
Há quem vá ao Rio de Janeiro em busca do mar, do Cristo Redentor e do Pão de Açúcar. Mas, entre uma praia e outra, a cidade abriga um rico circuito cultural, com museus que contam a história do país, celebram a arte e convidam o visitante a vivenciar novas experiências. O Correio percorreu alguns desses espaços e reuniu dicas para um fim de semana de cultura, aprendizado e diversidade na Cidade Maravilhosa.
Um dos roteiros que se consolidou entre os visitantes é o Museu do Amanhã, que atualmente abriga duas exposições. A mostra permanente, Do Cosmos a Nós, ocupa o segundo andar do espaço e conduz o público por mais de 40 experiências imersivas que convidam o visitante a conhecer o passado, compreender o presente e refletir sobre o futuro.
Já a exposição temporária Síntese — Arte e Tecnologia explora as relações entre seres humanos, natureza e tecnologia. Com instalações interativas, a mostra reúne 12 obras de artistas brasileiros e estrangeiros. "Essa coleção se torna uma forma de a gente entender a arqueologia da mídia e a genealogia das máquinas, para que esse triângulo entre humanidade, tecnologias e natureza possa se fechar e a gente começar a entender que somos natureza e somos tecnologia e que essa circulação precisa ser equalizada", explicou o curador da exposição, Leno Veras.
Entre os destaques está FALA, instalação em que um microfone capta os sons do ambiente enquanto um "coro" formado por 40 celulares reproduz e desdobra as palavras identificadas, criando uma conversa em diferentes idiomas. Outra atração é Robotarium, uma espécie de zoológico de espécimes robóticas movidas por luz ou energia solar. Já Odisseia transforma um grande cubo em um labirinto digital inspirado em jogos de realidade virtual, no qual o visitante precisa romper paredes e encontrar a saída.
A exposição também apresenta o jogo cinematográfico inédito Bunker para um Pixel Tropical, criado pelos artistas colombianos Tatyana Zambrano e Hernán Rodríguez. Desenvolvida durante a residência artística realizada pelo museu em parceria com a GLUON e o programa europeu S T ARTS, a obra convida o público a explorar um universo abstrato que aproxima biodiversidade, mudanças climáticas, tecnologias digitais e futuros possíveis. O jogo acompanha a trajetória de uma biobactéria extremófila em um cenário pós-tropical marcado por transformações ambientais e tecnológicas, propondo reflexões sobre as relações entre natureza, tecnologia e imaginação. Tatyana explicou que a obra busca provocar reflexões sobre os impactos das mudanças climáticas na forma como os trópicos são percebidos.
Segundo ela, o imaginário que associa essas regiões a um lugar exótico e paradisíaco tende a se transformar. "Entendemos que essa não deve ser apenas uma visão antropocêntrica, centrada no ser humano, mas também uma perspectiva da própria natureza. A natureza fala, diz: 'Estou aqui'. Então, o que vai acontecer com os trópicos?", questionou. A artista acrescentou que o trabalho procura evidenciar a conexão entre natureza, tecnologia e cosmos. "Esses elementos não se opõem entre si. Nos três mundos do videogame — o vermelho, o azul e o verde —, procuramos construir essa interconexão", afirmou. A mostra temporária permanece em cartaz até 29 de setembro de 2026. O Museu do Amanhã funciona de quinta a terça-feira, das 10h às 18h, com última entrada às 17h. Os ingressos custam a partir de R$ 20.
- Leia também: Fascínio da Rússia: arte, história, riqueza e poder
Natureza em foco
Para quem deseja trocar o litoral pela Mata Atlântica, o Museu do Jardim Botânico é uma excelente opção. Atualmente, o espaço reúne três exposições que combinam conhecimento científico, arte e reflexões sobre a biodiversidade brasileira.
A principal delas é a mostra permanente Muito mais que um jardim, que apresenta a essência do museu por meio de oito experiências interativas. Entre os destaques está uma maquete do Jardim Botânico construída em escala 1:500, que evidencia trilhas temáticas, áreas de visitação, a topografia do terreno e sua integração com a floresta. Outra atração é uma experiência imersiva em 360 graus que acompanha o desenvolvimento de uma sumaúma desde a germinação da semente até seu crescimento, revelando raízes, estruturas internas e a conexão entre a terra e o céu.
A exposição também convida o visitante a refletir sobre a conservação ambiental. Um painel apresenta dados sobre as espécies vegetais identificadas e avaliadas quanto ao risco de extinção, as categorias de conservação, as principais ameaças e os planos de ação para preservá-las. No centro da sala, uma instalação reúne mais de 100 ilustrações botânicas iluminadas por luzes verdes, amarelas e vermelhas que indicam o grau de ameaça de cada espécie.
Em uma das paredes, um vídeo mostra como atividades humanas, como agricultura, exploração madeireira, mineração, geração de energia e poluição, vêm contribuindo para a degradação da flora brasileira. A segunda mostra veio diretamente do Sesi Lab de Brasília. BioOCAnomia Amazônica leva o visitante a percorrer as águas da Amazônia para conhecer a riqueza da floresta, seus saberes ancestrais e o potencial de produtos, processos e tecnologias voltados para uma economia sustentável.
A exposição articula biodiversidade, inovação e combate às mudanças climáticas a partir de cinco eixos temáticos: A floresta e o mundo, Saberes amazônicos, Bioeconomia, Indústria e inovação e Direitos da floresta. Toda a cenografia foi desenvolvida com materiais sustentáveis, incluindo chapas plásticas recicladas e subprodutos da agroindústria.
Fechando o circuito, a mostra Ser(tão): Imersão no Cerrado, da artista plástica Flavia Daudt, ocupa diferentes ambientes do museu com fotocolagens, instalações e obras sonoras que convidam o público a refletir sobre a riqueza ecológica e a vulnerabilidade do segundo maior bioma brasileiro.
Logo na entrada, a instalação Um Cerrado Assim, idealizada por Ana Paula Freitas Valle, reúne grandes fotocolagens produzidas por Flavia Daudt, impressas em seda e organza, com quase três metros de altura.
Outra obra de destaque é Terra que Guarda, instalação de oito metros de altura que ocupa a escadaria principal do museu com a imagem de uma árvore e suas raízes bordadas pela artista convidada Mirele Volkart. A obra desce do pé-direito até o térreo e é acompanhada por uma paisagem sonora assinada por Joe Stevens, composta pelo som das águas.
No primeiro pavimento, a exposição presta homenagem ao joão-de-pau, ave típica do Cerrado, por meio de um grande ninho de madeira imersivo produzido pelo artista Ricardo Siri com galhos provenientes da poda sustentável de árvores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Ao lado da instalação, uma fotocolagem de Flavia Daudt divide espaço com um painel elaborado pelo ornitólogo Luciano Lima, que apresenta diferentes espécies de aves do bioma acompanhadas de seus respectivos cantos.
As duas exposições temporárias permanecem em cartaz até 3 de novembro de 2026. O Museu do Jardim Botânico funciona de quinta a terça-feira, das 10h às 18h, com a última entrada às 17h. A visitação é gratuita.
A repórter viajou ao Rio de Janeiro a convite do Museu do Amanhã
Saiba Mais
Outros museus no Rio de Janeiro
- Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro: de quarta à sábado, das 10h às 18h. Domingos, das 10h às 11h, exclusivamente para visitação de pessoas com deficiência intelectual, pessoas autistas ou com algum tipo de hipersensibilidade a estímulos visuais ou sonoros. Das 11h às 18h, para o público geral. Entrada gratuita.
Museu de Arte do Rio: de quinta a terça-feira, das 11h às 18h (última entrada às 17h). Ingressos a partir de R$ 10. Entrada gratuita na terça-feira.
Museu do Samba: de terça a sábado, das 10h às 17h. Ingressos a partir de R$ 10.
Museu Carmen Miranda: de quarta a sexta-feira, das 11h às 17h. Sábado, domingo e feriados, das 12h às 17h. Entrada gratuita.
CCBB Rio: de quarta a segunda-feira, das 9h às 20h. A entrada no CCBB é livre e todas as exposições são gratuitas.
Museu da República: de terça a sexta-feira, das 10h às 17h, e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h. Entrada gratuita.

Revista do Correio
Revista do Correio
Revista do Correio