Beleza

Flacidez: quando a pele perde sustentação

A queda de produção de colágeno faz parte do envelhecimento, mas exposição solar, alterações hormonais, sedentarismo e mudanças no peso também podem influenciar a firmeza da pele

No processo de redução de peso, a perda de gordura costuma acontecer de forma mais rápida do que a retração da pele, gerando a flacidez -  (crédito: Magnific)
No processo de redução de peso, a perda de gordura costuma acontecer de forma mais rápida do que a retração da pele, gerando a flacidez - (crédito: Magnific)

A flacidez é uma das mudanças que surgem na pele ao longo do tempo e costuma chamar a atenção principalmente quando a perda de firmeza se torna mais evidente. Embora seja um processo natural do envelhecimento, diferentes fatores podem acelerar seu aparecimento e fazer com que a pele perca parte da capacidade de sustentação, elasticidade e retração.

De acordo com a dermatologista Tainah de Almeida, a flacidez cutânea está relacionada à perda gradual da estrutura responsável por manter a pele firme. Com o passar dos anos, o organismo produz menos colágeno, elastina e ácido hialurônico, componentes importantes para o tônus, a elasticidade e a hidratação. Essa redução pode fazer com que a pele fique progressivamente mais fina, frágil e menos elástica. 

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Apesar de ser frequentemente utilizada como um termo geral, a flacidez pode apresentar diferentes características. A dermatologista explica que a flacidez cutânea está relacionada, principalmente, à perda de colágeno e elastina na pele, enquanto a flacidez muscular envolve a redução do tônus e da massa muscular, que ficam abaixo da camada cutânea. "As duas condições podem existir juntas e contribuir para um aspecto mais envelhecido do corpo e do rosto", afirma Tainah. Por isso, identificar a origem da alteração é importante antes de escolher qualquer estratégia de tratamento.

O envelhecimento é considerado um dos principais fatores associados à flacidez, mas alguns hábitos podem acelerar ainda mais esse processo. Entre eles, a exposição crônica à radiação ultravioleta ocupa um papel importante, já que o Sol está diretamente relacionado ao envelhecimento externo da pele. Além da exposição solar sem proteção adequada, tabagismo, sono ruim, consumo excessivo de álcool, alimentação inadequada e sedentarismo podem prejudicar a qualidade da pele. 

O papel dos hormônios

As alterações hormonais também entram nessa equação. A endocrinologista Taynara Willers explica que os hormônios participam da manutenção da pele saudável e destaca o papel do estrogênio, hormônio que estimula as células responsáveis pela produção de colágeno. "Quando o estrogênio está reduzido, a pele passa a produzir menos proteínas de sustentação", explica a endocrinologista.

Esse processo pode se tornar especialmente perceptível durante o climatério, fase de transição hormonal que envolve o período que antecede a menopausa. Segundo Taynara, embora a redução da produção de colágeno aconteça tanto em homens quanto em mulheres com o envelhecimento, nas mulheres ela tende a se tornar mais evidente nesse período justamente devido à queda do estrogênio.

A endocrinologista destaca ainda que estudos apontam uma perda de aproximadamente 30% do colágeno da pele nos primeiros cinco anos após a menopausa. Depois disso, a redução continua de maneira mais lenta. Com o passar do tempo, a pele pode ficar progressivamente mais fina, seca e menos elástica, aumentando a tendência à flacidez e às rugas. As mudanças hormonais também podem interferir na capacidade de retração da pele depois de alterações no peso. 

Emagrecimento X flacidez

A relação entre emagrecimento e flacidez ganhou ainda mais atenção com o aumento do uso de medicamentos para tratamento da obesidade. No entanto, Taynara esclarece que as chamadas canetas para emagrecimento não provocam diretamente a flacidez. "Quando uma pessoa perde uma quantidade importante de gordura subcutânea, a pele precisa se adaptar ao novo volume corporal", explica. Se a pele já perdeu elasticidade devido ao envelhecimento, à menopausa, à exposição solar ou ao próprio excesso de peso, essa adaptação pode não acontecer completamente.

Dessa forma, a flacidez percebida depois de uma grande perda de peso não deve ser atribuída automaticamente ao medicamento utilizado no processo. "Esse mesmo efeito pode acontecer após cirurgia bariátrica ou mesmo em pessoas que emagrecem apenas com alimentação e exercícios", ressalta Taynara.

Embora não seja possível impedir completamente a flacidez durante o emagrecimento, alguns cuidados podem ajudar a preservar a qualidade da pele e a massa muscular. A endocrinologista recomenda, quando possível, uma perda de peso gradual, além de atenção à ingestão adequada de proteínas e à prática de exercícios de força. Segundo ela, o objetivo deve ser emagrecer com saúde, preservando a massa muscular e a qualidade da pele.

Como tratar

Quando a flacidez já está presente, a escolha do tratamento depende da intensidade da alteração, da região afetada e das características de cada pessoa. Para a dermatologista Tainah, não existe necessariamente uma técnica única capaz de solucionar o problema, justamente porque diferentes fatores podem estar envolvidos. "Geralmente, indico uma associação de técnicas, já que cada uma atua em um mecanismo diferente", explica.

Entre os procedimentos utilizados estão o ultrassom microfocado e a radiofrequência, que promovem aquecimento controlado da pele e podem estimular processos relacionados à remodelação e à produção de colágeno. Os bioestimuladores injetáveis também são indicados em determinadas situações. Aplicados sob a pele, eles estimulam gradualmente a formação de novas fibras de colágeno e elastina. Já alguns tipos de laser contribuem não apenas para a firmeza, mas também para a melhora da textura e da qualidade geral da pele.

Um dos erros apontados por Tainah, entretanto, é tentar tratar a perda de firmeza apenas adicionando volume. Segundo a dermatologista, preencher excessivamente uma região que precisa prioritariamente de firmeza e sustentação pode gerar um resultado artificial e não atuar diretamente sobre a causa da alteração. Outro equívoco é acreditar que um único procedimento será suficiente para resolver completamente a flacidez. Como o processo é multifatorial, diferentes estratégias podem ser combinadas de acordo com a necessidade de cada paciente. Além disso, começar os cuidados antes de a flacidez estar muito avançada pode favorecer resultados mais satisfatórios.

A prevenção, nesse sentido, não significa tentar impedir completamente as mudanças naturais do corpo, mas preservar a saúde da pele ao longo do tempo. Proteger-se da radiação solar, manter hábitos saudáveis, praticar exercícios de força, cuidar da alimentação e buscar acompanhamento profissional quando necessário são medidas que podem contribuir para a manutenção da firmeza.

Por fim, também é importante alinhar as expectativas sobre os resultados. Procedimentos dermatológicos podem melhorar significativamente a firmeza e a qualidade da pele, mas não substituem uma cirurgia quando há excesso importante de tecido ou flacidez avançada. Mais do que buscar uma solução imediata, o cuidado com a flacidez envolve compreender as transformações naturais do corpo e adotar estratégias que acompanhem cada fase da vida.

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

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postado em 16/08/2026 06:00
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