Bichos

Calor em pets: pelagem mais longa é aliada na proteção

Como o suor dos animais de estimação ajuda a refrescar em dias de calor intenso e como tutores podem colaborar com o resfriamento

Jazz, cadela border collie de Daniela -  (crédito: Arquivo pessoal)
Jazz, cadela border collie de Daniela - (crédito: Arquivo pessoal)

Quando o tempo esquenta, uma série de cuidados é recomendada para os humanos. Hidratar-se, fazer exercícios menos intensos ou em horários com menor incidência solar estão entre os principais. No caso dos pets, as indicações são parecidas e devem ser seguidas como forma de prevenir complicações. A veterinária Ingrid Gomes destaca trocar a água três vezes ao dia e evitar atividades de alta intensidade e passeios no geral em momentos mais quentes como algumas das recomendações para proteger o animal de estimação.

Termômetros altos também significam, nas pessoas, aumento de suor. Mas, nos cães, como esse processo acontece? Diferentemente dos humanos, os pets não transpiram pela pele, mas apenas pelos coxins — as “almofadinha” das patas — e pelo focinho. Segundo a médica veterinária Juliana Mori, é um processo natural de perda de calor e resfriamento. “A perda de calor também é realizada por meio da respiração ofegante, em que o ar quente dos pulmões é eliminado, e pela evaporação da saliva na língua”, acrescenta.

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No caso dos gatos, eles costumam lamber a pelagem, o que ajuda no processo de resfriamento. Como os pets não transpiram pela pele, a especialista explica que a tosa baixa não funciona como alívio de calor ou forma de “evaporar a transpiração”. Ao contrário. “A pelagem densa funciona como um isolante térmico, tanto para o frio quanto para o calor. Os pelos formam um 'colchão' de ar fresco próximo à pele, além de bloquear os raios solares, protegendo contra a radiação ultravioleta”, ensina a veterinária. Ela conta ainda que, problemas de pele, como o câncer, são muito mais comuns em animais com pelagem curta.

Dicas para cuidar bem

Ingrid sugere algumas dicas que, além de ajudar a aliviar o calor, podem ser deliciosas para os pets. “Usar ventilador, oferecer picolés de frutas permitidas, como melancia ou água de coco e picolé de ração úmida”, indica.

Para ela, é muito importante não colocar roupinhas e não submeter os pets a exercícios intensos em horários quentes. Após os passeios, é imprescindível garantir que o bicho descanse em um local fresco, com água em abundância, fria ou gelada. Além disso, a veterinária sugere deixar toalhas úmidas, bacias de água ou até mesmo umidificadores elétricos de ar, para aliviar a secura. Como os coxins também tendem a ressecar com a baixa umidade, a especialista recomenda o uso de hidratantes apropriados para essa área como prevenção.

A rotina de Rock, 6 anos, e Jazz, 3, os cães da raça border collie da representante comercial Daniela Borges, de 57 anos, sofre algumas mudanças quando os termômetros sobem. “Troco a água deles pelo menos três vezes ao dia. Às vezes, coloco gelo e eles brincam de pegar o gelo na água”, relata a tutora. Ela comenta que os próprios cães, em especial Jazz, costumam pedir água fresca e recém-trocada, o que a ajuda a saber quando a água está muito quente para eles.

Além disso, Daniela conta que aumenta a frequência dos banhos e faz brincadeiras que envolvem água para ajudar ainda mais no resfriamento de seus cães. “No calor, eles tomam banho uma vez no mês, mas no frio, uma vez a cada dois meses. Eu costumo ligar a mangueira e deixá-los brincando, ou encher uma bacia com água para se molharem.”

As caminhadas com os bichos também devem mudar de horário, segundo recomendação da médica veterinária Juliana Mori: “Realizar passeios e atividades físicas bem cedinho, no final do dia ou à noite ajuda a evitar o superaquecimento do pet”. A tutora de Rock e Jazz afirma que quando está quente, todos os passeios são ao final da tarde, quando o chão esfriou e o Sol não está tão forte, fazendo com que as saídas sejam mais longas e proveitosas, já que nem os pets nem o tutor sentem aquela fadiga causada pelo calor e pela alta incidência solar.

Atenção especial

Algumas raças de cães braquicefálicos, animais obesos e até mesmo de grande porte são mais sensíveis às temperaturas altas por terem mais dificuldade de dissipar o calor que acumulam. No tempo muito seco e quente, esses bichos correm mais risco de sofrer com hipertermia, segundo a veterinária Ingrid Gomes. “Ela ocorre quando o organismo recebe ou produz uma quantidade maior de calor do que é capaz de eliminar. Em alguns casos pode desencadear uma reação de superaquecimento grave no organismo, necessitando atendimento veterinário imediato e internação”, explica, alertando também para o risco de óbito dos bichos por hipertermia.

Colocar roupas, sapatos e acessórios que cobrem muito o cão ou gato pode até deixá-los fofos, mas também pode ser um grande contribuinte para piorar ainda mais o calor que sentem, inclusive, mais que os humanos. Juliana Mori explica que o sistema de perda de calor de cães e gatos não é tão eficiente quanto o nosso, fazendo com que, naturalmente, eles já tenham maior dificuldade de eliminá-lo. “Roupas e sapatos se tornam uma barreira no processo de dissipação do calor”, alerta Ingrid.

Quando o tempo esquenta muito e o risco de hipertermia aumenta, os tutores devem se atentar aos sinais. Gatos raramente ficam ofegantes. Se um felino estiver respirando de boca aberta devido ao calor, já é um sinal de emergência e superaquecimento. Outros sinais observáveis descritos por Ingrid são animal ofegante de forma intensa, fraqueza ou prostração, vômitos, desmaio ou convulsão.

"Ao notar sinais como esses, toalha úmida pode ajudar a resfriar o animal”, indica a veterinária. Porém, o tutor deve imediatamente procurar por atendimento com um médico veterinário. O quadro, por ser de grande risco, deve ser avaliado com urgência, principalmente se ocorrer um desmaio ou se houver convulsão.

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

 

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postado em 13/09/2026 06:00
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