TURISMO

Semana S celebra cultura e saberes do Ceará

A Semana S de Fortaleza expôs uma série de produtos, serviços, sabores, saberes e vivências do Ceará. O Correio esteve lá e mostra o que o estado tem de bom em gastronomia, arte, cultura, educação, conhecimento e tradição

Representantes do Sistema Fecomércio Ceará com o grupo responsável pelo Aquavelas -  (crédito: Mila Ferreira)
Representantes do Sistema Fecomércio Ceará com o grupo responsável pelo Aquavelas - (crédito: Mila Ferreira)

A edição de Fortaleza da Semana S do Comércio de Bens, Serviços e Turismo serviu como palco para apresentação das principais riquezas culturais do estado. O evento, realizado anualmente, foi vitrine do mais puro saber cearense, traduzido em forma de comida, música, artes visuais, educação e conhecimento. Voltado ao desenvolvimento dos negócios e das pessoas, a Semana S da capital cearense recebeu o Encontro Sesc Povos do Mar, que traz chefs e artistas locais selecionados, e também o Aquavelas, uma exposição flutuante que acontece nas velas das jangadas.

"Realizamos a segunda edição da Semana S na praia de Iracema, um lugar histórico e turístico, para estarmos cada vez mais próximos da população, porque esse é o objetivo do evento e do Sistema Fecomércio", disse Luis Fernando Bittencourt, vice-presidente do Sistema Fecomércio-CE.

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Cultura

Entre as preciosidades culturais apresentadas, estavam os museus orgânicos, que constituem as casas dos Mestres da Cultura, transformadas em espaços de memória e visitação. Ao todo, há 27 museus espalhados pelo estado. Durante o evento, o público teve a oportunidade de conhecê-los por meio de óculos de realidade virtual.

Iniciativa do Sesc Ceará, em parceria com a Fundação Casa Grande, os museus abrigam objetos pessoais, fotos e vestimentas que refletem o fazer e as manifestações tradicionais das comunidades. Todos estão abertos à visitação. As informações estão disponíveis no site da Fecomércio-CE.  

A Associação Mundo Jeri, que reúne crocheteiras de Jericoacoara, também esteve presente e mostrou um pouco da arte do crochê. A presidente da Associação, Janielle Silva, e a associada Aparecida Barros contaram como conseguiram mudar de vida por meio do trabalho manual.

"Existimos desde 2008, e fomos frutos de uma iniciativa do Sebrae Ceará. Com linha e agulha de crochê, muitas mulheres conseguiram transformar a própria realidade. Hoje, somos mais de 1 mil crocheteiras, muitas de nós somos mães que, graças ao crochê, conseguem trabalhar de casa e transformar o próprio sustento", relatou Janielle. "Estou comprando a minha casa própria graças ao crochê", acrescentou Aparecida.

Aparecida Barros, crocheteira da Associação Mundo Jeri, mostra o trabalho
Aparecida Barros, crocheteira da Associação Mundo Jeri, mostra o trabalho (foto: Nayana Melo)

Os povos indígenas também tiveram espaço no evento e mostraram instrumentos tradicionais, produzidos por eles, provando que o saber indígena é capaz de ser um propulsor da economia. Carlinhos Pitaguary, morador do território Pitaguary Maracanaú, afirmou que conta com a ajuda do Sesc há 20 anos para mostrar sua arte ao Brasil.

"Quem adquire nossa arte, adquire também a identidade e a ancestralidade do nosso povo", explicou. "Trabalho com a arte-identidade indígena e tive as portas abertas de forma avassaladora graças ao Sistema Fecomércio", enalteceu ele, que produz, entre outros objetos, a maraca, tradicional instrumento indígena usada em decoração e também como instrumento musical. 

Carlinhos Pitaguary levou a arte-identidade indígena à Semana S de Fortaleza
Carlinhos Pitaguary levou a arte-identidade indígena à Semana S de Fortaleza (foto: Nayana Melo)

Práticas 

Consultor do Sesc e responsável pela curadoria cultural do evento, Paulo Henrique Leitão destacou que o Encontro Sesc Povos do Mar, que fez parte da Semana S, ocorre há 16 anos. "São mais de 200 comunidades espalhadas pelos 573km do litoral cearense, e elas compõem uma grande rede social", detalhou.

"Essa rede agrega práticas e saberes das comunidades. Trabalhamos com a cultura alimentar, com os cantos, danças e brincadeiras dos povos do litoral, os saberes das marisqueiras e dos pescadores, as práticas de cuidado e saúde comunitária e as artesanias. Tudo isso se congrega em um grande sistema cultural", afirmou. 

Paulo Henrique explicou que, durante todo o ano, são realizadas oficinas, encontros, rodas de saberes nas unidades do Sesc e também em circuitos realizados em alguns municípios e atividades nas próprias comunidades. 

Exposição flutuante

Dentro da programação da Semana S, ocorreu também a 7ª edição da Exposição Aquavelas, que consiste em um desfile flutuante de quadros pintados em velas de jangadas, que saem da enseada do Mucuripe e vão até o Mercado dos Peixes da Barra do Ceará. Ao todo, neste ano, saíram 14 jangadas, exibindo as obras de 14 artistas diferentes. 

Andréa Dall/Olio, artista plástica responsável pela arte que estampou uma das jangadas, participou de todas as sete edições. "Busco sempre trazer a representação da nossa cultura. Este ano, fiz uma homenagem ao Mucuripe, esse local de partida, e também fiz uma homenagem à nossa paisagem marinha, que é tão forte", destacou. "O Aquavelas é uma homenagem aos artistas visuais cearenses, que produzem no mesmo espaço. Há uma troca muito grande de energia, amizade e cumplicidade", pontuou.

A artista plástica Andrea Dall'Olio participou de todas as edições do Aquavelas
A artista plástica Andrea Dall'Olio participou de todas as edições do Aquavelas (foto: Mila Ferreira)

Gastronomia

O evento também trouxe à tona o projeto Panã, que surgiu da decisão do sistema S de adquirir alimentos da agricultura familiar. "A gente está no segundo ano. No primeiro edital, consumimos R$ 27 milhões. No segundo edital, a nossa intenção é consumir R$ 32 milhões. Temos hoje 28 cooperativas, e a nossa meta são 30 cooperativas, considerando que essas cooperativas representam, cada uma, mais de 10 famílias", explicou Vanessa Santos, consultora de produtos educacionais na gastronomia do Senac.  

Projeto Panã trouxe receitas feitas com produtos oriundos da agricultura familiar
Projeto Panã trouxe receitas feitas com produtos oriundos da agricultura familiar (foto: Anderson Santiago)

*A repórter viajou a convite da Fecomércio Ceará

 


  • Carlinhos Pitaguary levou a arte-identidade indígena à Semana S de Fortaleza
    Carlinhos Pitaguary levou a arte-identidade indígena à Semana S de Fortaleza Foto: Nayana Melo
  • Aparecida Barros, crocheteira da Associação Mundo Jeri, mostra o trabalho
    Aparecida Barros, crocheteira da Associação Mundo Jeri, mostra o trabalho Foto: Nayana Melo
  • Cortejo cultural trouxe diferentes ritmos, símbolos e tradições que permeiam o estado do Ceará
    Cortejo cultural trouxe diferentes ritmos, símbolos e tradições que permeiam o estado do Ceará Foto: Nayana Melo
  • Uma exposição de arte em velas de jangadas tomou conta da enseada do Mucuripe
    Uma exposição de arte em velas de jangadas tomou conta da enseada do Mucuripe Foto: Nayana Melo.
  • Projeto Panã trouxe receitas feitas com produtos oriundos da agricultura familiar
    Projeto Panã trouxe receitas feitas com produtos oriundos da agricultura familiar Foto: Anderson Santiago
  • A artista plástica Andrea Dall'Olio participou de todas as edições do Aquavelas
    A artista plástica Andrea Dall'Olio participou de todas as edições do Aquavelas Foto: Mila Ferreira
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postado em 21/06/2026 06:00
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