Saúde

Julho Amarelo: a importância do diagnóstico precoce contra as hepatites virais

Entenda as diferenças entre os vírus A, B, C, D e E, saiba como se proteger de cada tipo e veja quando procurar ajuda médica

A campanha Julho Amarelo é um combate contra os diferentes tipos de hepatite -  (crédito: magnific)
A campanha Julho Amarelo é um combate contra os diferentes tipos de hepatite - (crédito: magnific)

Por Daniele Felix*

Confundidas com viroses comuns ou totalmente assintomáticas, as hepatites virais escondem um perigo silencioso: quatro em cada cinco portadores dos tipos B e C desconhecem a infecção. O resultado desse diagnóstico tardio é o avanço para quadros graves, como cirrose e câncer hepático. Apesar do nome genérico, cada hepatite possui causas, formas de transmissão e tratamentos específicos

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A prevenção é a melhor opção para se manter seguro contra a doença. A gastro-hepatologista Natália Trevizoli recomenda cuidados com a higiene e segurança dos alimentos e da água consumidos, pois é por meio desses agentes que as hepatites A e E são transmitidas. Para os tipos B, C e D, transmitidos por contato com sangue e outros fluídos corporais, ela indica evitar o compartilhamento de objetos cortantes, utilizar preservativo e garantir a segurança de procedimentos invasivos, inclusive prestar atenção se os equipamentos utilizados em tatuagens e piercings são esterilizados.

Com isso, a recomendação final é manter as vacinas contra os tipos A e B em dia, sendo que a vacinação contra hepatite B também protege contra o tipo D. Quanto ao diagnóstico, a a gastro-hepatologista Carla Andrea de Holanda afirma que, devido à incerteza dos sintomas, caso tenha passado por uma situação de risco de contração, o paciente deve realizar exames. “O ideal é sempre procurar a ajuda de um médico, em caso de suspeita, serão realizados os exames confirmatórios. As sorologias para hepatite A, hepatite B e hepatite C, serão necessárias para confirmar a doença”, afirma Holanda.

Hepatite A:

Causada pelo vírus A da hepatite (HAV). Na maioria dos casos, têm potencial benigno mas o curso sintomático e a letalidade aumentam com a idade.

  • Sintomas: Cansaço intenso, mal-estar, náuseas, perda de apetite, dores no corpo e desconforto abdominal.

  • Tratamento: A prevenção com a vacina é a melhor opção para evitar a doença, por não possuir tratamento específico, o Ministério da Saúde recomenda não se automedicar. Um médico deve receitar medicação apenas para alívio de sintomas. 

  • A transmissão da hepatite A é fecal-oral. O contato pode ser indireto, por meio de alimentos e água contaminados.

 

Hepatite B:

Causada pelo vírus B da hepatite (HBV). Na maior parte dos casos, a infecção se resolve espontaneamente até seis meses após os primeiros sintomas, sendo considerada de curta duração. Após este período, passa a ser considerada uma infecção crônica, mais tendenciosa em crianças. 

  • Sintomas: costuma evoluir de forma silenciosa.

  • Tratamento: A prevenção com vacina é a melhor opção para evitar a doença. Caso testado positivo, o tratamento é realizado com antivirais receitados por um médico. Porém, os tratamentos disponíveis atualmente não curam a infecção pelo vírus da hepatite B, mas podem retardar a progressão da cirrose, reduzir a incidência de câncer de fígado e melhorar a sobrevida em longo prazo.

  • Transmissão: relação sexual com pessoas infectadas, da mãe infectada para o bebê durante a gravidez ou o parto, objetos que furam ou cortam compartilhados ou não esterilizados.

 

Hepatite C:

Causado pelo vírus C da hepatite (HCV). A hepatite crônica por HCV é uma doença de caráter silencioso, que evolui sorrateiramente e se caracteriza por um processo inflamatório persistente no fígado.

  • Sintomas: costuma evoluir de forma silenciosa por muitos anos

  • Tratamento: Apesar de não possuir vacina, o tratamento para hepatite C é efetivo, feito com os chamados antivirais de ação direta (DAA), que apresentam taxas de cura de mais de 95% e são realizados, geralmente, por 12 ou 24 semanas, segundo o Ministério da Saúde.

  • Transmissão: Contato com sangue contaminado, compartilhamento de agulhas, seringas, reutilização ou falha de esterilização de equipamentos médicos ou odontológicos, de manicure, para realização de tatuagem, procedimentos invasivos (ex.: hemodiálise, cirurgias, transfusão) sem os devidos cuidados de biossegurança, uso de sangue e seus derivados contaminados, relações sexuais sem o uso de preservativos (menos comum), transmissão da mãe para o filho durante a gestação ou parto (menos comum).



Hepatite D

Causada pelo vírus D da hepatite (HDV). A hepatite D, também chamada de Delta, está associada com a presença do vírus B da hepatite (HBV). Essa forma é considerada a mais grave de hepatite viral crônica, com progressão mais rápida para cirrose e um risco aumentado para câncer de fígado. Aparece com mais frequência na região norte do Brasil. 

  • Sintomas: cansaço intenso, dor abdominal, febre, náuseas e vômitos. 

  • Tratamento: O contágio da hepatite D está diretamente ligado ao vírus do tipo B, por isso a vacinação contra hepatite B garante proteção contra a D. O mesmo para o tratamento, não existe cura, apenas redução de danos.

  • Transmissão: Por relações sexuais sem preservativo com uma pessoa infectada, da mãe infectada para o filho, durante a gestação e parto, compartilhamento de objetos cortantes e perfurantes e de higiene pessoal (seringas, agulhas, cachimbos, lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam), na confecção de tatuagem e colocação de piercings, procedimentos odontológicos ou cirúrgicos que não atendam às normas de biossegurança.

 

Hepatite E

Causada pelo vírus E da hepatite (HEV). Na maioria dos casos, é uma doença de caráter benigno. Porém, a hepatite E pode ser grave na gestante e, raramente, causar infecções crônicas em pessoas que tenham algum tipo de imunodeficiência. Essa variação aparece em casos raros a nível nacional.

  • Sintomas: icterícia, urina escura, fadiga e cansaço extremo

  • Tratamento: Não existe tratamento específico. O acompanhamento médico foca em cuidados de suporte, como repouso, hidratação e dieta leve. Geralmente essa infecção some sozinha

  • A transmissão é principalmente fecal-oral (contato de fezes com a boca).

 

Palavra do especialista

1. Quais perfis de pacientes devem fazer o rastreio proativo por meio de testes rápidos?

Todos os adultos devem fazer teste para hepatites pelo menos uma vez na vida, mesmo sem sintomas. Profissionais de saúde, usuários de drogas injetáveis ou inaladas, pessoas vivendo com HIV, pacientes em hemodiálise, parceiros de pessoas infectadas, gestantes e indivíduos com múltiplos parceiros sexuais são pessoas que devem fazer testagem periódica em geral uma vez ao ano, ou em intervalos menores quando indicado pelo médico ou por protocolos específicos. Descobrir a infecção de forma precoce oferece melhores condições de tratamento, evita complicações extremas como a cirrose e o câncer de fígado e reduz a transmissão.  

2- Todos os tipos de hepatites são transmissíveis? Caso não, quais são e como são transmitidos?

Não. As hepatites virais são doenças infecciosas, sendo transmissíveis. A hepatite A é adquirida por água e alimentos contaminados em pessoas não vacinadas. Já a hepatite B é a Hepatite C são adquiridas por compartilhamento de material perfurocortante contaminados e por relações sexuais desprotegidas.

Fonte: A gastro-hepatologista Natália Trevizoli e gastro-hepatologista Andrea Holanda

*Estagiária sob a supervisão de Eduardo Fernandes

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postado em 26/07/2026 06:00
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