
A qualidade do sono do pet afeta diretamente a disposição e a energia dele durante o dia. E a escolha do local onde o bichinho vai dormir é fundamental nesse processo. O veterinário André Luiz Azevedo afirma que camas muito finas e sem suporte prejudicam a mobilidade do animal. “Aumentam a pressão sobre articulações, como quadril e cotovelos, e também sobre a coluna. Isso é ainda mais importante em animais idosos, com sobrepeso ou com algum problema ortopédico.”
Em bichos com problemas nas articulações e na coluna, a caminha deve ser pensada para facilitar a mobilidade — o leito não vai tratar a doença ortopédica, mas pode contribuir para uma melhor qualidade de vida. A escolha do material influencia diretamente nisso, levando em consideração o peso, a altura, o porte e a saúde do pet. “Para animais idosos, com artrose, problemas de coluna, mobilidade reduzida ou que estejam se recuperando de uma cirurgia, eu costumo recomendar uma cama que ofereça mais suporte e distribua melhor a pressão, como as camas com espuma de maior densidade ou modelos ortopédicos”, aconselha.
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Na hora de escolher a cama de Frida e Rapadura, seus dois cães vira-latas, a fotógrafa Anne Seixas, 35 anos, segue não só alguns critérios indicados por especialistas como leva em consideração as necessidades dos seus melhores amigos. “Geralmente, tento encontrar uma combinação de preço, estética e conforto para eles”, explica.
Ela valoriza a praticidade e a adequação dos pets. “É importante que seja de um tamanho que eles caibam inteiros, quando se esticam. Outro detalhe superimportante é poder tirar a capa para lavar. Isso facilita muito a rotina.” Como os cães da fotógrafa possuem alergias na pele, o cuidado com a lavagem é, em especial, necessário. “Não sigo uma frequência específica de lavagem. Mas vou observando a necessidade. Como os meus têm dermatite atópica, presto atenção para lavar com sabão neutro”, explica.
Anne mantém as camas no escritório da casa, onde ficam próximas de seu marido, que passa muito tempo no local. Durante a noite ou quando o casal está em casa, Frida e Rapadura preferem ficar grudados nos tutores.
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Como escolher
A veterinária Agda Regina Silva indica as camas que têm tecidos de secagem rápida e respiráveis, evitando reter a escama e os pelos que os animais soltam. “Gosto do tecido de malha tridimensional, porque as fibras ficam entrelaçadas e formam uma espécie de corredor de ar para regular a temperatura”, orienta. O modelo é rotulado como hipoalergênico e resistente a ácaros, fazendo a cama não acumular odores. “Também tem a propriedade hidrofóbica, mantendo a superfície sempre seca, o que é muito útil, principalmente, para os animais em pós-operatório ou aqueles que têm problema dermatológico”, acrescenta.
Agda indica também a escolha de modelos laváveis. “Por melhor que seja o tecido, se não puder lavar, não vai resolver.” Ela sugere algodão, poliéster e microfibra. Quando o animal solta muito pelo, o melhor é procurar por tecidos mais densos que evitam a penetração dos fios.
Alguns bichos possuem o costume de arranhar, cavar ou morder a cama antes de dormir Nesses casos, o veterinário Humberto Martins sugere materiais reforçados e que não soltem pedaços com facilidade, pois o animal pode acabar ingerindo as fibras. “A cama também deve ter costuras e acabamentos resistentes, principalmente quando o hábito é morder ou cavar”, acrescenta.
Além da escolha da cama, Humberto alerta para a possibilidade de o comportamento estar associado ao tédio e à falta de atividades de exploração, brincadeiras e gasto de energia, em especial se o ato de arranhar e morder for muito intenso e sempre destrutivo.
Já em relação à medida da cama, o veterinário André Luiz Azevedo ensina: “Devemos medir o pet do focinho à base da cauda, quando ele estiver esticado, e acrescentar entre 20 e 30 centímetros”. A largura deve possibilitar que o animal se movimente durante o sono.
Higiene
A limpeza é um ponto especial. Segundo Agda, se o forro for removível, a lavagem pode ser feita semanalmente; já para os modelos inteiros, e com enchimento, ao menos uma vez por mês. “Deve-se aumentar nas épocas de troca de pelos, podendo chegar a duas vezes na semana, para evitar crise de dermatite ou até mesmo acúmulo de sujeira”, alerta a especialista.
O ideal é fazer a lavagem com água a 60ºC, se a etiqueta do produto permitir. “É o método mais eficaz de eliminar de fato as bactérias, os ácaros e, principalmente, os ovos que ficam nesse local”, justifica. Em relação aos produtos de limpeza utilizados, Agda pontua algumas proibições: detergente com perfume, amaciantes, sprays desodorizantes, alguns óleos essenciais, produtos com corante e até mesmo branqueadores ópticos. “Lembrando que o olfato dos cães é extremamente sensível. Além disso, esses produtos podem ser tóxicos para os cães ou causar dermatite por contato”, aponta. E adverte ainda sobre água sanitária e amônia, que podem ser tóxicas em grandes quantidades e devem ser bem diluídas em água.
Segundo a veterinária, a solução para a limpeza é, de certa forma, simples. Detergente sem perfume e sem corantes. “Hoje, existe a opção específica para os pets. E, para urina e sujeira orgânica, têm limpadores enzimáticos, que vão decompor os cristais de ácido úrico”, explica Agda. Pensando no longo prazo, ela sugere que as capas removíveis e impermeáveis saem mais baratas, pois têm um maior tempo de duração, diferentemente das não laváveis, que uma vez sujas ou contaminadas devem ser jogadas no lixo, criando um ciclo de compra e descarte.
Adaptação
O clima também é um fator de decisão ao comprar camas para os pets. “Nos dias muito quentes, prefira um tecido de tela ou um design suspenso, que permita a circulação de ar por baixo e ajude a dissipar o calor”, ensina Agda, que indica evitar tecidos escuros, grossos e, principalmente, que fiquem direto sob o sol. A superfície pode esquentar e até causar uma queimadura, além do desconforto do animal.
As camas suspensas são ótimas opções, mas, ainda segundo a veterinária, há ressalvas. Ela conta que a indicação é voltada a animais saudáveis. “Cães com artrite, displasia coxofemoral ou em recuperação cirúrgica, precisam ficar numa superfície macia, com um bom amortecimento para distribuir principalmente a pressão. A tela rígida pode piorar esse desconforto”, alerta.
Nos dias frios, há a necessidade de uma “camada de isolamento” para proteger o animal. Em modelos com capas removíveis, é possível adicionar mantas térmicas no inverno e, no verão, tirar. “Espumas de viscoelástico ou enchimento de fibra são o suficiente para isolar o frio.”
O veterinário Humberto alerta ainda para as necessidades comportamentais dos bichos. “Cães e gatos têm comportamentos de descanso diferentes. De forma geral, os cães tendem a buscar mais contato e proximidade com seus tutores, além de apresentarem maior preferência por espaços abertos. Já os gatos costumam valorizar mais a possibilidade de se esconder, ter controle do ambiente e escolher locais elevados”, detalha. Por esses motivos, alguns felinos podem ter preferência por acomodações suspensas ou do tipo toca, sendo comum eles alternarem os locais de descanso ao longo do dia.
“Mais importante do que escolher uma cama especificamente para cães ou gatos é observar a preferência individual do animal, considerando tamanho, idade, temperatura do ambiente e sensação de segurança que o local proporciona”, aconselha o veterinário.
Alguns animais não se acostumam de imediato com uma cama nova, mas nem sempre isso quer dizer que a escolha foi mal feita. “O animal pode simplesmente não reconhecer aquele objeto como um local confortável ou seguro. Além disso, textura, temperatura, cheiro e localização podem influenciar bastante essa escolha”, justifica o especialista.
Para ajudar o pet a reconhecer o novo leito, Humberto sugere buscar a familiaridade. “O ideal é colocar a cama em um local que o animal já procure espontaneamente para descansar e permitir que ele explore o objeto”. Outra dica é associar a cama a experiências positivas, utilizando petiscos ou outros estímulos que o bicho goste. O veterinário destaca que é importante respeitar o tempo de adaptação do pet. Se ele, mesmo após os métodos recomendados, não reconhecer a cama, vale avaliar o que locais como chão ou sofá oferecem de diferente e tentar reproduzir as características na cama.
*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
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Mariana Morais
Política