
A arquitetura e o design de Brasília foram celebrados nesta quinta-feira (8/10), durante a entrega do 9º Prêmio Correio Braziliense CasaCor Brasília. Ao todo, dez categorias reconheceram profissionais e projetos que se destacaram na mostra, em uma disputa que reuniu 14.712 votos do público e a avaliação de um júri técnico. Entre os destaques da edição estão a Casa Caju, de Hélio Albuquerque, eleita Melhor Projeto, o Bar Ocelo, de Orestes Blanco e Rosa Maranini, vencedor em duas categorias técnicas, e a Suíte Origem, de Palloma Meneghello Arquitetos e Associados, premiada em duas categorias populares.
Fruto da parceria entre o Correio Braziliense e a CasaCor Brasília, com produção da CB Brands, a premiação reconhece a criatividade, a inovação e o rigor técnico dos trabalhos apresentados na mostra. Nesta edição, as peças entregues aos vencedores foram assinadas pelo artista visual Toys Daniel. Na escolha do público, a Suíte Origem conquistou os troféus de Sonho de Quarto e Sonho de Banheiro. O projeto foi concebido para transformar o espaço de descanso em um ambiente de desaceleração, no qual o quarto e o banheiro integram uma experiência de relaxamento. Para a arquiteta Palloma Meneghello, a identificação dos visitantes com a proposta foi determinante para o resultado.
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“Fui convidada para fazer a Suíte Origem, e era um espaço onde eu tinha que pensar em como desacelerar para ter um bom momento de sono. E o que eu entendi disso é que o sono não é apenas você chegar na sua cama e dormir. A gente precisa pensar no espaço de uma forma de desacelerar, e aí entra o banheiro, que seria a parte de relaxamento, e todo o restante”, explica. A arquiteta também destaca que a intenção era criar um ambiente no qual os visitantes conseguissem se imaginar, em vez de enxergar o projeto apenas como uma vitrine. “Não era só como uma vitrine em que a pessoa que vinha à mostra não conseguia imaginar aquilo dentro da casa dela", afirma.
Outro vencedor em duas categorias do Júri Popular foi o Espaço São Geraldo, assinado por Alessandra Lima Oliveira, da Tudo Arquitetura e Construção, em parceria com a Construtora Aluner. O ambiente recebeu os prêmios de Sonho de Cozinha e Sonho de Sala. A proposta buscou aproximar os visitantes do espaço por meio de materiais e escolhas que evocassem conexão e afetividade, em sintonia com o tema da mostra deste ano, “Mente e Coração”. “Acredito que os visitantes entenderam o objetivo da nossa proposta, que foi justamente trazer conexão, afetividade, conectando ao tema deste ano através da aplicação de materiais que lembrassem essa proposta", avalia Alessandra.
Identidade e ousadia
No Júri Técnico, o Bar Ocelo conquistou os prêmios de Melhor Uso Comercial e Projeto Mais Ousado. Assinado por Orestes Blanco e Rosa Maranini, o ambiente foi pensado para conciliar a funcionalidade exigida por um estabelecimento comercial com uma proposta estética marcante. Para Blanco, o reconhecimento representa a realização de criar um lugar que não apenas agradasse aos visitantes, mas também permanecesse na memória.
“A gente está feliz, porque era isso que a gente queria: fazer um projeto não só em que as pessoas estivessem satisfeitas e gostassem de estar no lugar, mas um projeto de que as pessoas fossem lembrar da gente, com personalidade e um ambiente legal para as pessoas”, afirma. O conceito do bar começa pelo próprio nome. Segundo Rosa Maranini, “ocelo” é o nome dado ao desenho que lembra um olho nas penas do pavão, elemento que inspirou a identidade visual do ambiente. O papel de parede com penas da ave foi um dos pontos de partida para a escolha das texturas e para o desenvolvimento do projeto.
“Todo o movimento do bar e do conceito foi através dessa questão das texturas que escolhemos, e o nome veio através disso”, detalha a profissional. Ela também destaca a participação de Moema, uma das responsáveis pela CasaCor, que se envolveu com a proposta e levou penas de pavão de sua própria casa para complementar a decoração. Além da identidade visual, a equipe precisou integrar o projeto à operação do estabelecimento. Para Maranini, a parceria com os responsáveis pelo bar foi fundamental para unir estética e funcionalidade.
Casa Caju
O prêmio de Melhor Projeto ficou com a Casa Caju, de Hélio Albuquerque, que também venceu a categoria Melhor Uso de Obras de Arte, em empate com “Entre”, de Alex Claver e Wilker Medeiros. Para Albuquerque, os dois reconhecimentos têm um significado especial porque o ambiente foi concebido como uma homenagem aos seus 23 anos de participação no evento.
A proposta reúne referências de diferentes trabalhos desenvolvidos pelo arquiteto ao longo dessa trajetória. Objetos e elementos que marcaram projetos anteriores foram incorporados à Casa Caju, recuperando lembranças que permaneceram com os clientes. Entre elas, estão um piso vermelho, um teto verde e um galo de briga, exemplos de detalhes que se tornaram parte da memória afetiva de quem passou por seu escritório.
“Quis trazer um pouco de cada ambiente que fiz nesses 23 anos. No meu espaço, tinha sempre objetos ou elementos que eu já usei nessa história. O que eu busquei foi aquilo que cada cliente chegava no meu escritório falando: ‘Eu não esqueço o piso vermelho’, ‘Eu não esqueço o teto verde’, ‘Eu não esqueço o galo de briga’. Tudo isso estava nesse ambiente, que é o que ficou na mente e no coração das pessoas”, conta.
A presença da arte também ocupa um lugar central em seu trabalho, como elemento capaz de transformar a percepção de um ambiente. “A arte, como sempre presente no meu trabalho, é uma coisa que eu valorizo e que sempre digo que todo mundo tem que buscar, porque a arte é tudo, ela levanta qualquer ambiente. Eu estou muito feliz com os dois prêmios”, afirma.
Reconhecimento
A importância da premiação também foi ressaltada por Eliane Martins, diretora da CasaCor. Para ela, o reconhecimento contribui para estimular os profissionais a aprimorarem seus trabalhos e amplia o envolvimento com a mostra. “O prêmio é o reconhecimento do profissional, e todo mundo gosta de ter reconhecimento. Então, toda vez que você faz uma premiação, as pessoas correm atrás, elas querem ser sempre melhores”, avalia.
“Esse reconhecimento do Correio Braziliense é muito importante para o profissional. Eu acho que eleva o nível do evento, as pessoas ficam mais envolvidas e mais engajadas”, completa. A avaliação técnica ficou sob responsabilidade de uma comissão multidisciplinar formada pela decoradora de eventos Valéria Leão, pela arquiteta especialista em iluminação Simone Turibio, pelo arquiteto Eduardo Estrela, por Pedro Ariel, diretor de Conteúdo e Relacionamento da CasaCor, por Livia Pedreira, diretora superintendente da CASACOR, pela arquiteta Ângela Borsoi, e pelas jornalistas Sibele Negromonte e Cilene Vieira, ambas do Correio Braziliense.
Além dos vencedores em destaque, a categoria Projeto Mais Original terminou empatada entre “O Avesso do Chão”, do Estúdio Solo, e “Entre”, de Alex Claver e Wilker Medeiros. Já o prêmio de Melhor Uso Público foi concedido a “Limiar”, da Três Arquitetura. Na categoria Melhor Uso de Obras de Arte, a Casa Caju dividiu o reconhecimento com “Entre”. O resultado reforça a presença da arte como parte da concepção dos ambientes apresentados na mostra.
Lista completa dos vencedores
Júri Popular:
Sonho de Quarto: Suíte Origem — Palloma Meneghello Arquitetos e Associados
Sonho de Banheiro: Suíte Origem — Palloma Meneghello Arquitetos e Associados
Sonho de Cozinha: Espaço São Geraldo — Alessandra Lima Oliveira (Tudo Arquitetura e Construção) em parceria com Construtora Aluner
Sonho de Sala: Espaço São Geraldo — Alessandra Lima Oliveira (Tudo Arquitetura e Construção) em parceria com Construtora Aluner
Júri Técnico:
Melhor Projeto: Casa Caju — Hélio Albuquerque
Melhor Uso Comercial: Bar Ocelo — Orestes Blanco e Rosa Maranini
Projeto Mais Ousado: Bar Ocelo — Orestes Blanco e Rosa Maranini
Melhor Uso de Obras de Arte (Empate):
Casa Caju — Hélio Albuquerque
Entre — Alex Claver e Wilker Medeiros
Projeto Mais Original (Empate):
O Avesso do Chão — Estúdio Solo
Entre — Alex Claver e Wilker Medeiros
Melhor Uso Público: Limiar — Três Arquitetura
Revista do Correio
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