postagens concentradas no X.

Nas mensagens com posição definida, 60% condenaram o parlamentar. Outros 40% apoiaram a saída dele do país ou criticaram o ministro Alexandre de Moraes, do STF, pela determinação para recolher o passaporte do senador. As manifestações restantes não apresentaram lado explícito ou criticaram os dois lados.

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Termos mais frequentes no debate digital

A escolha das palavras refletiu a tentativa de cada grupo para impor sua versão sobre o episódio:

  • A expressão “fuga de Flávio Bolsonaro” registrou 48 mil menções;

  • O termo “perseguição política” alcançou 25 mil referências;

  • O vocábulo “covarde” apareceu 21 mil vezes;

  • A menção “7 minutos”, ligada ao tempo entre a confirmação do resultado eleitoral e o pedido de apreensão do documento, somou 20 mil ocorrências.

Segundo Lilian Carvalho, a palavra “fuga” prevaleceu sobre “exílio” porque um campo mobilizou mais usuários para propagar sua narrativa. A especialista afirma que a articulação digital se consolidou como recurso político relevante em 2026, com potencial para “virar o jogo”, mas não reflete a posição da maioria dos eleitores. Carvalho ressalta que “o volume de publicações pode dar a impressão de uma diferença muito maior entre os lados do que aquela que existe na opinião pública. Rede social mede mobilização, e não substitui uma pesquisa de opinião”.

Distribuição das publicações de maior alcance

A pesquisa detalhou o comportamento das 20 postagens mais compartilhadas durante o período analisado:

  • quinze conteúdos condenaram o senador, reunindo ironias, ataques pessoais e cobranças por perda de mandato e bloqueio de bens;

  • três publicações defenderam o parlamentar, priorizando questionamentos sobre o momento da ordem judicial e críticas a Alexandre de Moraes;

  • duas mensagens apenas informaram sobre os acontecimentos.

Oito em cada dez menções consistiram em republicações, comprovando a relevância da circulação de conteúdos prévios na ampliação das conversas. Usuários dos dois campos políticos também compartilharam dados sem confirmação na cobertura jornalística.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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postado em 28/10/2026 15:36 / atualizado em 28/10/2026 15:36
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