CÂNCER

A 'assinatura secreta' do câncer no DNA


Estudo revela mais de 200 enzimas ligadas ao genoma tumoral, abrindo caminho para tratamentos que atacam a resistência da doença na raiz

Por Júlio Noronha*
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Um estudo publicado na revista científica 'Nature Communications' revelou que diferentes tipos de células, até mesmo as cancerígenas, tem um padrão único de enzimas metabólicas dentro do núcleo, e que interagem com o DNA

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Os pesquisadores identificaram mais de 200 enzimas metabólicas, boa parte delas responsáveis pela produção de energia nas mitocôndrias, sobre o DNA humano

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Essa é a primeira evidência de que as células humanas têm o que os pesquisadores chamam de 'impressão digital nuclear'

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A pesquisa oferece novas pistas sobre como os diferentes tipos de tumores crescem, se adaptam e resistem ao tratamento

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De acordo com os pesquisadores, muitas dessas enzimas sintetizam componentes essenciais à vida, e a localização nuclear delas, está associada ao reparo do DNA

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A equipe realizou a descoberta utilizando um método que isola fisicamente as proteínas ligadas à cromatina, estado natural do DNA nas células humanas

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'A presença no núcleo pode, portanto, influenciar diretamente a forma como as células cancerígenas respondem ao estresse genotóxico, uma característica de muitos tratamentos quimioterápicos. É um mundo totalmente novo para explorar', afirmou Sara Sdelci, principal autora do estudo e pesquisadora do Centro de Regulação Genômica, no artigo da 'Nature Communications'

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Os pesquisadores também estudaram outras 44 linhagens de células cancerígenas e 10 de células saudáveis de 10 tecidos diferentes. Tradicionalmente, a ciência acredita que o metabolismo e a regulação do genoma sejam sistemas conectados ocasionalmente, na maioria das vezes separados

Célula/Zhao et al/Divulgação

O que acontece é que o núcleo abriga o genoma enquanto as enzimas metabólicas geram energia para as células nas mitocôndrias e no citoplasma. Quando o estudo revelou que as enzimas metabólicas parecem ser participantes ativas na biologia nuclear, os pesquisadores tiveram uma grande surpresa

Jia-Ren Lin, Sorger lab, Harvard Medical School

Eles puderam ver que 7% de todas as proteínas encontradas ligadas à cromatina eram enzimas metabólicas, o que mostra que o núcleo das células tem o próprio 'mini metabolismo independente'

MPI of Immunobiology and Epigenetics, Akhtar/Divulgação

O número de enzimas pode variar de acordo com o tipo do câncer, nas células de câncer de mama, por exemplo, enzimas de fosforilação oxidativa são comuns, mas ausentes nas células de câncer de pulmão

Aurélie Cleret-Buhot e Mathieu Dubé

Ainda assim, o que os pesquisadores observaram foi um padrão semelhante entre os tecidos analisados, que demonstraram uma natureza específica da doença no metabolismo nuclear

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A descoberta traz novas questões aos estudos e debates sobre o funcionamento dos tratamentos contra os diferentes tipos de câncer. De acordo com os autores do estudo, a nova pesquisa é a primeira evidência global de que o núcleo está repleto de enzimas metabólicas

PNNL/Divulgação

Para eles, mapear a localização e a função dessas enzimas a longo prazo poderá ajudar a identificar novos diagnósticos e vulnerabilidades que medicamentos anticancerígenos podem explorar

Simon Grelet and Gustavo Ayala/Divulgação