
Durante as férias de verão, estar na praia é um momento de descanso para muitas pessoas. A estação, no entanto, deixou de ser somente sinônimo de tranquilidade e virou o epicentro de estilo e funcionalidade. Biquínis confortáveis, óculos especiais e bolsas que combinem com a paisagem. Mais do que isso, já há alguns anos, os chapéus ganharam protagonismo nesse cenário à beira-mar. Para além de proteger o rosto do Sol, eles garantem muito charme e elegância.
Entre a nostalgia de décadas passadas e o sabor da modernidade, esse acessório tão popular promete ganhar o verão de 2026. O queridinho das gerações Z e millennial, o bucket hat, não saiu de cena, mas passou por uma plástica de alta-costura. Segundo a professora de moda Krystie Ribeiro, a peça agora assume o formato bell-shaped. "A forma do momento é mais profunda e ajustada à cabeça, lembrando o clássico cloche, popular nos anos 1920", explica a profissional.
Com isso, essa silhueta genderless (sem gênero) ganha força em materiais tecnológicos e crochês estruturados, perfeitos para o ritmo frenético das metrópoles. Para quem busca o impacto visual do luxo silencioso, as abas gigantescas retornam, mas sob um novo rigor geométrico e uma estrutura ainda atraente. "A tendência para 2026 são abas perfeitamente planas, rígidas e circulares. É a peça central do resort wear, atraindo inclusive o público masculino que busca elegância e proteção máxima para ombros e rosto."
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Tecnologia que auxilia
A inovação têxtil é outro pilar desta temporada. O destaque fica para a tecnologia Shape Memory (memória de forma), aplicada em poliamida com proteção UV. "Fibras inteligentes permitem que o chapéu seja dobrado ou amassado dentro da mala sem perder o formato original", destaca a professora. Para o ambiente de escritório, tecidos como o linho e a fibra de bambu — naturalmente antibacteriana — garantem o frescor necessário sob o Sol tropical.
No campo estético, o "luxo que não tem medo de parecer rústico" define o uso de palhas como a toquilla e a toyo. Com bordas propositalmente desfiadas e tramas bicolores que remetem ao artesanato africano e indígena, surge o conceito de granola core — uma celebração do orgânico e do saudável expressa em tons de marfim, areia e bege cru.
De acordo com a professora de moda, até os detalhes foram repensados. As fivelas de plástico deram lugar aos bioplásticos derivados de fontes renováveis e acetatos biodegradáveis que imitam pedras brutas e conchas. "Esses elementos trazem um toque de dopamine dressing — estética voltada para cores e formas que estimulam o bom humor — aos acessórios, personalizando cada peça de forma única", acrescenta.
Explosão de dopamina
Se os neutros dominam o luxo discreto, o movimento dopamine dressing garante a vibração para os festivais e as areias. Cores saturadas, como verde-limão e azul-cobalto, dividem espaço com tons que parecem ter saído de filtros do Instagram, como o digital lavender.
Para harmonizar essas cores com o rosto, o segredo está no equilíbrio. A designer de moda Luiza Dantas ressalta que o acessório deve complementar a identidade de quem o usa, sem sobrecarregar: "Chapéus de impacto pedem acessórios mais sutis, enquanto modelos minimalistas permitem brincos maiores e óculos marcantes. O chapéu certo é aquele que complementa, nunca compete", aconselha a especialista.
Na visão da profissional, a versatilidade é a palavra de ordem. O chapéu de verão rompeu a barreira da areia e invadiu a alfaiataria leve, estando em diversas ocasiões, não somente na praia. De acordo com Luiza Dantas, a peça hoje ocupa com naturalidade o cenário urbano. Assim, durante o verão, é possível estar tanto no mar quanto passeando em restaurantes ou feiras, utilizando sempre o chapéu que mais combina com o seu estilo.
"A chave está nos materiais refinados e na paleta neutra, que garantem sofisticação instantânea", afirma a designer. Seja um modelo de crochê com fios de seda para um jantar sofisticado ou um chapéu de aba larga para um evento ao ar livre, o acessório deixou de ser um item extra para se tornar a assinatura de moda do verão 2026. "Neste verão, o chapéu não é apenas proteção, é atitude, estilo e assinatura de moda", completa.
Como escolher o chapéu ideal?
O segredo de um bom styling de acessórios de cabeça é a compensação: usar o chapéu para criar visualmente o que a estrutura óssea não possui de forma natural.
Rosto oval
Considerado o formato mais equilibrado, ele permite uma liberdade quase total.
O que usar: praticamente todos os modelos, desde o clássico Panamá até o ousado bucket hat.
Dica pro: como as proporções já são harmônicas, você pode focar na cor e no material para seguir as tendências do feito à mão.
Rosto redondo
O objetivo aqui é "quebrar" a circularidade e alongar a face, criando ângulos que o rosto não tem.
O que usar: chapéus com a copa alta e linhas bem definidas ou assimétricas. O modelo fedora (chapéu de feltro ou palha com vinco na copa) é excelente porque o topo "em V" ajuda a esticar a silhueta facial.
O que evitar: modelos muito circulares ou com abas extremamente curtas e rentes ao rosto.
Rosto quadrado
Rostos com mandíbula e testa marcadas pedem linhas orgânicas e arredondadas para suavizar a fisionomia.
O que usar: o chapéu floppy (modelo com abas largas e maleáveis que criam ondas) é a escolha ideal para o verão. As curvas das abas contrastam com a rigidez do maxilar. Boinas e modelos com copas arredondadas também funcionam bem.
O que evitar: chapéus com cortes muito retos e geométricos, que podem endurecer ainda mais a expressão.
Rosto longo
Para quem tem o rosto estreito e comprido, o foco deve ser criar uma ilusão de largura.
O que usar: chapéus de abas largas e copas baixas. A aba larga cria uma linha horizontal que "corta" o comprimento do rosto, dando uma aparência mais preenchida.
Dica de styling: usar o chapéu um pouco mais inclinado para a frente pode ajudar a reduzir visualmente o comprimento da testa.
Fonte: professora de moda Krystie Ribeiro
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