Primeiro spin-off de uma série brasileira da Netflix, Salve geral retoma a história dos membros da Irmandade 10 anos após os acontecimentos retratados na série. Elisa (Camilla Damião), filha de Edson (Seu Jorge), fundador da facção, é uma jovem de 18 anos criada à margem do crime e sequestrada por policiais corruptos. Enquanto a tia Cristina (Naruna Costa) tenta resgatá-la, o grupo criminoso ordena uma série de ataques violentos contra delegacias e forças de segurança, que mergulha a cidade de São Paulo no caos.
No longa, a novidade vai muito além da linguagem cinematográfica, recheada de planos sequência e cenas de ação. "Passaram-se 10 anos, então vemos outras camadas dos personagens", aponta Naruna. "Cristina, por exemplo, está numa outra situação social e em outro posto dentro da Irmandade, com uma nova roupagem. Ela está diferente, tanto a camada externa dela quanto a interna", adianta a atriz.
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"E a Elisa ainda vem para mostrar um lado mais amoroso da Cristina, que foi construído na série a partir da relação com o irmão, mas agora vem num lugar quase que maternal, porque ela cria essa menina como se fosse filha dela. Então isso adiciona uma camada mais humana para o imaginário dessa mulher negra", pontua a Naruna.
Camilla, por sua vez, destaca o crescimento de Elisa, que deixa de ser a criança retratada na série. "Nós éramos acostumadas a vê-la ainda na infância, sempre em situações que envolviam o pai estar preso. Agora, a vemos com outras experiências de vida. É uma menina que estuda numa boa escola, que tem acesso a todos os lugares e que consegue permear entre dois mundos — ela está presente tanto numa favela, quanto em um condomínio", avalia a atriz que interpreta a personagem.
Juntas, tia e sobrinha enfrentam dilemas sobre justiça e violência, em uma história que escancara os bastidores do crime organizado e da corrupção policial. "Os personagens permeiam entre emoções humanas, reagindo à violência e àquela grande guerra, que muda de uma hora para outra", explica Camilla.
"São várias as perguntas que o filme levanta, sem que a gente tenha que ter uma resposta, mas que geram muitas reflexões a partir da premissa de um dia de muita violência no país. Violência de todas as formas, vinda de todos os lados. Como é que a gente age perante a isso?", questiona a atriz. "Acho que o filme tem essa profundidade filosófica e humana muito importante", defende Camilla.
Audiovisual brasileiro
Com o sucesso internacional de Ainda estou aqui e O agente secreto, as atrizes celebram a estreia de Salve geral em meio ao momento atual do audiovisual brasileiro. "O mundo passou a olhar para as nossas produções e isso é maravilhoso. Ainda bem que a gente conseguiu adentrar nesses espaços, que normalmente são muito pouco cedidos a nós", comemora Naruna. "É ótimo que a gente esteja estreando agora, porque nós temos um material, tecnicamente e narrativamente falando, muito bem feito", elogia Naruna.
"Acho que tem esse lugar de não só posicionar que estamos aqui, fazendo cinema, mas que também estamos fazendo com qualidade e com a nossa estética e identidade. Acho que isso é muito importante para a maneira como as pessoas vão perceber o nosso país", complementa Camilla.
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